terça-feira, 29 de abril de 2014

Achado que não resisto em vos mostrar :)

Às vezes ando por aí e encontro Pérolas preciosas que me ajudam a refletir e me engrandece o coração. Hoje encontrei esta da qual vos convido a entrar e ver: :http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/04/contraste.html

P.S. para os que não podem ver descrevo as duas imagens que lá estão: a primeira revela um homem em cima de uma grande rocha e de braços abertos voltado para o grande oceano. A segunda visa um grupo de pessoas reunido à mesa a saborearem uma refeição.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dia 5: A experiência de VER – O essencial é invisível aos olhos

Digam-me, como se vê o amor de um pai ou de mãe e como se quantifica a amizade de um amigo?
Os gestos e as palavras dizem muito, mas não dá para medir, quantificar, pesar e etiquetar, pois não?
O essencial da nossa vida, os pequenos nadas que nos mudam são assim, não se conseguem tocar, guardar e, muito menos, prender.
O essencial da vida reside no Amor, nas relações que somos capazes de criar, nos laços que fazemos e não há como desatar.
A Natacha, num comentário ao post que escrevi sobre precisarmos dos outros para ver, dizia que a minha proposta de reflexão a levou a “pensar em todos aqueles que dão o contributo invisível”: “uma ideia para resolver um problema, uma palavra de alento, um momento de escuta ativa ou a pergunta certa no momento certo também fazem toda a diferença. E aquela pessoa que acredita em nós quando até nós nos pomos em causa?”
Pois é, as pessoas invisíveis e as experiências invisíveis.
Por isso, hoje, quero despedir-me desta semana de partilhas como mais uma pergunta: quais são os invisíveis que te vão lembrando que é preciso ir aprendendo a VER BEM?

Micaela Lemos Madureira

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dia 4: A experiência de VER – Não façamos dos cegos paralíticos

Há um relato do Evangelho que me faz sempre pensar. Uma vez, Jesus ia a passar e um cego chamou-O. Jesus, em vez de voltar para trás, disse que o cego fosse ter com Ele.
Sempre que me recordo desta passagem, dou por mim a pensar que nós, que tantas vezes somos bonzinhos em vez de sermos bons, só vemos as limitações e, muitas vezes, até lhes acrescentamos mais umas fruto da nossa cabeça. Por isso, nós, que somos bonzinhos em vez de sermos bons, iríamos lá ter com o “coitadinho” do cego, em vez de lhe darmos uma oportunidade de se erguer. Temos a tendência de fazer dos cegos paralíticos.
Sobre a forma como muitas vezes os cegos são tratados, já temos tido aqui testemunhos em carne viva.
No entanto, esta experiência de ver para além das aparências e de não criar novas barreiras pode ser vista de tantas formas!
Imaginemos que temos um familiar que já tem alguma idade. Por causa dela, a audição já não é o que era e, por isso, às vezes, entra trocado nas conversas, responde coisas sem nexo. Será que, por causa disso, não o vemos como um demente, em vez de percebermos que está surdo?
Imaginemos que temos um familiar que pode andar pouco, mas que consegue fazer as suas voltinhas, com tempo, sem pressas. Se, para andarmos mais depressa, o deixamos em casa e vamos nós buscar o que precisa, não estaremos a fazer do manco paralítico?
Imaginemos que conhecemos uma criança que tem problemas de fala, que tornam a percepção do que diz muito difícil, e que, por causa disso, evitamos falar com essa criança, que é intelectualmente perfeitamente normal, não estaremos a bloquear-lhe ainda mais o desenvolvimento da linguagem?

Pois é, os nossos preconceitos, as nossas pressas e muitas vezes as nossas bondadezinhas de trazer por cada impedem-nos de ver bem, de ver o outro para lá das suas limitações, de ver o outro como uma fonte inesgotável de possibilidades.

