Bom dia, cá estou de novo para dar
continuidade a esta história que partilho convosco.
Nos últimos dois/três anos de
trabalho fui perdendo visão. Nunca o omiti à minha entidade laboral. As escolas
por onde fui passando deram-me apoio dentro das suas capacidades; as colegas
foram acessíveis e compreensivas. Mas no último ano as coisas não correram
assim tão bem. A Direcção do AGRUPAMENTO DE ESCOLAS onde fiquei colocada
mostrou-se incapaz de me acolher e de lidar com todas as minhas limitações físicas. A primeira atitude foi a de
me responsabilizar por qualquer situação negativa que pudesse acontecer na
sala. Depois tentaram por os pais contra mim,(informando-os que a educadora dos
seus filhos era praticamente cega. Penso que pretendiam lançar a insegurança e
o descrédito nos mesmos pela realização do meu trabalho e das minhas
capacidades o que não resultou. Estes foram mais conscientes e sensíveis do que
aqueles que promovem a Educação e que deveriam promover a dita integração,
DESCULPEM a inclusão.
Durante o tempo que estive nesta escola experimentei que era um
problema; senti-me sozinha numa luta por um direito meu: trabalhar e realizar-me,
humana e profissionalmente.
Perante a realização positiva o do
meu trabalho e a satisfação dos pais, pelo mesmo que fui capaz de realizar com
os seus filhos (crianças de dois e três anos) ao longo de três meses, SENTI A
DISCRIMINAÇÃO.À excepção de algumas colegas que me iam dando força e algum
apoio,para outras eu era uma coitada com uma deficiência motora e uma
deficiência visual.Vivi sob olhares da pena e do descrédito e a manifestação do
incómodo das pessoas perante a minha presença.
Ao viver todas estas situações, experimentei um turbilhão de sentimentos
que passaram pela revolta, a incapacidade/força para lutar, a solidão, a
angustia, a incompreensão entre outras…
Pessoas com problemas graves de saúde
têm que lutar/trabalhar o dobro para mostrarem o que vale e do que são capazes.
Têm que ter força de vontade para mostrarem que, na maior parte das vezes, as
limitações estão na cabeça de cada um, no julgamento que as pessoas fazem do
outro sem o conhecer.
Senti
uma série de pressões psicológicas contra as quais não fui capaz de lutar,
talvez por não ter conhecimento de como me defender,. Não encontrar naquela
altura as ajudas adequadas Acabei por ceder. Fui chamada a uma Junta Médica da
DREN e deram-me como incapaz para o
exercício das funções docentes. A minha carreira como Educadora acabou ali,
a 28 de Outubro de 2011. Depois desta decisão entrei num processo de
reconversão da carreira e corro o risco de cair na mobilidade especial
Depois de entrar no processo de
reconversão, a proposta inicial da entidade patronal da altura era realizar
seis horas diárias em frente a um computador, sem preparação e sem equipamentos
adequados à minha situação, só porque outras colegas que se encontravam na
mesma situação profissional, por outros motivos de saúde, também realizavam
essas tarefas. Recusei, porque no meu ponto de vista se não tinha capacidade
para realizar funções docentes, a minha doença também não me permitia passar
tantas horas em frente a um computador que não estava adaptado, e para o qual
eu ainda não tinha formação para o fazer.
Segundo
a lei da reconversão, o local de trabalho e as condições devem ser adequadas e
adaptadas às capacidades e limitações de cada um. Assim,tendo em conta a minha
posição mudaram-me para outra escola pertencente ao mesmo agrupamento e
puseram-me a atender telefones.
Senti-me
desolada, depois de tantos anos de luta e de esforço para ser aquilo que
gostava: Educadora de Infância. Acabei aquele ano lectivo a atender telefones,
esperando que o tempo passasse para poder ir para casa e chorar, chorar até à
exaustão. Até adormecer e acordar no outro dia sem vontade de enfrentar o
mundo. Sem saber o que fazer à minha vida. Sem saber que sentido tinha a minha
vida. A nível profissional aquele ano foi para esquecer. Recolhi-me no meu
mundo, procurando respostas. Ano e meio em casa entre cirurgias e recuperações,
à espera de uma solução para mim.
CONTINUA (…)
É só mais um
dia… Até amanhã!
1 comentário:
Tudo isto foi realidade por também vivi está situação por perto,cada dia que passa agradeço a Deus por te por no meu caminho,uma Mulher com grande coragem e Lutadora.PARABÉNS e continua assim que podes um dia ganhar o Prémio Nobel da Literatura:)bjs de alguém que te Ama
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