segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Um sentido na poesia



Foi precisamente há dois anos que plantámos a poesia na ACAPO. Pela nossa mão semeámos e cultivámos um caminho que agora culmina nesta antologia de poemas inéditos. Todos os poemas foram escritos por alguns dos muitos participantes que iluminaram as nossas sessões de poesia. Porquê? Porque a poesia tem todos os sentidos. É uma arte completa, esculpida na praça dos papéis, nas ruas das linhas, nas avenidas das frases.
Todos os sentidos têm poesia. A magia do toque, o doce do paladar, a melodia da audição.
Há um sentido que, porém, combina toda esta magia-doce-melodia da poesia. A visão.
Um poema pode ser lido na escuridão dos olhos, sob o olhar atento dos dedos.
Ainda assim todos o entendem. Todos o elevam. Todos o gritam.
A ACAPO do Porto abriu as portas para que a poesia pudesse tocar em todos aqueles que vieram ao nosso encontro e compartilharam em cada sessão a magia de cada poema lido com o sentido do toque que delineava cada frase e cada palavra. Em conjunto escrevemos um só poema: o poema da amizade e da inclusão.
A todos os participantes neste projeto, o nosso agradecimento, pela partilha de sentimentos que fica bem patente nos textos selecionados.

Se pretender fazer parte destas noites informais de poesia, a próxima sessão será no dia 10 de janeiro pelas 21 Horas, sob o tema “Despertar“.

Anunciação Velho


Nota: O livro encontra-se à venda na Delegação do Porto da ACAPO, Rua do Bonfim, 215, ou pelo 934023383, a negro e a Braille, pelo preço simbólico de 5 Euros. Todos os recibos serão emitidos como donativo e são dedutíveis no IRS.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

UM NATAL COM SAUDADE


A saudade é uma palavra tão portuguesa e que define um sentimento tão presente
no nosso coração. Todo o ser humano com coração já sentiu saudades: saudadesde um lugar, da nossa infância, de um sabor (como os biscoitos da avó), de um aroma como o cheiro da comida da mãe... Podemos sentir saudades de tudo o que se relaciona com as nossas vivências e recordações mais felizes. Temos saudades de pessoas, de família, deamigos, de momentos, de sabores, etc.
Esta época que vivemos, o Natal, é muito feito de encontros, de partilha, de amor, de comunhão familiar. As famílias juntam-se, partilham e recordam com saudade vidas vividas, momentos importantes, histórias engraçadas. Devemos vivê-lo com o mais profundo dos sentimentos, devemos partilhá-lo com quem mais gostámos, sem reservas, sem medos, sem sentimentos negativos porque nunca sabemos quando é o último ou quando nos vai faltar alguém.
Ainda recordo com saudade os Natais da minha infância, em que não tinha noção darealidade, da responsabilidade e da dureza da vida. Eram Natais mágicos, não só pela ilusão da chegada do Pai Natal ou do Menino Jesus, mas também pelos momentos vividos na presença de toda a família. A minha mãe preparava aquela noite com todo o amor e cuidado. Dias antes escolhíamos o melhor pinheiro da mata e colhíamos o musgo mais fofinho e verdejante. Eu e os meus irmãos chegávamos a casa excitadíssimos e íamos logo buscar as caixas onde se guardavam as decorações de Natal e o presépio. Fazer estas decorações em conjunto era um momento muito especial. O meu pai que era uma pessoa mais racional e dedicada ao trabalho, nesta época ocupava-se de comprar o melhor bacalhau e de escolher a melhor lenha para a fogueira daquela noite. Era uma fogueira especial. Sentávamos ao seu redor a recordar e a ouvir histórias de outros tempos contadas pelos meus pais e avós. A minha mãe e a minha irmã, seis anos mais velha do que eu tratavam dos doces e do jantar. O meu pai descascava nozes e pinhões. Eu e o meu irmão andávamos por ali em pulgas com a chegada do Pai Natal.
Mas os anos foram passando e as pessoas foram faltando. Primeiro os meus avós, alguns anos mais tarde, em 2005, o meu pai. Este ano o meu Natal e o da minha família vai ser diferente, mais uma vez falta alguém. Alguém que partiu a 28 de Maio deste ano e que deixou muita saudade. Tenho saudade da minha irmã Lena. Está a ser uma época de coração muito apertado. Vai ser um dia muito difícil, mas vamos ter que o viver. Nestas alturas vivemos tudo mais intensamente e a falta da presença de alguém que a gente gosta vem trazer-nos muitas recordações. Recordo com saudade as brincadeiras na infância, recordo as brigas de irmãs, recordo as preocupações mútuas, recordo as horas ao telefone a desabafar as nossas vidas , recordo o seu sorriso, recordo a sua maneira de ser e recordo a pessoa humana que foi capaz de ser e a sua capacidade de sacrifício em prol da família. Este Natal vai ser diferente, vou vivê-lo de espírito aberto, porque o sentimento vai para além da vida. E nós nunca sabemos aquilo que a vida nos reserva. Vou vive-lo em comunhão com todos, na presença física dos meus entes mais queridos (a minha mãe, o meu marido e o meu irmão) e no coração/lembrança com os que já partiram.
Todos vivem no meu coração…