Hoje, a pergunta é: que preconceitos tens que te impedem de VER bem os outros? E de te veres bem a ti mesmo?
Micaela Lemos Madureira

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dia 3: A experiência de VER – A força da semente e a força dos super-heróis


Isto vai soar feio dito por uma cristã, que, ainda por cima, é catequista, mas tem de ser: não acredito em milagres.
Calma, eu explico-me.
Não acredito num Deus parecido com um qualquer super-herói, que vem com um grande manto, nos esconde de nós e dos outros e, num passe de mágica, nos muda inteiros e de fora para dentro.
Também não acredito num Deus que se conquista com promessas e doçuras, para que aja em nosso favor.
Não acredito em milagres que abram telejornais, mas acredito na força da semente que rompe a terra e se transforma em arbusto ou árvore.
Voltando às camisolas da Mila, lembro-me:
1.            Há uns anos, li no Derrotar Montanhas um texto do Telefone da Esperança sobre comportamentos saudáveis dos voluntários (http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2011/05/as-sextas-com-telefone-da-esperanca.html) e encantei-me com a parte em que se diz que é  importante o voluntário “SABER QUE NÃO VAI SALVAR NINGUÉM. Esta é uma equipa em que ninguém salva ninguém. Se pretende salvar alguém, faça um tour pela cidade, visite os centros de emprego e abrigos nocturnos, e depois volte. Se continuar a querer assumir-se como um salvador, escolheu  o lugar errado.”
2.            A Mila e a Susana têm partilhado aqui a forma como, sem se encontrar cura para os seus olhos, estão a descobrir cura para os seus corações, a reerguerem-se, a renascerem, a recomeçarem, a deixarem a Esperança romper como semente que vai vencendo a terra que lhes possa cair em cima.

Quero terminar a partilha de hoje com mais uma pergunta: E na tua vida que milagres em jeito de semente vão surgindo? Que milagres desses consegues VER?
Micaela Lemos Madureira

terça-feira, 22 de abril de 2014

Dia 2: A experiência de Ver - Precisamos de quem nos ajude a ver bem

Estamos no grande Centro do ano cristão e eu sou cristã, por isso, é natural que muito do que partilho seja influenciado por aquilo em que acredito. Ainda assim, estes não são posts para católicos, nem para cristãos, nem para não cristãos. São posts para todos.
Ao escrevê-los, é natural que o faça lembrando-me de uma ou outra leitura bíblica, inspirando-me até nela. No entanto, mesmo que a refira, é só mesmo para localizar aqueles para os quais, como para mim, a leitura possa ser significativa. Não é, de modo nenhum obstáculo a quem não as conheça.
Posto isto, neste primeiro dia, lembro-me da necessidade que temos dos outros para vermos bem.
Nos relatos pascais, é sempre assim: só juntos conseguimos ver bem, quem não está em comunhão com os outros não vê; até pode olhar, mas não vê.
Pegando na experiência deste blog:
·      Para a Mila, hoje, vestir as 3 camisolas que se vão tornando parte da sua pele – Comunidade Redentorista, Telefone da Esperança e ACAPO – alguém a levou até lá;
·      Todas essas experiências são comunitárias, em todas elas são os outros que permitem a descoberta, que permitem que cada um se vá descobrindo como pessoa e como ser em relação;
·      Por exemplo, de quantas pessoas é feita a história do Telefone da Esperança que a Natacha nos contou nos últimos posts?
·      Quantas pessoas foram necessárias para que os fundadores do Telefone da Esperança se vissem, se descobrissem?
·      Quantas pessoas foram necessárias para que vissem que caminhoiam seguir?
·      Quantas pessoas são necessárias para irem descobrindo os próximos passos?
·      A Mila também já aqui partilhou a experiência dela no grupo de manualidades da ACAPO, quantas pessoas são precisas para o fazer acontecer? Certamente, quem o pensou, mas também as pessoas que nele se juntam, as pessoas que fazem os materiais que lá são usados, as pessoas que tiveram ideias de utilização de materiais e que foram sendo “imitadas”…
·      Nesse grupo, pela interacção com outros, a Mila não foi só desenvolvendo a capacidade de “ver com as mãos”, foi também desenvolvendo a capacidade de se VER como pessoa com talentos, com possibilidades, como alguém que pode ir mais além…
Não se vê bem sozinho. Precisamos dos outros para VER bem.

A ti, quem te ajuda a VER BEM?

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dia 1: A experiência de Ver


Há uns meses atrás, quando a Mila fez o relançamento do blog, publicou um texto chamado “Faz-te ao largo com os irmãos.” (http://partilho-contigo.blogspot.pt/2013/10/faz-te-ao-largo.html)
Nele, falou-nos da necessidade que temos dos outros para nos construirmos, da necessidade que temos de ir criando laços comunitários para nos fazermos mais gente e da forma como todas as experiências se cruzam.
Quando a Mila estava a preparar o relançamento, disse-me que estava com ideias para o blog e que tinha a certeza de que eu ia gostar. Claramente, acertou.
Ao longo destes meses, tenho confirmado o enriquecimento que é ser espectadora de um blog assim, partilhado por gente bonita, gente a caminho.
Quando a Mila me pediu para tratar desta semana de Páscoa aqui neste cantinho, senti algum medo. É um grande desafio escrever num blog que me vai tocando e transformando de maneiras tão especiais.
No entanto, aceitei. A grande questão é: sobre o que posso escrever?
Depois de algum tempo a pensar, considerando que estamos em Tempo Pascal, que VER é uma das dimensões mais importantes da Páscoa e que este blog é partilhado pelas 3 camisolas da Mila, vou tentar escrever um pouquinho sobre como este blog me tem falado de VER através das partilhas das pessoas das 3 camisolas que a Mila veste.
Já agora, embora não pertença à mesma Comunidade que a Mila (eu sou da do Porto, ela da de Gaia, que são comunidades com muitos pontos de encontro e comunhão), também eu sou Redentorista. Redentorista, o que é isso? Bem, isso fica para outra altura em que eu invada este blog, se vocês me deixarem voltar ;)
Para já, nos próximos dias, vou estar cá a escrever um pouquinho sobre a experiência de VER.

Acompanham-me?

Micaela Lemos Madureira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Semeando a Esperança... (Parte 5)

                                                               (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.) 
Sinto-me verdadeiramente privilegiada por pertencer a esta organização e sentir-me membro desta família. E por isso, é com alegria que convido todos aqueles que se sentem chamados a crescer como Pessoa, a virem conhecer o Telefone da Esperança, experienciarem a formação que colocamos ao seu dispor e, quem sabe, descubram se o voluntariado na nossa Associação poderá constituir um presente nas suas vidas.
 Assim, convido os leitores do Partilho-Contigo a descobrirem o Telefone da Esperança e o trabalho que desenvolve:
·         Consultem o nosso blogue, aqui  [podem inscrever-se para receber automaticamente as atualizações];
·         Sejam nossos amigos no facebook, aqui.
·         Visitem-nos nas nossas instalações no Porto [Rua Duque de Loulé, 98, 2º esq., Porto].
·         Falem com os nossos voluntários;
·         Participem na formação que promovemos e convidem os vossos amigos;
·         Divulguem os nossos serviços de apoio em crise a todas as pessoas do vosso entorno que possam necessitar de apoio.  
Acredito mesmo que estamos a conseguir espalhar a Esperança em Portugal. Curso a curso, chamada a chamada, palavra a palavra, abraço a abraço. E ainda há tanto a fazer! Se achar que esta missão pode ser a sua também, junte-se a nós!
Um abraço afetuoso
 Natacha Soares Ribeiro

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Semeando a Esperança... (Parte 4)

                                                            (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.) 
Em 2012, assumi a presidência da direcção do Telefone da Esperança Portugal, com uma equipa muito competente e entusiástica. Neste momento, os nossos três grande objetivos são: consolidar a estrutura e sustentabilidade da associação, aumentar a visibilidade e a acessibilidade dos nossos serviços e todos que deles possam necessitar ou beneficiar, e reforçar a nossa capacidade de resposta [nomeadamente com o inicio da orientação presencial por profissionais: psicólogos, técnicos de serviço social, juristas]. A médio prazo, queremos também criar centros noutras cidades portuguesas para podermos assegurar uma resposta de proximidade a pessoas de outras regiões do País.
Pela frente, temos grandes desafios: continuarmos a ser fiéis aos princípios que nos norteiam, sermos cada vez mais competentes e eficazes no serviço que prestamos … Para isso, precisamos que cada voluntário continue comprometido com esta causa. E que novos voluntários se juntem a nós.
Cada vez mais pessoas precisam do tipo de respostas que nós sabemos dar: a escuta ativa, a aceitação incondicional de cada pessoa, as ferramentas de vida e de comunicação que são fundamentais para a construção de vidas felizes.
Direta ou indiretamente, estamos a fazer a diferença na vida de centenas de pessoas. Acredito, sinceramente, que estamos a promover a construção de um mundo mais saudável e mais feliz.
Sinto-me verdadeiramente privilegiada por pertencer a esta organização e sentir-me membro desta família. E por isso, é com alegria que convido todos aqueles que se sentem chamados a crescer como Pessoa, a virem conhecer o Telefone da Esperança, experienciarem a formação que colocamos ao seu dispor e, quem sabe, descubram se o voluntariado na nossa Associação poderá constituir um presente nas suas vidas. (continua)
 Natacha Soares Ribeiro

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Semeando a Esperança em Portugal... [Parte 3]


  (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.) 

