segunda-feira, 17 de junho de 2013

POR QUE OLHAS PARA A PALHA QUE ESTÁ NO OLHO DO TEU IRMÃO?





“Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?” (Mateus 7, 3)

Às vezes, julgamos os atos do outro pelo que pensamos, sem darmos conta da pobreza deste sentimento.
Dizemos que amamos, mas não sabemos amar sem passar faturas, cobrando o que queremos que o outro seja para nós, sem percebermos que primeiro devemos olhar para nós mesmos, para as nossas atitudes e assim podermos compreender melhor as dos outros.

Que o nosso Jesus nos alerte sempre para a realidade dos factos, dos nossos fracassos, das nossas cegueiras, da atração pelo veneno que nos é confrontado e não nos deixe cair na tentação de nos deixamos vencer pelas trevas.

Dá-nos Jesus,
Uns olhos que nos vejam tão bem quanto os Teus nos vêem, e que reconheçam a todos como irmãos, filhos do nosso Abbá,
um coração que bata com o mesmo ritmo que o teu,
uns ouvidos que escutem,
uns lábios que não apaguem a lamparina da vigilância e da oração,
umas mãos que levem as tuas impressões digitais e, por isso, sejam capazes de acolher e fazer acontecer a abundância, o perdão e a paz.
Dá-nos Jesus,
A capacidade de saborearmos a riqueza da Comunhão.

Emília Pinto

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Reflexão da Paula Constantino: Aprender a Paciência


“O Amor é paciente, a caridade é benigna. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1)

 O nosso tempo corre depressa. As pessoas andam de um lado para o outro quase que sem destino, sem saberem para onde ir. Não há tempo a perder, é preciso atender a mil e uma tarefas que ainda há para cumprir em mais um dia que mais parece ter mais do que 24 horas. E no meio de toda esta azáfama tantas vezes dizemos e ouvimos dizer: “Não tenho paciência”; “Não há paciência para isto”.

 E eu pergunto-me: que fazemos nós da paciência? Como a cultivamos no nosso coração e nas nossas vidas?

Olho a natureza como ela nos brinda com paisagens tão belas, que eu me pergunto como é que isto foi possível? Será obra da pressa ou da paciência?

Durante um passeio observo um campo enorme de pequenas flores amarelas e vou às raízes da formação daquela beleza: a pequena semente que é deitada à terra e germina ao seu ritmo, e, aos poucos e poucos, vão aparecendo os primeiros sinais de vitalidade, de que “pegou” à terra, que vamos ter flor! Continua no seu ritmo a crescer e começa a surgir o caule com as primeiras folhas. A seiva que corre dentro de si alimenta a planta e ela vai crescendo até que, finalmente, surge a tão desejada flor. É um processo lento, mas tão belo e cheio de vida.

 Se olharmos para nós, como é que nos vemos? Que paciência temos connosco? É que muitas vezes queremos tudo muito perfeitinho, tudo a “bater” certo, sem nenhuma falha, assim tipo puzzle onde as peças encaixam umas nas noutras e fica um desenho maravilhoso. Ora, se temos a paciência de estar horas a fio a fazer o puzzle que não passa de uma simples distração, porque não havemos de ter essa mesma capacidade para nós? Ninguém nasceu perfeito por isso, é preciso aceitar e assumir os nossos limites para, de seguida, sermos capazes de valorizar os talentos que temos e, com surpresa, veremos que nos tornamos em pessoas mais felizes e, porque nos amamos, temos uma maior capacidade de Amar o outro.

Transportando isto para as nossas vidas, questiono-me sobre a paciência que temos com os outros, e de que tipo é essa paciência: será uma paciência ao nosso jeito, em que tudo tem que estar dentro dos nossos parâmetros e as pessoas têm que andar ao nosso ritmo; ou pelo contrário, somos nós que temos que andar mais devagar, perceber e respeitar mais, muito mais, o ritmo dos outros?

 É que às vezes queremos fazer tanto pelo outro, ajudá-lo a dar passos na sua vida, queremos libertá-lo de tantas angústias, tristezas e privações, que parecemos as ervas daninhas que abafam a flor e não a deixam crescer, não permitindo que o outro emirja, cresça verdadeiramente e assuma a sua vida nas suas próprias mãos.

O respeito pelo outro exige de nós muito cuidado com a forma como lidamos com ele, como permitimos que ele cresça, faça o seu caminho. Não nos basta dizer que Amamos temos primeiro que respeitar. Deus fez-nos livres e dá-nos a possibilidade de escolhermos entre o bem e o mal e não é por isso que deixa de nos Amar ou que nos abandona, pelo contrário, continua sempre do nosso lado. Tem uma paciência e um Amor infinito por cada um de nós.

“Tu és o meu filho muito amado, em ti ponho todo o meu encanto, todo o meu enlevo” (2). Ora, se Deus diz isto a cada um de nós, que somos seus Filhos Únicos, porque não há outro como nós, também deve ser esta a medida do Amor e da Paciência que devemos ter para com o outro, porque também ele é Filho Único de Deus.

Paula Constantino

 (1) 1ª Carta aos Coríntios 13, 4, 7; (2) Mateus 17, 5