Susana Monteiro

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Parabéns, Jesus!

Quando faço anos, é um dia especial: À meia-noite, cantam-me os parabéns e
abrimos o bolo de aniversário. A minha família senta-se, feliz, à mesa em minha
honra, e, ao longo do dia, recebo dezenas de mensagens e telefonemas de todos
aqueles que amo. Vozes queridas chegam dos quatro cantos do mundo e fazem-me
pensar que sou especial, e que a minha vida merece ser vivida. E claro, também
recebo presentes! E os presentes de que mais gosto, independentemente do
tamanho ou valor comercial, são aqueles que demonstram que o ofertante me
conhece bem, e que a escolha foi feita com carinho.
Hoje, acordei a pensar: E se um dia, todos se preparassem festivamente para o
meu aniversário, organizassem a mais linda festa, cheia de brilho, música e
alegria... e no corrupio do entusiasmo... se esquecessem de mim?
Hoje, apercebi-me de que tenho estado a preparar uma festa de aniversário a
pensar em todos os convidados, e nos adereços, e nos presentes mas pouco tenho
pensado no aniversariante, Alguém que, como eu, nasceu um dia (em
circunstâncias bem menos confortáveis), que foi a luz dos olhos dos seus pais, e
que cresceu para se tornar um dos Seres Humanos mais extraordinários que a
História conheceu.
Independentemente das nossas crenças religiosas, ninguém negará que Ele trouxe
à Humanidade o maior dos presentes: Uma nova atitude, uma proposta de vida
baseada no Amor, na Paz interior, no Respeito e na Comunhão. E viveu o que
anunciou.

Este Natal, quero que Ele seja o protagonista da Sua festa de aniversário, que
lhe cantemos os parabéns à meia-noite, e nos reunamos felizes à mesa em
Sua honra.
Que sejam para ele as mensagens e os telefonemas de Parabéns!
E os presentes!
Para que Ele saiba que, para mim, É especial,
E que a Sua vida - definitivamente - mereceu ser vivida!

Natacha M. Soares | Natal 2008

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A noite escura


Era uma vez um gato chamado Matias, era um magricela e não tinha família. E então estava sempre sozinho. Um dia decidiu miar à porta de uma casa e os donos dessa mesma casa abriram-lhe a porta, pois queriam um animal...de estimação. As pessoas dessa família deram-lhe carinhos e claro também lhe deram comida.
A partir desse dia, as noites do gatinho Matias passaram a ser claras, quentes e confortáveis e não escuras, frias e solitárias, como eram antes.
E assim viveu durante muitos anos, feliz para sempre.
Rita Isabel Melo Pereira. 3.º ano, Ponta Delgada. (amiguinha da Natacha)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Estrela de Esperança




