segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A vida como a vejo

A vida…
Em cada fase um olhar e um sentir, em cada passo um caminho a descobrir, uma certeza do ontem e a incerteza do amanhã.
Uma saudade que dói, uma lágrima caída outra presa no olhar, um sorriso, um momento...
Vivemos às vezes apressados no desejo de alcançar grandes coisas, passamos surdos e cegos aos pequenos gestos e às pequenas coisas.
Olhamos para nós, reclamamos do tanto que temos sendo aos nossos olhos insuficiente, choramos tardes inteiras com as nossas dores que às vezes são tão pequenas ao lado das dores de quem nos rodeia.
O tempo passa, algumas vezes sem nos dar-mos conta… até ao momento em que sentimos necessidade de parar e olhar o sol, ver as estrelas, ouvir o mar…
Já olhei a vida vestindo-a de negro, senti o chão fugir-me dos pès, ansiei o impossível, neguei amor verdadeiro e chorei por amor que apenas era parte de mim, já recusei o que amava para aceitar o que os outros amavam, deixei-me para depois, disse não aos meus maiores desejos acreditando na ironia dos outros, já corri em busca de coisas fúteis sem me dar conta de que o tempo passava , cada dia eu era um corpo vagabundo perdendo a cada hora uma letra do meu nome, perdendo-me de mim…
E de tão perdida e estendida no chão, desejei encontrar-me, olhei para mim, para o tempo que passava, abandonei os sapatos velhos e rotos pelo tempo e já gastos pelas pegadas em falso, abandonei os lugares que me fizeram chorar, escrevi outros poemas, recusei fazer do habito um estilo de vida, recusei palavras vazias, sorrisos sem cor, gente passageira, abraços sem força, recusei tudo o que me fazia passar pela vida em vão, tudo o que me afastava de mim.
Levantei-me em gesto sereno, olhei para todos os lados, vi gente, com horas contadas, sorrindo agarradas à vida, crianças que tendo quase nada traziam no rosto sorrisos rasgados, ouvi o mar, vi as estrelas, senti o perfume das flores, ouvi os pássaros cantar, olhei-me de novo e percebi a riqueza que trazia nas mãos e a beleza do meu chão.
Percebi que a vida existe naquilo que nos enche o coração, nos mais singelos gestos, nas mais simples flores, no mais natural perfume, num simples abrir de olhos onde podemos ver o céu e a terra, nas mais pequenas coisas que temos todos os dias mas de tão naturais que são ignoramos-as, nas mais curtas palavras de quem com carinho nos espera para dizer bom dia ou boa noite…
Percebi que a vida nos pode fazer feliz se a souber-mos ver, se soubermos por vezes abrandar o passo, deixar de imaginar o futuro e aproveitar o momento, se entre o passado e o futuro soubermos parar no presente.
Os caminhos da vida são da cor que os pintamos.
Hoje continuo a chorar, a saudade doi, o tempo às vezes magoa, as pessoas desiludem... mas Hoje, mais perto de mim e certa da riqueza possuída, ao meu jeito, eu sou feliz!

 Há sempre alguém
Caminhas sem rumo
Nas encruzilhadas da vida,
De sapatos gastos
Pelas pegadas em falso,
De corpo cansado e 
Rosto molhado,
De pele escaldada pelo sol
E de coração desfeito…
Lembra-te,
Lembra-te que
Há sempre um poema
Para o destino que te trama,
Alguém que te ama
Depois de um erro,
Há sempre alguém 
de braços abertos
Para ouvir o teu sofrer,
há sempre um abrigo
para repousar a alma,
há sempre um raio de sol
em cada lágrima…
não desistas de respirar
não desejes a partida
apenas,
apenas porque não te souberam acolher .
Caminha, 
Sê tu mesmo,
Muda de direção,
Abandona os sapatos
Velhos e rotos marcados pelo tempo
Vem repousar-te,
Chora, grita ou então não digas nada
mas não deixes de respirar !
lembra-te,
há sempre alguém
e se não te lembrares
acredita em ti!
Celina Parente


Sem comentários: