quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

(4ª parte do texto da Susana)


Bom dia, cá estou de novo para dar continuidade a esta história que partilho convosco.

Nos últimos dois/três anos de trabalho fui perdendo visão. Nunca o omiti à minha entidade laboral. As escolas por onde fui passando deram-me apoio dentro das suas capacidades; as colegas foram acessíveis e compreensivas. Mas no último ano as coisas não correram assim tão bem. A Direcção do AGRUPAMENTO DE ESCOLAS onde fiquei colocada mostrou-se incapaz de me acolher e de lidar com todas as minhas limitações físicas. A primeira atitude foi a de me responsabilizar por qualquer situação negativa que pudesse acontecer na sala. Depois tentaram por os pais contra mim,(informando-os que a educadora dos seus filhos era praticamente cega. Penso que pretendiam lançar a insegurança e o descrédito nos mesmos pela realização do meu trabalho e das minhas capacidades o que não resultou. Estes foram mais conscientes e sensíveis do que aqueles que promovem a Educação e que deveriam promover a dita integração, DESCULPEM a inclusão. 
Durante o tempo que estive nesta escola experimentei que era um problema; senti-me sozinha numa luta por um direito meu: trabalhar e realizar-me, humana e profissionalmente.
Perante a realização positiva o do meu trabalho e a satisfação dos pais, pelo mesmo que fui capaz de realizar com os seus filhos (crianças de dois e três anos) ao longo de três meses, SENTI A DISCRIMINAÇÃO.À excepção de algumas colegas que me iam dando força e algum apoio,para outras eu era uma coitada com uma deficiência motora e uma deficiência visual.Vivi sob olhares da pena e do descrédito e a manifestação do incómodo das pessoas perante a minha presença.  Ao viver todas estas situações, experimentei um turbilhão de sentimentos que passaram pela  revolta, a  incapacidade/força para lutar, a solidão, a angustia, a incompreensão entre outras…
Pessoas com problemas graves de saúde têm que lutar/trabalhar o dobro para mostrarem o que vale e do que são capazes. Têm que ter força de vontade para mostrarem que, na maior parte das vezes, as limitações estão na cabeça de cada um, no julgamento que as pessoas fazem do outro sem o conhecer.
Senti uma série de pressões psicológicas contra as quais não fui capaz de lutar, talvez por não ter conhecimento de como me defender,. Não encontrar naquela altura as ajudas adequadas Acabei por ceder. Fui chamada a uma Junta Médica da DREN e deram-me como incapaz para o exercício das funções docentes. A minha carreira como Educadora acabou ali, a 28 de Outubro de 2011. Depois desta decisão entrei num processo de reconversão da carreira e corro o risco de cair na mobilidade especial
Depois de entrar no processo de reconversão, a proposta inicial da entidade patronal da altura era realizar seis horas diárias em frente a um computador, sem preparação e sem equipamentos adequados à minha situação, só porque outras colegas que se encontravam na mesma situação profissional, por outros motivos de saúde, também realizavam essas tarefas. Recusei, porque no meu ponto de vista se não tinha capacidade para realizar funções docentes, a minha doença também não me permitia passar tantas horas em frente a um computador que não estava adaptado, e para o qual eu ainda não tinha formação para o fazer.
Segundo a lei da reconversão, o local de trabalho e as condições devem ser adequadas e adaptadas às capacidades e limitações de cada um. Assim,tendo em conta a minha posição mudaram-me para outra escola pertencente ao mesmo agrupamento e puseram-me a atender telefones.
Senti-me desolada, depois de tantos anos de luta e de esforço para ser aquilo que gostava: Educadora de Infância. Acabei aquele ano lectivo a atender telefones, esperando que o tempo passasse para poder ir para casa e chorar, chorar até à exaustão. Até adormecer e acordar no outro dia sem vontade de enfrentar o mundo. Sem saber o que fazer à minha vida. Sem saber que sentido tinha a minha vida. A nível profissional aquele ano foi para esquecer. Recolhi-me no meu mundo, procurando respostas. Ano e meio em casa entre cirurgias e recuperações, à espera de uma solução para mim.
CONTINUA (…)
É só mais um dia… Até amanhã!
                                                               Susana Monteiro 

1 comentário:

César Magalhães disse...

Tudo isto foi realidade por também vivi está situação por perto,cada dia que passa agradeço a Deus por te por no meu caminho,uma Mulher com grande coragem e Lutadora.PARABÉNS e continua assim que podes um dia ganhar o Prémio Nobel da Literatura:)bjs de alguém que te Ama