Esta história é um pequeno relato do que o amor e a solidariedade são capazes de fazer...
       Numa humilde casa de uma família grande e pobre faziam-se os preparativos para a grande festa que é o Natal. A mãe dos seis filhos, Esperança, fazia o caldo para as rabanadas. O pai, Duarte, tinha ido com João e Joana, os filhos mais velhos, cortar o pinheiro mais bonito e mais frondoso. Ana e António, os gémeos do meio e ambos cegos, punham a mesa com os talheres mais bonitos. E, na sala, a Filipa e o Diogo ouviam as histórias que a avó Ilda contava do tempo em que era miúda e ainda tinha o cabelo bonito como os netos.
Era um dia atarefado e frio, apesar da lenha a crepitar na lareira, no canto da sala, mas a agitação esquecia-os dessas chatices menores e ocupava-os com todos os preparativos. Todos os pequenos pediram presentes simples, sabendo bem a dificuldade financeira que a família passava. A noite chegou e, mais tarde, depois do jantar e dos cânticos de Natal, chegou a hora de abrir os presentes. A avó Ilda recebeu um pijama quentinho cor-de-laranja. João recebeu um livro de carpintaria, Joana recebeu um de poesia. Ana recebeu uma boneca de porcelana para a sua coleção, António abriu o embrulho redondo já sabendo que era uma bola com barulho. Diogo recebeu um livro de tecido do Porquinho Sam e a Filipa recebeu um ursinho de peluche do seu tamanho. Todos gostaram dos presentes. Esperança e Duarte receberam, cada um, dois pares de carapins feitos pela avó Ilda.
A noite acabou bem, mas os meninos não estavam muito sossegados. Sabiam o presente perfeito para a mãe, já que a mãe falava daquilo com o pai muitas vezes. Ela merecia, por todo o seu esforço e dedicação ao Lar.
Então no dia seguinte, em vez de ir brincar na neve, os seis irmãos pegaram nos presentes de Natal e venderam-nos aos amigos que os queriam. Depois, com o dinheiro reunido, dirigiram-se à ACAPO, inscreveram a mãe como sócia efetiva e pagaram as cotas de um ano inteiro. Quando a mãe soube aproveitou ao máximo tudo a que tinha direito e reabilitou-se de forma a poder levar a sua vida ainda melhor.

Maria João Lira

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Até com palavras, se forem precisas…



 Só um coração gravemente doente em Humanidade é incapaz de (se) partilhar. Faz parte do nosso ADN! Do nosso PRINCÍPIO mais Humano e humanizante – a imagem e semelhança do Criador.
E, apesar dos pessimistas cegos que por aí andam, a nossa Humanidade não está tão doente como eles asseguram…
A prova disso está na frente de quem  tem olhos para VER, ao alcance de quem tem ouvidos para OUVIR, de quem tem  coração para se Alegrar sempre que  experimenta que o Mal é sempre vencido por uma qualquer Frente de NÓS solidários…
O BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME é uma dessas frentes feita de NÓS solidários que nos alargam os horizontes da Bondade e das GRANDES coisas que só o Espírito do AMOR  faz…
 São aos milhares! São Homens, Mulheres e Crianças! Vêm dos quatro cantos da Cidade! Estendem a mão para dar-se, juntamente com o saquinho do Banco Alimentar que, quando entra a porta de qualquer  Supermercado  já leva dentro, clandestinamente, uma grande dose  de cuidado por um outro, sem rosto conhecido, uma porção de tempo generosamente dado e, a hipótese quase certa de algumas  dores nas pernas ao fim do dia…
Bem à vista, vai um sorriso que desafia, convencido e descarado: “Saciar a fome do corpo é princípio de felicidade e direito adquirido à nascença. Alimenta esta ideia!”
São aos milhares. São Homens, Mulheres e Crianças. Respondem a este desafio. À saída devolvem o saquinho SEMPRE cheio, a transbordar ou, o carrinho SEMPRE a deitar por fora – O AMOR não cabe em nenhuma medida…
E são tantas as estórias de uma Humanidade LINDA e SAUDÁVEL, que estes dias nos podem contar:
                - A da velhinha que, sorrindo, diz: “Eu também recebo do Banco Alimentar, sabe? Mas, penso que deve haver gente que ainda precisa mais do que eu. Por isso, do meu pouco, também eu quero partilhar”. E na minha frente vi passar, vestida de preto, a viúva do Evangelho…
- A daquele casal que passou e não quis receber o saco que lhe estava a ser estendido. Mas o filhote, com os seus 8 ou 9 anitos ficou para trás a olhar a menina que continuava a sorrir e a oferecer saquinhos a outras pessoas. E os pais voltaram atrás e… deu gosto ver como foi generosa  a resposta final ao sorriso da Clarinha... E eu lembrei-me daquela pergunta que Jesus fez um dia: ”Que vos parece? Qual o filho que amou mais? O que disse que sim e não foi ou o que disse que não e acabou por ir?”
A daquele senhor que não quis saquinho e voltou com o carro cheio até cima. TUDO para o Banco Alimentar. Tinha vindo às compras de propósito… E eu agradeci ao Pai o Seu Amor de iniciativa…
A daqueles funcionários  do Supermercado que, no fim do dia de trabalho, perguntam o que é que fazia mais falta e trazem depois a sua partilha…
Estas estórias todas podem ser lidas à luz de uma outra estória bonita que conta o número sempre crescente de gente que desperta para a Proximidade Misericordiosa e, aprende a ler a Vida em “chave missionária” – é possível  levar a TODOS a Boa Notícia do Reino de Deus a acontecer JÁ e AQUI!…
Até com palavras, se forem precisas… nem sempre são!

