segunda-feira, 31 de março de 2014

“Mamã, tu és tão linda!”

(Esta imagem é um desenho da 
autoria da Glória Marques que

 simboliza um abraço em forma de coração)
O amor é altamente contagiante e por isso tudo que se faz por amor e com amor dá frutos!

Um destes dias quando fui deitar a minha filha senti uma mão muito pequenina, muito rechonchuda a tocar na minha face e a dizer-me: “Mamã, tu és tão linda!”

Como devem imaginar toda eu sorri e o meu coração então, entrou em festa! Aquele gesto tinha alterado o meu estado, tinha-me contagiado de amor. Não conseguia parar de sorrir para ela.

Mas o mais engraçado foi eu ter estado em estado de Graça um bom tempo, ainda a saborear aquela frase e aquele quente da mãozinha dela quando me surge o pensamento: “mas esta frase já eu lhe disse muitas vezes!”.

E por isso HOJE quero reforçar aqui, o amor é altamente contagiante e tudo que se faz com amor e por amor dá frutos.

Um grande abraço, para cada um de vocês, carregadinho de SHALOM

Bé

quarta-feira, 26 de março de 2014

Hoje voamos, ontem construímos, amanhã seremos vida!!!

                                          (Mãos a segurar um poema enrolado com uma flor)

Um convite inesperado, depois de um evento na ACAPO, Um Sentido na Poesia, chegou, convenceu e venceu.
De repente, um grupo de jovens altruístas, com uma visão do mundo de tal maneira alargado que nos faz parecer já fazermos parte dele, mal nos acabamos de conhecer.
Não sei se me faço entender, mas, acreditem, foi como se já nos conhecêssemos e a ligação estava lá.
Um evento de três dias, essa foi a proposta, o grupo da ACAPO colaboraria com poemas, a negro e a Braille, as flores, feitas pelo Grupo de Manualidades e com a nossa participação em todos os eventos por eles apresentados.
Na sexta-feira, uma emissão em directo, da Livraria Lelo, que nos recebeu de braços abertos!
Belo local  onde dissemos poesia, ouvimos violino, belas vozes cantaram e muitos desconhecidos se juntaram á Rádio Manobras para celebrar o Dia Mundial da Poesia e 1º Aniversário da Rádio e do seu programa Vadiações Poéticas.
Poemas foram enrolados, atados com flores do jardim da ACAPO do Porto, distribuídas ás dezenas pelos poetas aos visitantes da Livraria e aos passantes.
Um sucesso, recolhemos a casa com a certeza de que a obra iniciada tinha futuro.
No sábado, antes do início da Arruada Poética, uma pequena Tertúlia no
Café Majestic, que nos recebeu de braços abertos.
Música de piano, dança Burlesca, poemas ditos e lidos com mais do que um sentido, pois nem toddos viam com os olhos.
Quando o Tó Zé iniciou a leitura, muitas fotos foram tiradas, muitas questões colocadas, mais tarde respondidas.
É bom saber que ainda existe o interesse, que as pessoas ainda não se isolaram completamente e ainda conseguimos colocar uma pequena semente nos seus corações.A indiferença ainda não venceu.
Saída para a Arruada, poemas lidos em andamento, cativam-se passantes, juntam-se a nós, declamam Poesia!!
Qual diferença, somos todos iguais, com diferenças, é certo, eu não queria ser cópia de ninguém!!!
Lojas, livrarias, jardins, cafés, todos os lugares foram ideais para se dizer poesia e partilhar poemas e flores, oferecidas com muito amor, mas por vezes aceites, com receio.
-Não obrigada, não quero colaborar, não tenho trocado.
Mas então, já não se pode dar nada de coração, sem esperar nada em troca, todos esperam que lhes peçamos uma moeda, e não só por sermos cegos, mas sim porque hoje quase todos se habituaram a pedir.
Mas, no final da Arruada, o sentimento foi de orgulho, muitas pessoas se juntaram a nós, com música, poesia e coração aberto.
Domingo, Torre dos Clérigos, depois de um concerto que grangeou muitos aplausos, cinco Poetas da ACAPO e dois responsáveis e poetas da Rádio Manobras, sobem ao alto da torre e lançam centenas de aviões poéticos, dezenas deles impressos a negro e a Braille, fruto do trabalho da Delegação do Porto da ACAPO.
O vento era imenso, os aviões ganharam asas e voaram!!!!
Muitos dos assistentes correram rua abaixo para apanharem alguns dos poemas em forma de avião.
Muitos chegaram quase aos Aliados.
Assim ganharam asas e voaram os sentimentos expressos por poetas de renome e anónimos, que escrevem e leiem com mais do que um sentido.
Houve partilha, sentimento, orgulho e felicidade neste momento enorme de liberdade.
Ficamos com a certeza de que com a colaboração de todos, o trabalho voluntário, apenas pago com abraços e sorrisos, ainda se consegue apresentar obra, fazer do nosso mundo, cada vez mais fechado e sorumbático um mundo melhor!