No dia 28 de Julho de 2008 foi oficialmente criada a Associação Internacional do Telefone da Esperança – ASITES Portugal, e, no dia 7 de dezembro do mesmo ano abriu as suas portas à comunidade o primeiro centro do Telefone da Esperança Portugal, na Rua Duque de Loulé, nº 98, no Porto. 
Elisabete Mota tinha decidido ir viver para Espanha. À frente dos destinos da Associação [primeiro, da comissão instaladora, e depois, da primeira Direção] ficou Abel Magalhães, licenciado em Filosofia e há já muitos anos dedicado às áreas da Psicologia e do Desenvolvimento pessoal.

O dia da abertura foi magnífico e memorável! A alegria – partilhada com muitos companheiros de outros centros do TE de Espanha – foi contagiante e mostrámos a todos a nossa incomparável arte de bem acolher! E ainda mais inesquecível do que a festa, no Ateneu Comercial do Porto, foi sabermos que, pela primeira vez na nossa história, a nossa linha telefónica de apoio em crise esteve disponível. Um número a não esquecer: 222 030 707. Das 20 às 23 horas. Do nosso lado, voluntários formados e capacitados na exigente arte da Relação de Ajuda. Do outro, pessoas com todo o tipo de crises de natureza emocional, procurando caminhos e soluções, e requerendo uma escuta ativa, atenta, empática.
A esse primeiro dia de orientação em crise seguiram-se todos os outros dias até hoje, dias em cada um dos quais os nossos voluntários escolheram o serviço [tantas vezes implicando enfrentar o frio, a insegurança da noite, ou a inconveniência das deslocações] a todas as outras alternativas mais confortáveis. E se dispuseram a formar-se continuamente na arte de saber ajudar.

Importa saber de que outras formas servimos a comunidade nestes 5 anos após a inauguração:

·         Continuámos a desenvolver formação de vanguarda quer em matéria de Relação de Ajuda quer em diferentes dimensões do desenvolvimento pessoal. Quem fez formação no TE conhece o seu impacto transformador. [Costumo pensar que damos às pessoas as ferramentas de vida e de comunicação de que necessitam para nunca terem que recorrer, em crise, à nossa linha telefónica de apoio… ]

·         Organizámos eventos culturais, atividades de partilha de saberes e emoções, abrindo espaço para que se conheçam os talentos dos nossos voluntários e amigos.

·         Conseguimos fazer da sede do TE um espaço de confraternização e encontro pessoal de excelência.
Nos bastidores, os nossos voluntários foram-se empenhando em várias atividades [tantas delas discretas] que permitiram que tudo acontecesse: o cuidado com a acolhedora sede do TE, que é quase uma segunda casa para alguns de nós [quem ainda não se deliciou ainda com uma chávena de chá e bolachas sentado à mesa da nossa cozinha está deste já convidado a fazê-lo…], a organização dos eventos e das atividades, a comunicação e divulgação, a tradução dos materiais da formação, a celebração das datas importantes [com a amorosa criatividade da equipa dos afetos], a criação de artigos [tantas pequenas obras de arte!] para presença e venda nas feirinhas de angariação de fundos, a criação e manutenção das ferramentas online, a cobertura fotográfica dos eventos, etc… etc…

Esta articulação da boa vontade, competência e talento dos nossos voluntários tem sido o fator crítico de sucesso do TE até hoje. [continua]
 Natacha Soares Ribeiro

terça-feira, 8 de abril de 2014

Semeando a Esperança em Portugal... (Parte 2)


                                                 (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.)

Acreditámos que Portugal merecia um projeto destes: capaz de ajudar as pessoas a ultrapassar sustentadamente as crises emocionais e, mais, a conquistar ferramentas que as levassem à saúde emocional e à felicidade. Nós sabíamos que essas ferramentas funcionavam porque as tínhamos experimentado. Apaixonava-nos a ideia de podermos partilhar o que tínhamos encontrado com as pessoas do nosso país. E pusemos as mãos à obra, com cabeça e coração.
Liderados por Elisabete Mota, psicopedagoga, de quem tinha partido grande parte dos convites a fazermos formação em Santiago de Compostela [apelido-a carinhosamente de nossa “Sementinha da Esperança”], dedicámo-nos a uma atividade intensa, com o objetivo de criar um centro do Telefone da Esperança em Portugal. O local escolhido foi a Área Metropolitana do Porto, onde vivia a maioria de nós e cujos problemas sociais conhecíamos. Contámos com o apoio incondicional da Direção do Teléfono de la Esperanza Espanhol [à data presidida pelo Psicólogo e Psicoterapeuta Jesus Madrid Soriano] e de dois padrinhos: Teófilo Martins e Manuel Leopoldo (Manolo), presidente e ex-presidente, respetivamente, do Telefone da Esperança de Badajoz.

Uma das valências fundamentais deste projeto solidário [e, aliás, aquela que dá o nome à própria organização] é o serviço deorientação em crise por telefone. Por outras palavras, um apoio especializado, gratuito e confidencial às pessoas em situação de crise emocional [depressão, pensamentos suicidas, conflitos familiares, incomunicabilidade, etc.]. Outras tarefas de igual importância são a formação e coordenação de cursos de desenvolvimento pessoal e promoção da saúde emocional. Para todas estas tarefas, de grande responsabilidade, havia que formar e capacitar voluntários – agentes de ajuda. Começámos por isso a organizar os primeiros cursos do Telefone da Esperança em Portugal e dando a conhecer este projeto a muitas mais pessoas. E havia todo um outro conjunto de aspetos legais e de ordem prática a ter em conta e a operacionalizar para se viabilizar a abertura do centro.
Houve avanços e retrocessos, momentos de maior e de menor motivação, pessoas que entretanto abraçaram a causa [em grande parte fruto dos cursos que começaram a realizar-se em Portugal] e pessoas que preferiram seguir outros caminhos. Este processo foi desafiante mas, com resiliência e capacidade de concretização, vencemos.

No dia 28 de Julho de 2008 foi oficialmente criada a Associação Internacional do Telefone da Esperança – ASITES Portugal, e, no dia 7 de Dezembro do mesmo ano abriu as suas portas à comunidade o primeiro Centro do Telefone da Esperança Portugal, na Rua Duque de Loulé, nº 98, no Porto. [continua]
 Natacha Soares Ribeiro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Semeando a Esperança em Portugal... (Parte 1)

     (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.)

2004 foi um ano inesquecível! Um grupo de portugueses rumou a Santiago de Compostela, não em peregrinação, mas procurando respostas para um conjunto de perguntas importantes: O que é a Comunicação [no sentido mais profundo da palavra]? Que atitudes promovem o verdadeiro Encontro Pessoal? Respondíamos a um convite para um curso promovido pelo Teléfono de la Esperanza, uma associação de voluntariado com méritos reconhecidos em Espanha e em alguns países da América Latina, mas praticamente desconhecida em Portugal.

O que se passou nesse curso marcou-nos, pelo carácter vivencial da formação, pela qualidade dos conteúdos e dos formadores e facilitadores, e pelos resultados pessoais que experienciámos – uns mais do que outros, naturalmente, conforme o nível de entrega individual ao processo.

O curso chamava-se, precisamente “Comunicação e Encontro Pessoal”, e fazia parte do “Programa de Formação de Agentes de Ajuda”, que incluía mais dois cursos, e que, para além de capacitar os voluntários do Teléfono de la Esperanza, estava aberto a todos aqueles que quisessem melhorar as suas competências de ajuda ao próximo. Como uma das premissas da Associação é “Para bem ajudar o outro, é importante que quem ajuda esteja bem também”, uma parte considerável do programa de formação (mais precisamente dois dos cursos) eram integralmente dedicados ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento pessoal do próprio agente de ajuda; o terceiro curso abordava criteriosamente as mais adequadas técnicas e atitudes na relação de ajuda propriamente dita.  

Alguns de nós começámos a sentir germinarem as sementes de amor por esta causa solidária que, antes de nos permitir mudar o mundo, nos ajudou a mudar-nos a nós próprios e a crescermos como PESSOA.
Acreditámos que Portugal merecia um projecto destes: capaz de ajudar as pessoas a ultrapassar sustentadamente as crises emocionais e, mais, a conquistar ferramentas que as levassem à saúde emocional e à felicidade. Nós sabíamos que essas ferramentas funcionavam porque as tínhamos experimentado.
Apaixonava-nos a ideia de podermos partilhar o que tínhamos encontrado com as pessoas do nosso país.
E pusemos as mãos à obra, com cabeça e coração. [Continua]

Natacha Soares Ribeiro