Glória

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

OLÁ COM ALEGRIA!



Olá com muita alegria!
É tão bom começar ASSIM!
Eu acredito que nós nascemos para sermos felizes e fazermos os outros felizes! Este é o nosso MAIOR projecto.
É tão bonito pensar num sorriso de um bebé! Quem resiste ao sorriso de uma criança? Alguém consegue não gostar de um adulto sorridente/bem disposto? Como é fácil gostar de um avô que conta Histórias a rir!
Pois é, nós nascemos para sermos felizes e fazermos os outros felizes! Este é o nosso MAIOR desafio.
E é GRATUITO…depende apenas de nós!
Vamos tentar colocar ALEGRIA em TUDO o que fazemos!?
Eu QUERO tentar!
SHALOM

Bé

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Custa a engolir mas…

 


 Nem azar nem sorte…

 Lá que custa a engolir custa mas... a minha vida e a tua vida têm, quer queiramos quer não, a forma de uma inalienável responsabilidade. 
É NOSSA a responsabilidade do que fazemos, dizemos, queremos, decidimos, acreditamos, enfim… de tudo! Não podemos descartá-la nem a outros nem a… sabe-se lá o quê…

Não há alibis que nos desculpabilizem nem deuses que pré determinem seja o que for que nos acontece… Nem “os outros”. Nem um “Deus que assim quis”. Nem o acaso. Nem a sorte ou o azar, como preferirem…
Azar, sorte e destino! Nada disso faz verdadeiramente parte da História humana. 
Eu sou o único sujeito dos meus actos, o sujeito da minha Liberdade.
O destino é, em última análise, o fruto daquilo que eu escolho e desejo e, depois, ou aceito ou, pura e simplesmente, suporto…
E quanto ao acaso tenho para mim que não passa de um suceder de circunstâncias, sejam elas a chuva ou a nortada, a praga de mosquitos ou de formigas…a casca de banana no chão ou… qualquer um daqueles “se não fosse… eu até…”  E, lá estou EU! a tentar des-responsabilizar-me…
Sempre que as nossas perdas, desgostos e desencantos, forem fruto do azar e as coisas boas da nossa vida, sejam pessoas ou acontecimentos, forem o fruto da sorte, estamos a impedir o coração de, por um lado, se abrir ao arrependimento lúcido que leva à mudança e, por outro lado, à Gratidão que nos faz sorver e amar a Vida como um inestimável DOM!

