terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Pegadas...

Aquela menina de cabeça baixa que ouvia e calava, que muitos julgaram, gozaram, desvalorizaram, aquela que pisaste e fingiu não sentir, aquela que imaginavas que não seria nada… Hoje cresceu e é mulher!
Essa história de ouvir e calar é passado, hoje essa criança de ontem chegou onde tu não pensavas…
Máscaras não constituem o meu guarda joias, maquilhagem não esconde o meu ser, camuflagem não faz parte do meu guarda-fatos, roupa não me define.
Sou quem sou, sou simplesmente eu!
errei ontem, hoje e tenho certeza que amanha também, não sou perfeita e estou longe de o ser, mas quer saber? Também não quero a perfeição! Adoro aquele churrasco comido a mão, aquele café da aldeia, aqueles risos altos e sem jeito, aquelas “palermices” entre colegas, adoro o que é verdadeiro e simples!
Perfeição é não pisar o risco, é vestir um “modo etiqueta”, é estar vivo e não viver!
Muitos são os que criticam, outros elogiam, uns acreditam no meu caminho, outros duvidam de todos os meus passos. Sou simples, ao mesmo tempo complicada, há aqueles que aguentam e aqueles que odeiam. Não mudo para agradar, mudo para melhorar o meu ser, por isso, lamento se não faço o teu género!
Tenho orgulho em mim, não que seja grande, mas do pouco que sou orgulho-me! Orgulho-me das minhas conquistas, sei o quanto custou cada passo, luto pelos meus objetivos, tenho em mim conquistas e derrotas, já fui forte ao ponto de sorrir enquanto os meus olhos se inundavam, já me esqueci de mim para ficar ao lado de um amigo, já caí e levantei… Mas aquilo que mais orgulho me dá é saber que em cada degrau que subi não pisei ninguém, pelo contrário, na minha caminhada existem grandes momentos e aprendizagens quer com o rico, bem vestido e cheiroso, quer com o pobre, quer com aquele senhor da rua… pois, aparências não me iludem!


Celina Parente 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Poema de Miguel Torga

"Recomeçar

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças..."

(Sugestão da Cidália Castro por estarmos no inicio do advento e no novo ano litúrgico)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A vida como a vejo

A vida…
Em cada fase um olhar e um sentir, em cada passo um caminho a descobrir, uma certeza do ontem e a incerteza do amanhã.
Uma saudade que dói, uma lágrima caída outra presa no olhar, um sorriso, um momento...
Vivemos às vezes apressados no desejo de alcançar grandes coisas, passamos surdos e cegos aos pequenos gestos e às pequenas coisas.
Olhamos para nós, reclamamos do tanto que temos sendo aos nossos olhos insuficiente, choramos tardes inteiras com as nossas dores que às vezes são tão pequenas ao lado das dores de quem nos rodeia.
O tempo passa, algumas vezes sem nos dar-mos conta… até ao momento em que sentimos necessidade de parar e olhar o sol, ver as estrelas, ouvir o mar…
Já olhei a vida vestindo-a de negro, senti o chão fugir-me dos pès, ansiei o impossível, neguei amor verdadeiro e chorei por amor que apenas era parte de mim, já recusei o que amava para aceitar o que os outros amavam, deixei-me para depois, disse não aos meus maiores desejos acreditando na ironia dos outros, já corri em busca de coisas fúteis sem me dar conta de que o tempo passava , cada dia eu era um corpo vagabundo perdendo a cada hora uma letra do meu nome, perdendo-me de mim…
E de tão perdida e estendida no chão, desejei encontrar-me, olhei para mim, para o tempo que passava, abandonei os sapatos velhos e rotos pelo tempo e já gastos pelas pegadas em falso, abandonei os lugares que me fizeram chorar, escrevi outros poemas, recusei fazer do habito um estilo de vida, recusei palavras vazias, sorrisos sem cor, gente passageira, abraços sem força, recusei tudo o que me fazia passar pela vida em vão, tudo o que me afastava de mim.
Levantei-me em gesto sereno, olhei para todos os lados, vi gente, com horas contadas, sorrindo agarradas à vida, crianças que tendo quase nada traziam no rosto sorrisos rasgados, ouvi o mar, vi as estrelas, senti o perfume das flores, ouvi os pássaros cantar, olhei-me de novo e percebi a riqueza que trazia nas mãos e a beleza do meu chão.
Percebi que a vida existe naquilo que nos enche o coração, nos mais singelos gestos, nas mais simples flores, no mais natural perfume, num simples abrir de olhos onde podemos ver o céu e a terra, nas mais pequenas coisas que temos todos os dias mas de tão naturais que são ignoramos-as, nas mais curtas palavras de quem com carinho nos espera para dizer bom dia ou boa noite…
Percebi que a vida nos pode fazer feliz se a souber-mos ver, se soubermos por vezes abrandar o passo, deixar de imaginar o futuro e aproveitar o momento, se entre o passado e o futuro soubermos parar no presente.
Os caminhos da vida são da cor que os pintamos.
Hoje continuo a chorar, a saudade doi, o tempo às vezes magoa, as pessoas desiludem... mas Hoje, mais perto de mim e certa da riqueza possuída, ao meu jeito, eu sou feliz!

