Bom dia pela última vez esta semana…
Hoje estou a lutar, estou a fazer
reabilitação, estou a renascer e a reaprender a lidar comigo e com os outros
perante a minha condição. Estou a aprender a aceitar; estou a procurar e a
lutar pelo meu trabalho. Por um trabalho diferente do que eu fazia, mas um
trabalho que me realize e em que me sinta bem; que me motive a sair todos os
dias de casa, por me saber verdadeiramente incluída.)
Estou a
lutar para me incluir na sociedade, mas também preciso que a sociedade, que somos
todos nós, a minha entidade patronal, que é o Estado, seja capaz de me oferecer
condições. De adaptar o meu local de trabalho às minhas necessidades.
Nestes últimos tempos tem sido a minha luta,
porque depois de ter entrado no processo de reconversão fui deslocada para uma
escola a mais ou menos 90 km de casa. Será esta a inclusão que a minha entidade
patronal quer promover?! Não deveria ser o Estado o primeiro a dar o exemplo?
Afinal na lei os deficientes têm os seus direitos, mas na prática acabámos por
cair numa teia de confusões, complicações, incongruências e burocracias para as
quais temos dificuldades em encontrar soluções. Na verdade, às
vezes interrogo-me se isto não acontece para nos obrigar a desistir e rescindir
o contrato com o Estado… Afinal estamos em plena crise, refundação social que
serve de desculpa para as atitudes que o nosso governo resolve tomar… Mas isto
são apenas os meus pensamentos. Sinto-me presa numa encruzilhada; estou à
procura de soluções, mas não quero viver angustiada.Quero ser feliz. Sei que
ainda tenho muitas lutas pela frente mas estou a lutar por essa felicidade.
Estou a reunir forças, condições
físicas e emocionais, estou a ganhar autonomia e independência, vontade de
viver, de desfrutar das coisas boas da vida e não pensar muito seriamente no
dia de amanhã. Hoje o meu lema é um dia de cada vez; e quando as situações boas
ou más chegam ALGUÉM nos dá força para lidar com elas. ALGUÉM nos dá a
capacidade de trilhar caminhos… por mais sinuosos que sejam. Acreditem…
Finalmente este texto chegou ao fim.
Não foi minha intenção “usar-vos” como meros leitores da minha história, mas
sim tentar despertar consciências, abrir os nossos corações para este tipo de
situações que todos os dias acontecem. E um dia também podem bater à nossa
porta.
Uma pequena curiosidade; tendo em
conta a minha baixa visão, com as aulas de informática na ACAPO, hoje já sou
capaz de escrever os meus textos utilizando o JAWS. Um software de ajuda aos
cegos e ambliopes, recorrendo ás técnicas que a Anunciação Velho descreve no
texto “Como escreve e lê um cego” publicado no Blog Partilho Contigo no dia 20
de Janeiro de 2014. Para mim tem sido uma grande conquista, principalmente no
que diz respeito à autonomia e autoconfiança.
Até breve!!!!

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