Muitos abraços e sorrisos,

Sentindo-me feliz,

Anunciação Velho


segunda-feira, 24 de março de 2014

A reconquista da minha felicidade


 Olá amigos!
Hoje estou aqui para partilhar convosco a felicidade que ultimamente tem inundado o meu coração.
Desde a minha infância me considerei um ser humano feliz apesar de todas as dificuldades que foram surgindo no meu caminho. Principalmente no que se refere a problemas de saúde.Posso considerar que tive o hospital por minha segunda casa e família.
Apesar desta situação, da qual podia ter guardado as experiências negativas, eu consegui tirar sempre o melhor partido das mesmas. Tentei entender sempre o rumo que a vida nos faz tomar. Não guardar as mágoas, mas sim o melhor que a vida nos dá:
            -Tive a sorte de ter sempre uma FAMÍLIA (Mãe, Pai e Irmãos) que me apoiou e lutou por mim em todos os momentos. Ensinou-me a lutar pelos meus objectivos, ensinou-me a tirar as pedras do caminho e a seguir em frente;
-Tive a sorte de encontrar pessoas que hoje e sempre são AMIGAS verdadeiras e do fundo do coração. Que sempre acreditaram em mim e nas minhas capacidades. Que nunca me julgaram, mostraram pena, nem olharam para mim como coitadinha. Sempre me apoiaram e me encararam como um ser humano normal. Lutaram comigo para isso, para chegar onde os outros chegam. Apenas tinha que me esforçar um pouco mais;
-Tive a sorte de ser bem acolhida e acarinhada em quase todos os espaços que frequentei na minha infância e adolescência;
-Tive a sorte de ter uma boa capacidade de socialização e não ter a tendência para me isolar só porque tinha uma deficiência motora;
-Tive a sorte de encontrar o companheiro da minha vida que me apoia e caminha sempre a meu lado.Que me carrega quando não tenho força e que me levanta quando vou a cair.
            Até a uns anos atrás, quando entrei no mundo do trabalho, sentia-me uma pessoa normal, com as mesmas capacidades, potencialidades e direitos.
Depois da minha visão piorar esse sentimento, essa postura mudou. Com a progressão da minha baixa visão comecei a sentir-me inútil e incapaz de realizar tarefas tão simples e banais como ir ás compras, deslocar-me sozinha na rua, utilizar um multibanco, manusear um telemóvel no que se refere a fazer chamadas, enviar e receber mensagens. Fazer pagamentos em dinheiro, ler um livro, uma revista ou simplesmente uma correspondência, Não me deslocava sozinha a um hospital, ao centro de saúde, não andava sozinha nos transportes públicos e não utilizava as máquinas do metro. Não era capaz de ir a um serviço público para resolver um problema pessoal.
Em casa tinha dificuldade em trabalhar com alguns electrodomésticos, como a máquina da roupa, o microondas, o forno e o fogão. Na preparação dos alimentos o que mais me criava angústia era arranjar os legumes e o receio de cair alguma coisa no tacho que não devesse lá estar. E quando alguma coisa não corria tão bem era logo um drama, ficava nervosa e sentia-me frustrada.
Deixei de convidar amigos para vir cá a casa jantar. Comecei a isolar-me a entrar numa depressão profunda. Não tinha força nem vontade para nada. Deixei de sair e de conviver porque não queria ser um peso para ninguém.
No dia 19 de março fez um ano que dei o primeiro passo e fui conhecer a ACAPO, com o apoio dos amigos de sempre, aqueles que nunca me abandonaram, aqueles que estiveram sempre lá nos bons e maus momentos. E claro não me posso esquecer da pessoa que mais me motivou a dar o passo, a Mila, que com o seu jeitinho e com a partilha da sua experiência ajudou-me a levantar a cabeça, a sair de casa e ir à procura de ajuda. Com ela e com o contacto com a ACAPO senti que era compreendida, que percebiam a minha angústia e o meu sofrimento.
Iniciei o contacto com aquele mundo e descobri uma panóplia de estratégias e equipamentos que a minha perspectiva, o meu receio e a minha angústia esbateram-se.
Comecei a reabilitação em Setembro, com aulas de mobilidade, informática e actividades da vida diária.
Actualmente, um ano depois, sinto que fiz o meu caminho e as minhas conquistas. Já consigo realizar tudo aquilo que antes não conseguia. Reconquistei a minha autonomia, a minha independência, a minha vontade de viver. Voltei a ser um pouco mais activa. Emocionalmente sinto-me mais estável e serena em vez de irritada e triste.
Sinto que aos poucos estou a voltar à pessoa que era e que estou a reconquistar a minha felicidade. Sim, é verdade! Aconteceu aquilo que eu achava impossível a uns meses atrás… voltar a ser FELIZ!