 Há sempre alguém
Caminhas sem rumo
Nas encruzilhadas da vida,
De sapatos gastos
Pelas pegadas em falso,
De corpo cansado e 
Rosto molhado,
De pele escaldada pelo sol
E de coração desfeito…
Lembra-te,
Lembra-te que
Há sempre um poema
Para o destino que te trama,
Alguém que te ama
Depois de um erro,
Há sempre alguém 
de braços abertos
Para ouvir o teu sofrer,
há sempre um abrigo
para repousar a alma,
há sempre um raio de sol
em cada lágrima…
não desistas de respirar
não desejes a partida
apenas,
apenas porque não te souberam acolher .
Caminha, 
Sê tu mesmo,
Muda de direção,
Abandona os sapatos
Velhos e rotos marcados pelo tempo
Vem repousar-te,
Chora, grita ou então não digas nada
mas não deixes de respirar !
lembra-te,
há sempre alguém
e se não te lembrares
acredita em ti!
Celina Parente


domingo, 16 de novembro de 2014

Luta

 Não deixes a magoa se instalar… 
Tu és especial, 
Não te esqueças, tu és especial!
Não para todo o mundo,
Mas sim para aqueles de quem és pedaço do seu mundo!

Não permitas que a dor te invada,
Não deixes os teus sonhos adormecer,
Apenas acredita!

Esperança é o caminho para não desistir,
Fé é o caminho para acreditar,
Força é o percurso que nos leva á vitória!

Vai em frente,
Vai em frente mesmo que
O sol queime,
A chuva molhe,
O vento arrefeça,
Mesmo que na plateia te digam não és capaz,
Mesmo que as pedras da calçada se levantem
E te façam tropeçar…
Vai em frente!
Vai sempre em frente!
Mostra o quanto vale uma luta
E mesmo que ninguém saiba o real valor sem preço
Todos irão saber observar a vitória…

O caminho pode não ser o mais plano,
Em cada estrada há uma curva
E em cada curva uma direcção
E em cada direcção um obstáculo…
Dói, cansa, anseia…
Mas vai em frente!
Veste a coragem
Tu chegarás à meta final…
E o final valerá bem mais que o caminho!
Não desistir já é uma conquista
E lutar uma vitória!


Celina Parente


Caminhar descalça (que pode representar a nossa transparência) num caminho de pedras desiguais , pedras da vida, umas que queimam, magoam... outras que acaricia... Mas independentemente do chão, em frente é o caminho.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

AMIZADE


Na amizade podem acontecer maravilhas. Na medida que cada um se dá e partilha o mais intimo de si mesmo, é como a semente que cai em boa terra a qual se pode transformar numa vigorosa planta.
De não esquecermos as intempéries, as ervas daninhas, estas ultimas até têm muitas vezes função acessória e muito importante. Protegem a frágil e tenra plantinha de ventos e tempestades, ajudam-na em momentos que terá de atravessar dificuldades mas não está só, e dão-lhe luta, ajudam-na a fortalecer-se. As ervas daninhas são como um suporte, estaca mas, quantas vezes não lhe competem com o mesmo espaço, alimento, também lhe diminuem a quantidade de sol….e daqui muito podemos aprender…Quantas vezes alguns que são nossos inimigos em momentos até acabam por ser um meio de suporte contra outros inimigos maiores…
É nestas pequenas e grandes lutas, fragilidades que aprendemos a saber em que(m) confiar, aprendermos a discernir, a escolher, a estabelecer limites, a crescer.
A semente pode cair em terra boa mas precisa sempre do TEU cuidado, que cuides dela, do respeito pelo seu ritmo e, não removas a casca a sementinha pois seria como libertares o casulo da lagarta da borboleta.
Cuidar, acompanhar, fazer-se simplesmente presente são muitas das vezes tudo que se precise e nada mais.

Isabel Brandão

domingo, 26 de outubro de 2014

25 anos ACAPO

                                                             (Bolo de aniversário com o Logotipo da ACAPO)


Sendo o meu sentimento de grande gratidão e reconhecimento, não posso deixar de sinalizar aqui esta data tão importante:

"Hoje, dia 20 de outubro de 2014, a ACAPO completa 25 anos de existência. Foi uma longa caminhada.
Desde o início, a ACAPO cresceu e transformou-se. Estamos hoje presente em 13 distritos, contamos com cerca de 3500 associados, diversificámos significativamente as nossas atividades, não só ao nível da Qualidade, da Representação que realizamos, como ao nível dos Serviços de Reabilitação e de Inclusão que prestamos, construímos um património sólido e que nos permite olhar para o futuro com a confiança de quem trabalha com afinco e com os pés bem assentes na terra. A ACAPO é hoje uma instituição com uma imagem forte, sedimentada na seriedade e na credibilidade no trabalho que realiza, tudo isto sem nunca deixar de estar focada na prossecução da sua missão: Representar os direitos e interesses da pessoa com deficiência visual, com vista à sua plena inclusão.
Neste dia tão importante para todos nós, queríamos agradecer por estar connosco ao longo desta caminhada, pelo apoio, pela confiança que depositou no trabalho realizado pela nossa instituição, o qual será a base de tudo o quanto construiremos nos próximos 25 anos e em todos os que se lhes seguirem. Apenas juntos conseguiremos alcançar os nossos objetivos.
A ACAPO somos todos nós. Obrigado por estar connosco."

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Grata pelas tuas/vossas Partilhas


(Imagem de crianças a volta do mundo ( globo terrestre) em símbolo de união)

Aconteceu aí por Maio, onde participei pela primeira vez nas formações propriamente ditas do TE.
Da minha parte têm sido momentos de procura interior a muitas questões que sinto.
Para além da formação sobre a autoestima, conheci novas pessoas que afinal também partilharam questões parecidas com as minhas. Eu enriqueci com as suas partilhas e espero também ter enriquecido com os meus testemunhos, experiências de vida.
Parece que tantas vezes somos tão diferentes uns dos outros, mas afinal partilhamos as mesmas dúvidas, hesitações, inseguranças que afinal também se começam a dissipar na medida que as partilhamos. Começam a deixar de ter importância quando sinto que os demais afinal também convivem com o que parecia só meu. 
A princípio, parece que estamos muito distantes do outro mas afinal não tanto quanto pensamos.
Isso é bom pois aproxima-ME de TI, permite-me que eu esteja mais sensível e me alinhe com o meu rumo de vida.
Bem hajam estimados amigos, estou a gostar muito desta caminhada convosco.

Isabel Brandão

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O Deus que eu acredito



Hoje partilho aqui uma pequena reflexão:

Há dias perguntaram-me se eu acredito em Deus e como posso provar que Ele existe. Eu respondi-lhe: Depende do conceito que faça de Deus: se me perguntar se eu acredito num deus castigador, não acredito; num todo poderoso em obras miraculosas, não acredito;  que nos concede milagres em troca de sacrifícios, não acredito; que gosta de templos luxuosos e muitas rezas, não acredito; que está presente só nas nossas horas mais aflitivas, não acredito…

Acredito sim num Deus Amor,que pode tudo o que pode o Amor,e por isso, só pode o que o Amor pode. Acredito num Deus que liberta e não oprime; que não se preocupa se acreditamos ou não nele,  só quer a nossa felicidade; que nos ama como somos, independentemente dos nossos fracassos; num Deus que não nos substitui, abre-nos  portas, da-nos as possibilidades para fazermos acontecer os milagres em nós mesmos; num Deus que propõe e não impõe... 

É neste Deus que acredito e que gosto e não gosto de mais nenhum.

Se posso provar que Deus existe? Não tenho que provar se Deus existe ou não, nem perco tempo a encontrar resposta para isso. Prefiro dar a provar experiências que façam sentido na minha vida, e que sejam de alguma forma inspiração para outros. 

Um abraço a todos, 
Mila

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fortes na Fé, Alegres na Esperança, Crescidos no Amor!

Hoje ouvi a seguinte frase: “Só de coração cheio seguimos para a frente!”e ISTO tocou-me imenso…
por isso pensei em reflectir AQUI convosco, neste “cantinho” !
O quanto esta frase é verdadeira e tem sentido!
E sabem o que senti ao lê-la? Só um coração cheio é capaz de o dizer!
O que vos parece ser este “Cheio”?
Amor, Fé, Esperança…
Qual o tamanho do privilégio de conhecermos o verdadeiro “testemunho”de cada um destes pilares tão importantes para a nossa construção, para o nosso caminho como SER vivo, como SER humano, como SER irmão!?
É interessante como “A Fé dá motivos à Esperança e o Amor concretiza as duas”.
E é interessante como realmente de coração cheio seguimos para a frente!
Que sejamos capazes de sentir o nosso coração ASSIM, bem cheio, ao ponto de acharmos que vai “explodir”!
Que sejamos capazes de acreditar na nossa VIDA e querer dela o melhor do nosso SER!
Que sejamos capazes de pôr AMOR em TUDO o que dizemos, que fazemos e que queremos.
ACREDITO, que desta forma o coração enche e seguimos para a frente!

SHALOM
                                                  (A imagem descreve um caminho e uma menina a caminhar alegre e contente!)
Bé

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Assertividade e Relações Humanas

O meu feedback acerca do curso de Assertividade e Relações Humanas do Telefone da Esperança (TE)

Já não fazia um curso do Telefone da Esperança há algum tempo e, por isso, assumi este curso como um voltar mais explícito às "cadeiras da escola", como uma tomada de consciência de que se está a caminho, de que eu estou a caminho, do qual já percorri parte mas com muito pela frente (caso tenha essa possibilidade).
Desde o primeiro momento, o próprio título do curso me cativou: Assertividade e Relações Humanas. Gostava de ser assertiva, muito mais assertiva, menos precipitada e impulsiva e isto nas várias relações que estabeleço: com a família (que muitos ataques de impulsividade atura), com os amigos, colegas de trabalho e outros. E por isso, no final do dia 19 rompi com o hábito e fui para o TE.

O curso abordou de forma bastante detalhada os vários tipos de comunicação e, após o preenchimento inicial de um breve questionário, os resultados "vieram à tona". Os meus não foram uma surpresa... 
Apesar de uma atitude maioritariamente assertiva, os ataques de raiva, agressividade e perda de paciência assumiram um papel de destaque. O que fazer agora? 

De acordo com o mencionado no curso, já tenho metade da solução pois tudo começa com uma tomada de consciência. Contudo, o desafio era (e é) passar à prática e isso apenas com o tempo, no contacto com os demais, em diferentes situações e contextos.

Não há fórmulas mágicas e por isso não saí do curso como a pessoa mais assertiva do mundo. Assumo-me, ao invés, como uma aspirante a Assertiva. Emoji

Helena Ribeiro

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

VIVER A VIDA

Olá amigos!
    
Cá estou eu mais uma vez. Lembrei-me de partilhar e reflectir convosco a vida e a forma como a vivemos.
Andava eu, hoje de manhã nas minhas tarefas domésticas (que eu adoro J, mas que também fazem parte da vida, não é verdade?) quando passou na rádio  uma canção (É para amanhã… do grande cantor português de todos os tempos António Variações). Canção esta que apesar de ter por volta de uns trinta anos, adequa-se perfeitamente aos tempos actuais. Esta fez-me pensar na vida.
Na minha vida e na vida dos que me são mais próximos;
Na vida que a sociedade actual cultiva;
Na minha vida passada com todas as suas vivências e todos os seus acontecimentos;
Na minha vida presente, no dia de hoje, nas pessoas que hoje tenho, naquilo que hoje sou capaz de realizar, na vida que hoje posso desfrutar…Porque amanhã não sei o que a vida me reserva, não sei se vou estar cá (eu espero bem que sim, porque eu gosto muito de viver). Amanhã não sei se estarei com as minhas capacidades mentais e físicas actuais, amanhã não sei se as pessoas que amo vão estar comigo.
Por estes motivos e mais alguns, gosto de viver e desfrutar das coisas boas da vida. Não gosto de deixar para amanhã aquilo que posso viver hoje.
Posso dizer-vos que desde que nasci a vida ensinou-me a pensar assim. Desde os tempos de longos internamentos no hospital para Crianças Maria Pia a fazer reabilitação e a lutar pela vida, passando pelos anos em que via os meus pais e irmãos a trabalhar que nem escravos, para amealhar para a velhice e a darem cabo da saúde sem desfrutarem da vida e das coisas boas que ela tem para nos oferecer. Desde que vi o meu irmão desenvolver uma doença incurável, que não mata, mas mói (a ele e à família). Desde que assisti á doença do meu pai (cancro) e consequente partida, desde que vi a minha irmã partir ali ao meu lado, em segundos no corredor de um hospital e sentir a impotência de nada poder fazer. Desde que vejo a tristeza, a saudade e a amargura estampada no rosto da minha mãe, desde que ouço os lamentos repetidos e consecutivos do meu irmão pela doença que tem e não aceita, mas que usa como motivo de chantagem emocional com os outros, principalmente com a minha mãe.
     Desde que tive que encarar de frente a minha limitação visual, aceitar e aprender a viver com ela e com a ideia de que a tendência é piorar. Desde que perdi o trabalho dos meus sonhos (Educadora de Infância) por causa da minha doença. Depois da angústia, da revolta da aceitação e da reabilitação, resolvi VIVER A VIDA. Não a desperdiçar com situações inúteis e agarrar todas as oportunidades que a esta me oferece. Estou sempre atenta e procuro outros caminhos, sim porque sei que estou a começar muita coisa do zero.
Na minha cabeça procuro ter sempre pensamentos positivos. Procuro tirar sentido dos obstáculos e dos momentos difíceis. Aceitar com paciência e resignação todas as provas com que a vida  me confronta. Assumo que por vezes me vou abaixo, mas  com um pequeno impulso, com o apoio, ou a palavra certa de uma pessoa amiga, levanto a cabeça e vou á procura do sentido da minha vida. Sim , porque eu acredito que todos nós temos uma missão, que todos nós passámos pela terra para partilharmos, para sermos solidários, para nos apoiarmos, para vivermos uns com os outros, para sermos felizes. Nesta vida ninguém é cem por cento feliz, apenas vivemos momentos de felicidade, Esses momentos de felicidade apenas depende da forma como encaramos a vida, com tudo o que que ela tem de bom e de menos bom.
Todos nós temos dificuldades e problemas na vida. Por esse motivo, meus amigos, NÃO VAMOS DEIXAR PARA AMANHÃ O QUE PODEMOS VIVER HOJE…

Até breve!!!

Susana Monteiro

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

AMIZADE

A autora deste texto é mais uma preciosa participante no Partilho Contigo. É uma amiga muito querida, conheci-a no Telefone da Esperança e ambas o abraçamos... Obrigada pela tua partilha tão rica de sentido!

Recentemente tenho refletido muito sobre a AMIZADE... Um valor basilar na vida do ser humano.
O que significa amizade? É uma relação afetiva entre duas ou mais pessoas. Ato de AMOR. Dar e receber amor.

Para tal precisamos de nos relacionar. Por de trás da amizade, estão os relacionamentos humanos. E, o ser humano, só se relaciona quando entra em relação com. Por este motivo a amizade requer: admiração, conhecimento mútuo, verdade, respeito (por nos e pelos outros), autenticidade, liberdade, afeto, lealdade, contato, partilha, dar e receber, honestidade...

Vivendo intensamente a amizade tornámos nos melhores pessoas, pois trabalhamos nos constantemente, ampliando a CONSCIÊNCIA, vivendo no dia de hoje, no aqui e agora... percebendo o que queremos e o que os nossos amigos querem. Somos “convidados” a sair da nossa zona de conforto, equilibrando o dar e receber, colocando os limites, dizendo “não”...

Este equilíbrio, esta energia que flui entre amigos é a base para a amizade verdadeira se instalar e crescer, contando não só para os momentos maus, nem só para os momentos bons, e sim para o “dia-a-dia”, para a partilha da vida na sua plenitude... e assim os amigos integram se no conceito de família ampliada.

EQUILIBRIO... Aqui esta o busílis da questão da amizade, para mim claro!...
Para equilibrar, no pensar, sentir e agir,de todos os valores anteriormente referidos, o ser humano necessita de estar emocionalmente equilibrado para ter a paciência e tolerância consigo e com os amigos... e ainda mais, com “aqueles amigos” que estão a distanciar se dos requisitos individuais, que cada um de nos, conscientemente ou inconscientemente, tem sobre a amizade.

Lembremo-nos:
“A verdade é aquela da qual temos consciência.” DeRose

Sinto me grata por ter bons AMIGOS e sinto a minha família a ser ampliada e intensificada J

Beijos com um carinho especial à Mila pela sua enorme paciência, atenção e persistência.

Ana Teresa Ferreira 

sábado, 6 de setembro de 2014

Terapia da sensibilidade

Há acontecimentos que nos irrompem pela rotina dos dias adentro.
Acontecimentos que nos fazem olhar com outros olhos para as coisas simples da vida. Daquelas coisas de que está cheio o nosso dia-a-dia, e nem sequer pensamos nelas, pois as fazemos automaticamente. Andar, sentar na borda da cama, vestir ou tomar banho.
O nosso corpo e o nosso cérebro, habituado às rotinas, vai-nos transformando em pequenas máquinas, mas, como disse, há acontecimentos que nos fazem lembrar que somos um corpo muito frágil, uma pele finíssima que reveste um organismo vivo de órgãos e músculos e nervos. Frágil, frágil! 
Esses acontecimentos, despertam-nos para a sensibilidade, para o carinho, para o cuidado e para a vigilância. Porque é isso que importa! E só por isso, benditos sejam.
E é assim, aprendemos a dar valor ao mais simples da vida... e vamos assim treinando uma maneira mais Humana de ser gente.

Daniel Ferreira no http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/09/terapia-da-sensibilidade.html

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que se lhe diga...(Parte 12)


Hoje, o post é um até já mais prolongado.
Com ele, termino esta série de  posts sobre “Isto de ser Redentorista tem muito que se lhe diga”. Não termino porque não haja mais nada a dizer ou porque já esteja saturada de partilhar convosco o que me vai encantando como Redentorista.
Termino porque, depois de algum tempo a recolhermos dados, a descobrirmos coisas, é necessário um período para assimilarmos, juntarmos tudo, fazermos de ideias e informações aparentemente soltas um todo. É esse exercício que pretendo fazer. Quem se sentir chamado a fazer o mesmo poderá também ficar a ganhar.
 Quero terminar dizendo que espero que, ao longo destes posts, tenham percebido que estes posts não tiveram por intenção ser manifestações de “redentoristite”, nem pretenderam ser uma “angariação de clientes”.
 Espero que, pelo contrário, seja um desafio a que cada um pense a sua forma de ser cristão, a sua forma de ser ateu ou outra qualquer que seja a sua espiritualidade.
 Para mim, o meu caminho de crescimento como pessoa passa por ser cristã. O meu jeito de ser cristã passa por ser redentorista.
Quanto a ser redentorista, há alguns traços que me seduzem mais e que são aqueles que escolhi para partilhar convosco, para que, ao fazer essa partilha, reforçasse o meu compromisso de os enquadrar na minha vida, fazer com que sejam tão naturais que já nem me lembre que, um dia, foram uma escolha. Há umas máquinas nas estações de metro que dizem “É livre quem vive segundo a sua escolha.” Eu acredito nisso!
 Portanto, hoje, quero recordar aquilo que partilhei convosco e que gostava que se notasse na minha vida, ainda que demore a realizá-lo:
  •   Ser redentorista é assumir um jeito especial de ser Igreja;
  •   Ser redentorista é ousar deixar-se pôr em causa e procurar a própria identidade;
  •   Ser redentorista é respeitar as tradições dos outros;
  •   Ser redentorista é fazer-se próximo dos que parecem não contar;
  •   Ser redentorista é acreditar que precisamos dos outros para sermos quem estamos chamados a ser, mas que não devemos deixar de ir pelos caminhos que Deus sonha para nós e connosco só porque nos falta companhia (ou a companhia que esperávamos ter);
  •   Ser redentorista é descobrir novos caminhos de pregação, nunca esquecendo que a simplicidade é importante;
  •   Ser redentorista é aprender a descobrir motivos para a Gratidão;
  •   Ser redentorista é acreditar que só o Amor nos salva;
  •   Ser redentorista é ser inconformado e sonhador, quando tudo convida ao conformismo e à falta de sonho;
  •   Ser redentorista é nunca desistir de discernir o que é isto de ser redentorista;
  •   Ser redentorista é pôr em prática aquilo em que se acredita;
  •   Ser redentorista é aceitar cada um como é e cuidá-lo como se só ele existisse.

