terça-feira, 29 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga...(Parte7)


Já aqui escrevi:
“Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão.”
“Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior.”
 Hoje, quero desenvolver mais um pouco este tema.
 Santo Afonso entendia que o que nos torna ao jeito de Deus é a gratidão.
Deixem-me fazer-vos uma pergunta: quando se sentem amados, do que sentem necessidade? A forma natural de reagir é responder com gratidão, correcto? Tentar corresponder a um amor que sentimos gratuito, que sentimos receber “do nada”.
 Era assim que Santo Afonso entendia a nossa relação com Deus: perante um amor sem limites, só havia uma solução responder “à altura”, apesar de todas as limitações.
 Responder “à altura” é responder de todo o coração, embora não seja possível responder “ao nível de Deus”, que ama infinita e perfeitamente.
 Às vezes, quando se fala de um Deus que ama infinitamente, que não nos compra com favores, nem nos exige sacrifícios ou dá castigos a cumprir, surge o discurso de “Sim, mas…”
 Algo como: “Claro que Deus nos ama, mas como somos cabeça dura, tem de nos impor limites, de pedir sacrifícios, que nos castigar quando é preciso. Ui, se não fosse assim, estávamos perdidos… “
 Santo Afonso diz-nos aquilo que nós sabemos bem das nossas relações humanas, mas que gostamos de complicar quando estamos a falar da nossa relação com Deus: não mudamos por medo, mudamos por amor.
Nada nos muda mais do que o Amor, do que a certeza da confiança que têm em nós, ou muda?
 Bem, deixo-vos a pensar nisso.
 Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 6)


Outro dia, encaminhei uma amiga para estas partilhas que tenho feito aqui no estaminé da Mila.
Essa amiga disse-me que tinha um dom para escrever.
Fiquei a pensar que, podendo ou não existir o dom, há uma coisa que é certa: tenho necessidade de escrever, como forma de partilhar a minha Fé.
Na história da Família Redentorista, a escrita tem sido sempre fundamental. Santo Afonso, o fundador, escreveu mais de 100 livros. Muitos deles foram escritos numa linguagem simples, familiar, próxima, para os humildes.
Os livros eram uma forma de prolongar a missão, de ficar um apoio depois dos missionários terem partido.
No tempo de Santo Afonso, a Itália ainda não era um país, mas uma série de pequenos estados. A língua, portanto, não era comum. A missão de Afonso contribuiu para a unificar, sendo considerado um dos “criadores” da língua italiana.
Na altura de Afonso, era “moderno” distribuir livros.
Hoje, será “moderno” recorrer a blogs e redes sociais para partilharmos a nossa Fé.
Só que o importante, o que verdadeiramente conta, é que a pregação seja fecunda, que marque, que desinstale e, ao mesmo tempo, conforme. O importante na pregação é que seja capaz de anunciar o Amor sem medida de Deus de um jeito familiar.
Numa música que é muito querida aos Redentoristas, diz-se o seguinte daqueles que abraçam esse carisma (ou são abraçados por ele):

“Valentes na Entrega
e dados à Oração,
Humildes na Vida
E Simples na Pregação.”

Hoje, peço a Deus que nos faça assim. Em particular, que nos faça simples na pregação, oral, escrita e com a Vida, porque é a isso que estamos chamados.
Até para a semana.

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…(Parte 5)

Esta é a quinta semana que escrevo sobre “Ser Redentorista” e parece que ainda não disse nada de especial, de distintivo dos Redentoristas.
Há um motivo para isso: os Redentoristas são originais e não originais ao mesmo tempo.
Como assim?

Os Redentoristas não “inventaram” nada, pelo que não são originais.

Pelo contrário, tentam ir à origem do Cristianismo, aos Evangelhos, ao que Jesus fez na Palestina… Logo, vão às origens, sendo, por isso, originais.
Como é que isso toma corpo, se torna concreto?
Uma das formas é ser, de certa forma, “fora da Lei”. Tal como para Jesus, as pessoas têm de ser mais importantes do que qualquer Lei.
Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão. Os confessores “mediam” o arrependimento e avaliavam se cada um merecia ou não ser perdoado. Ora pelo mérito, se formos a ver bem, ninguém lá vai. Por isso, era comum as pessoas saírem sem absolvição.
Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior. Por isso, sempre se recusou a negar a absolvição.
Jesus não era propriamente conhecido pelas boas companhias – deixava-se beijar por prostitutas, jantava em casa de publicanos (cobradores de impostos, que eram muito mal vistos, quer por colaborarem com os romanos, quer por cobrarem mais do que deviam), … - e Santo Afonso também não o foi.
A sua acção missionária (e a dos seus) 0correu junto a condenados à morte e às suas famílias, a prostitutas, a incuráveis, …
Portanto, ser Redentorista torna-se perigoso. Não é coisa que nos possa manter nos lugares do asseio físico e moral.

Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira

terça-feira, 8 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga… (Parte 4)


Há algo que me encanta no Fundador dos Redentoristas e que espero que sempre inspire os seus “filhos”.
Afonso acreditou sempre que só se conseguem “grandes” coisas (daquela grandeza que têm as coisas simples, sabem?) com outros, mas também acreditou sempre que não se pode ficar à espera que os outros sonhem connosco e se ponham a caminho connosco.
Quando se sonha e se acredita num sonho, não se pode ficar à espera que outros sonhem na mesma direcção. Há que ir e esperar que outros se apaixonem pela forma apaixonada como sonhamos. Ou, então, que não se apaixonem pelo sonho que sonhamos, mas ganhem paixão por sonhar os seus próprios sonhos.
Afonso foi assim. Quando fundou a Congregação, estava longe de pensar o que aconteceria nos meses seguintes. O que se passou? Deixem-me pedir palavras emprestadas:
“Mas o começo não poderia ser mais agitado. Os padres discutem entre si pequenos pormenores quanto à vida do Instituto. Todos têm espírito de fundadores. A 28 de Novembro, Afonso faz o voto, no seu diário, de que, aconteça o que acontecer, nunca abandonará o novo Instituto. Proíbe-se a si próprio de colocar dúvidas. Só se Deus lhe pedir para desistir… Mas bem sabemos que Deus nunca brinca connosco, nem é capaz de “voltar atrás”… Na Páscoa de 1733, Afonso será o único que permanece, apenas acompanhado de um irmão, de nome Vito Curzio, que entretanto entrara. Também Jesus fizera essa experiência de abandono, no Getsêmani. Mas isso não o impediria de ir até ao fim, sabendo que sairia vitorioso…

Como é que se desenvolve a vida deste incipiente Instituto, com apenas um padre e um irmão?
Em Scala, estabelece-se o que Afonso chama a “missão permanente”: quando não está fora, Afonso evangeliza os habitantes, cria ritmos de oração, meditação, celebração… Conduz as pessoas a criarem o seu próprio ritmo, e a aldeia depressa se centra na igreja do novo missionário. No jeito próprio de ser da Congregação, os missionários devem estabelecer-se fora das cidades, desenvolvendo um trabalho contínuo de evangelização nos locais. Uma dinâmica extra-ordinária… todos os dias!” (
http://redentorista.blogspot.pt/search/label/Afonso%20de%20Lig%C3%B3rio)
Afonso acredita verdadeiramente na importância de criar Comunidades que caminhem pelo seu pé, como acredita que, para se ir fundar comunidades, se deve ter por trás um suporte comunitário (dizem as Constituições Redentoristas que “A Congregação reúne membros que, vivemos em COMUM, constituem UM SÓ CORPO missionário. A finalidade de toda a obra missionária é SUSCITAR e FORMAR COMUNIDADES tais que levem vida digna da vocação a que foram chamadas.”), mas também acredita que não se pode desistir dos sonhos que sentimos que têm de ser concretizados.
Eu não posso deixar de dar graças por este exemplo do Pai Afonso, que é um chamamento fortíssimo àqueles que se dizem parte da Congregação que fundou.
Até para a semana.


Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Enquanto a Micaela não volta com a parte 4 da sua partilha, proponho-vos a abrir este link e lerem: http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/07/a-unidade-tres-ou-de-preferencia-mais.html

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…


Parte 3

Tinha ficado de partilhar o que me encanta no jeito de ser cristão que os Redentoristas escolheram para si.
No entanto, isso vai ficar para a próxima semana.
Desta vez, tenho de explicar o motivo do meu atraso no post desta semana e, a partir dessa experiência, falar um pouco disso que é ser Redentorista.
No Domingo passado, no Centro de Catequese Santo Afonso (o Centro de Catequese Redentorista do Porto, que tem o nome do fundador da Congregação), organizamos um arraial solidário.
Logo de manhãzinha, já estávamos a servir o pequeno-almoço.
Depois, celebrámos juntos a eucaristia.
Após a eucaristia, houve tempo para teatrices, entrega à Vida Norte de bens comprados com as moedinhas pequeninas (de 1 a 5 cêntimos) que juntámos ao longo do ano, venda de rifas, sorteio de cabazes, carne na brasa, pipocas, algodão doce, UNO, Lotto, …
As vendas foram feitas  recebendo em troca dinheiro e bens. Os bens seguiram para a Chikigentil. O dinheiro para a Vida Norte e para a Casa Jovem da Vitória.
À vinda para casa, pus-me a pensar se aquilo se “encaixava” no tema do nosso ano: celebrar aqui.
Pensando, acho que sim.
Uma das grandes novidades de Santo Afonso, no século XVIII, foi aproximar-se do dia-a-dia das pessoas, quando a maioria dos padres estava lá nos seus púlpitos, bem distante. Santo Afonso usou música (ainda hoje, a música de Natal mais popular é da sua autoria) e foi próximo das tradições populares.
Outra das novidades de Afonso foi um permanente cuidado com aqueles que menos “contavam”.
Nos últimos anos, no Centro de Catequese, temos andado, aos poucos, a mastigar um bocadinho isso: como nos podemos tornar presentes para os que não “contam”.
Uma das vias tem sido ajudar associações que se dedicam a tratar dos mais vulneráveis.
Este ano, para além do apoio regular à Chikigentil, ajudámos a Vida Norte, que apoia mulheres para quem o maior presente na vida (um filho) chegou na “altura errada”, e a Casa Jovem da Vitória, em que se esforçam por capacitar jovens que nasceram num meio complicado.
Acredito que aqui há um dedo de Afonso…

Talvez, no fundo, neste post, haja um pouco do que me encanta na Congregação…

Para a semana há mais…Até já!

Micaela Lemos Madureira