Susana Monteiro


quarta-feira, 19 de março de 2014

Pleno Amor de Pai


Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu a sua vida entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. 

Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava!

E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.' E, levantando-se, foi ter com o pai.

Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.' Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa começou. 

Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'

Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.' O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'

 Rui Santiago no blog "derrotar montanhas"

segunda-feira, 17 de março de 2014

O Mundo nas nossas mãos‏

A imagem mostra duas mãos masculinas que seguram amorosamente o planeta terra em atitude de cuidado e de dádiva.

Se conseguíssemos olhar o mundo como uma bola nas nossas mãos... 
Se conseguíssemos assumir o ponto de vista de Deus e olhar cada pessoa, cada família, cada país...
O que veríamos? O que sentiríamos? Como agiríamos?
Quero acreditar que o sofrimento de cada ser humano não nos seria indiferente,
E que as fronteiras entre países passariam despercebidas face aos laços de amor e de sangue que hoje unem as pessoas de todo o planeta.

 Quero acreditar que cuidaríamos do planeta como o mais precioso dos presentes:
que amaríamos as suas águas, os seus montes e cada árvore das florestas
que cuidaríamos de cada criança, cada velho, cada doente,
como se fosse nosso familiar ou amigo,
E que finalmente perceberíamos todos que as guerras - pequenas ou grande - são inglórias,
E que a paz no mundo 
                           Começa dentro de cada um de nós. 


Natacha Soares Ribeiro

quinta-feira, 13 de março de 2014

Desde o primeiro dia…




Que estranho desajuste é este que se meteu em nós desequilibrando-nos os dias de tal modo que, mesmo andando sempre a correr e a “contra relógio”, sempre a “cem à hora”, sempre esbaforidos, chegamos sempre atrasados!?

Comemos a correr. Cumprimentamo-nos a correr. Não nos oferecemos tempo para ouvir. Para calar. Para olhar nos olhos de alguém e neles nos revermos, no melhor ou no pior de nós… Amamos a correr…

Na estrada, e na carreira profissional é nossa a faixa de ultrapassagem. 
A impaciência faz-nos colar o dedo às campainhas das portas:- “eles hão-de abrir!”…

Pressa e impaciência, são a tónica da des-harmonia do nosso tempo… São a dominante des-compassada dos nossos dias…

Por isso, des-concertados por dentro, perdidos do com-passo, vivemos cada vez mais sós, cada vez mais apressados, cada vez mais atrasados… vivemos cada vez menos…

Com medo de envelhecer, envelhecemos precocemente e sem Grandeza. A impaciência envelhece, eleva a pressão arterial, desgasta-nos sem proveito…

Quando nos convenceremos de que, na verdade, não podemos nem devemos ter tudo, chegar a tudo, estar em todo o lado ao mesmo tempo?