 Sabem o que sinto ao ver a listagem acima? Há aqui muitas coisas (se não todas as coisas) que servem para “judeus e gregos, escravos e homens livres”. Não servirá a primeira, porque nem todos queremos descobrir o nosso jeito de sermos Igreja, mas até essa pode ser adaptada. Todos nós queremos descobrir o que temos de especial, a forma como influenciamos o mundo.
 Até qualquer dia.
Micaela Lemos Madureira

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 11)


Hoje, o post é muito simples, mas não pouco desafiante.
Deixo-vos com a Constituição n.º 36 dos Redentoristas:
36.    A comunidade deve promover o desenvolvimento das pessoas, incentivar as relações interpessoais e constituir a verdadeira fraternidade. Isso exige máxima estima pelas pessoas, por seus valores e qualidades, e que se favoreça o crescimento da maturidade e da responsabilidade de todos os confrades, dando-lhes oportunidade de tomar decisões pessoais.
Pronto, hoje é “só” isto.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Iste de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 10)

Ser Redentorista é estar onde faz falta e pôr os últimos em primeir0.
Por isso, hoje, quero partilhar um apelo Arcebispo de Erbil, na região do Kurdistão do Iraque, que é Missionário Redentorista, que vi partilhada por um outro Missionário Redentorista, o Pe. Rui Santiago.
“Queridos Irmãos em Cristo
Como vocês certamente sabem por meio dos relatos da mídia, na cidade de Mosul, no norte do Iraque, foi tomada pelas milícias dos fanáticos e perseguiram os cristãos de modo que a comunidade cristã de Mosul e das aldeias periféricas foram dispersadas. A maioria deles se refugiou na nossa Diocese e, assim, mais de mil famílias na região de Mosul estão agora Ankawa, pedindo abrigo e proteção. Acolhemos esses irmãos e irmãs tão bem quanto possível. Muitas de nossas famílias partilham as casas com os parentes que escaparam da violência, enquanto outras pessoas estão espalhadas na região. Nos últimos dias, a direção curda de Imigração está utilizando as instalações da Arquidiocese para o registro de pedidos de residência nas províncias cursas.

As comunidades que permanecem nas proximidades de Mosul estão aguardando para as próximas semanas , novas ameaças à sua segurança. A escassez de água, de comida e de eletricidade agrava a situação. Nosso compromisso forte é satisfazer as necessidades imediatas desses “novos membros” da nossa comunidade de refugiados e vai durar um longo tempo.

Estou me dirigindo a vocês, meus irmãos e irmãs da congregação, com um pedido de doações generosas que nos ajudarão a aliviar o sofrimento; seus dons nos ajudarão fornecer alimentos, produtos para casa, produtos de higiene necessários para garantir o essencial.

Muitos de nós já vivemos há alguns anos na Arquidiocese de Erbil e percebemos que as famílias dos refugiados estão resistindo, por enquanto. Como comunidade cristã estamos sofrendo juntos, e tentamos nos preparar para acompanhar essas pessoas por um longo periodo. Tanto para as nossas famílias que emigram como para aquelas que permanecem no Iraque, a nossa preocupação atual é o seu bem-estar, alem de esperar e rezar pela estabilidade e a paz de Cristo.

Aqueles que optam por ficar no Iraque fazem isso porque amam sua terra e acreditam que há um futuro para nós. A estabilidade é vital para a nossa sobrevivência, bem como a educação e o trabalho. Todos nós estamos empenhados em fazer a nossa parte para alcançar uma paz duradoura em uma sociedade justa e pluralista. Seu gesto de caridade irá desempenhar um papel-chave que nos permite começar de novo.

Obrigado por ouvir esse meu apelo pessoal.