A nossa grande tragédia está em não percebermos que tudo se joga entre um Sim ou um Não - um e outro de nossa inteira responsabilidade - o Sim e o Não que, em acto, dizemos ao Amor… 

Glória Marques (Publicado em: http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/11/custa-engolir-mas.html )

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

É bom estarmos juntos



Li este texto no livro “É Bom Estarmos Juntos” de Patrícia Luz Pinto, que é de uma amiga muito especial, e tocou-me tão profundamente que o dediquei ao meu primeiro filho.Passados cinco anos e com outro bebé no colo com pouco mais de meio ano, sinto-o com tanta intensidade no meu coração, dedico-lhe igualmente cada um destes versos:

“A ti ser pequenino, desejo-te a vida que nasceu para ti.

Desejo-te as flores da Primavera e o vento do Outono.

Desejo-te o colo quente dos que te amam, a ternura dos que te envolvem, o sorriso.

Quero para ti a alegria das cores, os primeiros passos, os sons, o riso, a lágrima.

Desejo que aprendas. Que cresças devagarinho.

Que tenhas o teu tempo e dele tomes posse,

Que saboreies viver, que com os dias te encantes.

Que conheças o sabor do pão quente acabado de fazer, das cerejas frescas, dos oregãos e do tomilho.

Desejo-te o amparo dos que são teus, a mão que permanece.

Desejo-te o calor do abraço, a suavidade da palavra, a beleza do silêncio.

Desejo-te a sede e a fonte.

Desejo-te que conheças a liberdade, o sonho e o dia em que ele se faz.

O dom da amizade e a experiência do amor.

Desejo-te a vida que nasceu para ti.”

E sempre que nasce um bebé… faço estes votos e reflito.

Quanto vale sentirmos a sua respiração no nosso rosto quando o adormecemos no nosso colo.

Quanto Vale um sorriso iluminado pela manhã de bons dias, com o entusiasmo de quem espera um novo dia cheio de brincadeiras.

Quanto vale vermos o seu filme preferido dezenas e dezenas de vezes?

Quanto vale sentir a sua mãozinha a puxar-nos enquanto nos pergunta: podes fazer uma pausa e jogar às cartas comigo? Quanto vale ouvir :” Esta flor é para ti “ou” Fiz este desenho para ti.”

Quanto vale ver o brilhozinho nos olhos do meu filho deliciado com o irmão enquanto o provoca e só se satisfaz quando o ouve a dobrar o riso.

Quanto vale correr para o nosso abraço de cada vez que se magoa, esperando o nosso consolo.
Quanto vale recebermos o seu beijinho cada vez que nos magoamos e ouvirmos: já vai passar, mamã.

Quanto vale podermos ter disponibilidade para o escutarmos quando chega da escolinha e nos conta as suas experiências com os seus amiguinhos. Por quanto tempo vamos poder ter essa sorte? Lá virá o tempo em que não saberemos quase nada das suas vidas e só nos restará confiar…

Quanto vale afinal o tempo das crianças? 
Quanto vale o tempo na terra dos sonhos?

O tempo na terra dos sonhos não tem preço.Aproveitem a felicidade plena das pequeninas coisas dos nossos pequenos deuses, não deixem escapar por entre os dedos esse tempo mágico. Porque é bom estarmos juntos. Porque essa sim, é a “experiência do amor”.

Este texto podia ser dedicado a todas as mães que correm o dia todo de um lado para o outro, quantas vezes tão exploradas nos seus empregos, sempre com o coraçãozinho apertado à espera da hora de os ir buscar e ter ainda que ir fazer todas as tarefas domésticas ou ainda a todas as pessoas que passam horas das suas vidas a ajudar os nossos filhos ao longo das suas aprendizagens, que os ensinam as primeiras palavras, as primeiras cores e até os primeiros passos. Que riem com eles, que choram com eles, que cantam para eles, que os protegem e amam como se fossem seus. Porque como diz Saramago:"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos. Na verdade, eles são emprestados. Não são de ninguém. São da vida que nasceu para eles. Este texto podia simplesmente ser dedicado a todas as crianças do mundo para quem o Sol nunca chega a brilhar.
Raquel Neves