Olhemos a Natureza. TUDO na Criação chega a seu tempo. Nada amadurece antes dele:

- A fruta, colhida antes que amadureça ou não sabe a nada ou é amarga. E não faz bem à saúde…

- O trigo colhido antes do tempo apodrece nos celeiros…

- E a Vida, essa, como um rio que flui imparável, irá, por certo, mais dia menos dia, dar ao Mar…


Que nesse dia a nossa Vida seja como um RIO FELIZ a espraiar-se Sereno, Feliz por ter chegado finalmente ao seu FIM - ao Amor Pleno que, sem Se impacientar ou impor pressas, nunca Se cansou de nos convocar para poder espelhar-Se em nós e nós nEle. Desde o primeiro dia…

segunda-feira, 10 de março de 2014

Preconceitos e ideias pré-concebidas

 Hoje presenciei um episódio que me fez refletir.

Subia a rua com uma amiga cega, que se orientava com a sua bengala, enquanto falávamos animadamente de assunto do nosso interesse. 
De repente, a meio da Rua do Bonfim, onde fica a Delegação do Porto da ACAPO, ouvimos estes impropérios:
"-Ó meu cara…, vê se sais do caminho, deixa passar a senhora!" 
Esta frase, dita em altos berros, teve por repercussão o dar passagem da parte do colega que nos obstruía o avanço no passeio.
Sorrimos, eu e a minha amiga, e agradecendo continuamos o percurso com comentários acerca do que se tinha passado.
Apesar dos modos, chegamos à conclusão de que só tínhamos dado pelo lado positivo aquilo que o senhor fizera.
Nós, cegos ou pessoas de baixa visão, infelizmente, muitas vezes que nos fazemos acompanhar da nossa amiga bengala, perdemos a nossa identidade. Deixamos de ser a menina, a senhora ou o senhor e passamos a ser o ceguinho ou a ceguinha.
Por muitos palavrões que aquele senhor dissesse, estava muito mais evoluído do que a maioria das pessoas, que se dirigem a nós com boa educação mas com o preconceito a falar mais alto. Mas isso tenho de reconhecer o preconceito e as ideias pré-concebidas que estão enraizadas em todos nós. Pois o meu primeiro comentário acerca do que se tinha passado com a minha amiga foi:
"-De onde menos se espera, vem o bom exemplo."
Os senhores que se encontravam no passeio eram trolhas, classe que nos habituamos a classificar de mal educados e sem maneiras. Isso também é preconceito!
Grata a esse senhor por esta reflexão que me ajuda a retirar algumas ideias pré-concebidas da minha mente.

Com carinho,

Anunciação velho


segunda-feira, 3 de março de 2014

Aliança


“Hoje perdi a minha aliança!”
Ufa !!! Que frase tão assustadora!
Pois é, mas foi o que eu disse hoje de manhã ao olhar para a minha mão…e assustei-me, fiquei triste e estou com a Esperança de a voltar a encontrar.
Mas esta palavra ALIANÇA ficou na minha boca como um “caroço de azeitona” que não paro de saborear nem consigo deitar fora.
Eu não quero perder a minha ALIANÇA.
A minha ALIANÇA é o hoje que construo com o meu marido. É “algo” que não tem tamanho, nem forma, nem peso. Mas sim “algo” que com o tempo vai ganhando HISTÓRIAS.
A minha ALIANÇA é o hoje que construo contigo pois basta existires tu para podermos construir uma ALIANÇA.
Por isso, HOJE, o meu desejo é que saibamos CUIDAR das nossas alianças e tenhamos sempre Esperança nelas. Que saibamos ser amigos e irmãos uns dos outros.Que saibamos sempre Acreditar na ALIANÇA.
Obrigada

Bé