Em Cristo, o Redentor,
Bashar M. WARDA CSsR
Arcebispo caldeu de Erbil
Residente de Ainkawa.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………
Não podemos juntar as nossas mãos em oração sem estarmos disponíveis a abri-las à partilha com os nossos irmãos e irmãs no que for possível. Aqueles que puderem ajudar a comunidade católica de refugiados na Arquidiocese de Erbil podem enviar o dinheiro para as seguintes contas bancárias:

Nome do banco: BANCO IBL SAL
Endereço do Banco: Erbil RAMO, AL DAR BUILDING HANDASSA, Ankawa ROAD, Bakhtiyari, ERBIL- IRAQUE
S.W.I.F.T. – BIC: INLELBBE
Código IBAN: LB20 0052 0067 0025 7608 0039 2012
Rubrica: CALDEU Arquidiocese de Erbil
Conta no .: 0850023010857373015
Endereço do titular da conta: IRAQUE-Erbil – Ankawa SECTOR, PO BOX 981/60

ou depositar
em nome da Congregação Redentorista, inserindo no motivo da transferência bancária o seguinte: “Para o Iraque”

A conta é a seguinte:

Banca PopolarediSondrio
Títular:
CASA GERAL DA CONGREGAÇÃO SS.REDENTORE
IBAN:
IT12 D056 9603 2000 0000 3832 X59
Branch:
054 ROMA – AG. 11
BIC / SWIFT:
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Quem puder ajudar e do longe fazer perto, quem puder pôr os últimos em primeiro, tem aqui uma hipótese.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 9)


Hoje, quero partilhar um textinho sobre Clemente Hofbauer, que foi o grande responsável por a congregação ultrapassar as fronteiras de Itália.
Logo no início de “Clemente Hofbauer – um apóstolo incansável”, escrito pelo Padre João Manso, lê-se sobre esse Redentorista:
“Tenta radicar-se em Viena, mas os condicionalismos políticos são desfavoráveis para o trabalho apostólico e vê-se obrigado a partir para a Polónia.
Percebe bem as necessidades do seu tempo, correspondendo-lhe com novas formas de apostolado.
Mas vê-se continuamente desalojado por guerras e perseguições sucessivas.
Homem de fé persistente, não desanima.
Sempre inconformado, quando não pode trabalhar num lado, vai para outro, e consegue desenvolver um trabalho adaptado, imaginativo, mesmo pioneiro, como é caso da sua acção com os jovens, nomeadamente os estudantes e os professores.”
É assim que, como redentoristas estamos chamados a ser: atentos aos sinais dos tempos e capazes de discernir a melhor forma de anunciar o Evangelho, isto é, de ser boa notícia e de dar boas notícias.
Nas constituições redentoristas, há diversos pontos em que é notório esse chamamento, essa obrigação.
Podia pôr aqui diversos exemplos, mas, hoje, quero salientar estas duas:
8.      Procurarão assiduamente discernir, conforme as circunstâncias, o que fazer ou o que dizer: se proclamar Cristo explicitamente ou, pelo menos, com o testemunho tácito de presença fraterna.
9.      Se as circunstâncias forem tais que alguma vez não haja possibilidade de propor, direta e imediatamente o Evangelho ou de anunciá-lo de modo pleno, devem os missionários, com paciência, prudência e grande confiança, dar testemunho da caridade de Cristo e, na medida do possível, fazer-se próximos de cada homem. Essa manifestação de caridade se fará pela oração, pelo sincero serviço prestado aos outros e pelo testemunho de vida, qualquer que seja sua modalidade.

Fica o desafio?

Micaela Lemos Madureira

domingo, 3 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... Parte 8


Na última sexta-feira, foi dia de Santo Afonso, o Fundador dos Redentoristas.
Ao pensar na sua vida, penso sempre o quanto ela foi fecunda, na forma como deu frutos.
Um dia, Jesus disse que era a videira e nós os ramos. Sem dúvida, há ramos que se carregam de frutos. Santo Afonso foi desses.
Ser Redentorista também é isso: levar muito a sério o chamamento permanente a que sejamos fecundos.
Por isso, hoje, faço silêncio, para dar a outro a possibilidade de falar sobre o nosso Afonso.
Abaixo, um texto publicado pelo Missionário Redentorista Rui Santiago publicado no dia de Santo Afonso:

“Ele há gente cuja vida é muita gente! Fazem parte da nossa História pessoas que procuraram com tanto afinco aquilo que não se esgota que até os dias que viveram deixam de caber nas costuras dos nossos calendários. Há quem deixe de herança dinheiro e terras e casas... E são demais as histórias que tenho visto de heranças destas que provocam rupturas e divisões e zangas. Há outra gente que deixa de herança uma paixão! Esses - já vi eu! - deixam por herdo um lugar comum, um ponto de encontro entre muitos que ficariam para sempre desconhecidos se não se descobrissem herdeiros comuns de tal tesouro. Há heranças que separam irmãos de berço e há outras, mais bonitas, queirmanam para sempre desconhecidos.

Ele há gente cuja vida é uma praça aberta, imensa, lugar de chegada e de partida de tanta outra gente, território de comunhão e encontro, descanso no Espírito e inquietação Evangélica... Outros fazem apenas da vida uma espécie de lugarejos isolados, becos sem saída, onde ninguém se encontra com ninguém. Esses, quando acabam de morrer, morrem de vez. Mas há os que fazem da vida praças largas, vidas desfronteiradas. Esses são os que fazem divertidos manguitos à morte e acenam, cheios de Graça, do lado sempre eterno da Vida, da Alegria e da Esperança, como quem conVida. 
 1 de Agosto
Memória de Afonso de Ligório,
Homem de Deus,

Fundador dos Missionários Redentoristas”

Micaela Lemos Madureira

terça-feira, 29 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga...(Parte7)


Já aqui escrevi:
“Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão.”
“Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior.”
 Hoje, quero desenvolver mais um pouco este tema.
 Santo Afonso entendia que o que nos torna ao jeito de Deus é a gratidão.
Deixem-me fazer-vos uma pergunta: quando se sentem amados, do que sentem necessidade? A forma natural de reagir é responder com gratidão, correcto? Tentar corresponder a um amor que sentimos gratuito, que sentimos receber “do nada”.
 Era assim que Santo Afonso entendia a nossa relação com Deus: perante um amor sem limites, só havia uma solução responder “à altura”, apesar de todas as limitações.
 Responder “à altura” é responder de todo o coração, embora não seja possível responder “ao nível de Deus”, que ama infinita e perfeitamente.
 Às vezes, quando se fala de um Deus que ama infinitamente, que não nos compra com favores, nem nos exige sacrifícios ou dá castigos a cumprir, surge o discurso de “Sim, mas…”
 Algo como: “Claro que Deus nos ama, mas como somos cabeça dura, tem de nos impor limites, de pedir sacrifícios, que nos castigar quando é preciso. Ui, se não fosse assim, estávamos perdidos… “
 Santo Afonso diz-nos aquilo que nós sabemos bem das nossas relações humanas, mas que gostamos de complicar quando estamos a falar da nossa relação com Deus: não mudamos por medo, mudamos por amor.
Nada nos muda mais do que o Amor, do que a certeza da confiança que têm em nós, ou muda?
 Bem, deixo-vos a pensar nisso.
 Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 6)


Outro dia, encaminhei uma amiga para estas partilhas que tenho feito aqui no estaminé da Mila.
Essa amiga disse-me que tinha um dom para escrever.
Fiquei a pensar que, podendo ou não existir o dom, há uma coisa que é certa: tenho necessidade de escrever, como forma de partilhar a minha Fé.
Na história da Família Redentorista, a escrita tem sido sempre fundamental. Santo Afonso, o fundador, escreveu mais de 100 livros. Muitos deles foram escritos numa linguagem simples, familiar, próxima, para os humildes.
Os livros eram uma forma de prolongar a missão, de ficar um apoio depois dos missionários terem partido.
No tempo de Santo Afonso, a Itália ainda não era um país, mas uma série de pequenos estados. A língua, portanto, não era comum. A missão de Afonso contribuiu para a unificar, sendo considerado um dos “criadores” da língua italiana.
Na altura de Afonso, era “moderno” distribuir livros.
Hoje, será “moderno” recorrer a blogs e redes sociais para partilharmos a nossa Fé.
Só que o importante, o que verdadeiramente conta, é que a pregação seja fecunda, que marque, que desinstale e, ao mesmo tempo, conforme. O importante na pregação é que seja capaz de anunciar o Amor sem medida de Deus de um jeito familiar.
Numa música que é muito querida aos Redentoristas, diz-se o seguinte daqueles que abraçam esse carisma (ou são abraçados por ele):

“Valentes na Entrega
e dados à Oração,
Humildes na Vida
E Simples na Pregação.”

Hoje, peço a Deus que nos faça assim. Em particular, que nos faça simples na pregação, oral, escrita e com a Vida, porque é a isso que estamos chamados.
Até para a semana.

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…(Parte 5)

Esta é a quinta semana que escrevo sobre “Ser Redentorista” e parece que ainda não disse nada de especial, de distintivo dos Redentoristas.
Há um motivo para isso: os Redentoristas são originais e não originais ao mesmo tempo.
Como assim?

Os Redentoristas não “inventaram” nada, pelo que não são originais.

Pelo contrário, tentam ir à origem do Cristianismo, aos Evangelhos, ao que Jesus fez na Palestina… Logo, vão às origens, sendo, por isso, originais.
Como é que isso toma corpo, se torna concreto?
Uma das formas é ser, de certa forma, “fora da Lei”. Tal como para Jesus, as pessoas têm de ser mais importantes do que qualquer Lei.
Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão. Os confessores “mediam” o arrependimento e avaliavam se cada um merecia ou não ser perdoado. Ora pelo mérito, se formos a ver bem, ninguém lá vai. Por isso, era comum as pessoas saírem sem absolvição.
Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior. Por isso, sempre se recusou a negar a absolvição.
Jesus não era propriamente conhecido pelas boas companhias – deixava-se beijar por prostitutas, jantava em casa de publicanos (cobradores de impostos, que eram muito mal vistos, quer por colaborarem com os romanos, quer por cobrarem mais do que deviam), … - e Santo Afonso também não o foi.
A sua acção missionária (e a dos seus) 0correu junto a condenados à morte e às suas famílias, a prostitutas, a incuráveis, …
Portanto, ser Redentorista torna-se perigoso. Não é coisa que nos possa manter nos lugares do asseio físico e moral.

Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira