terça-feira, 8 de abril de 2014

Semeando a Esperança em Portugal... (Parte 2)


                                                 (Uma planta cresce, verde, bela e forte, no meio das cinzas.)

Acreditámos que Portugal merecia um projeto destes: capaz de ajudar as pessoas a ultrapassar sustentadamente as crises emocionais e, mais, a conquistar ferramentas que as levassem à saúde emocional e à felicidade. Nós sabíamos que essas ferramentas funcionavam porque as tínhamos experimentado. Apaixonava-nos a ideia de podermos partilhar o que tínhamos encontrado com as pessoas do nosso país. E pusemos as mãos à obra, com cabeça e coração.
Liderados por Elisabete Mota, psicopedagoga, de quem tinha partido grande parte dos convites a fazermos formação em Santiago de Compostela [apelido-a carinhosamente de nossa “Sementinha da Esperança”], dedicámo-nos a uma atividade intensa, com o objetivo de criar um centro do Telefone da Esperança em Portugal. O local escolhido foi a Área Metropolitana do Porto, onde vivia a maioria de nós e cujos problemas sociais conhecíamos. Contámos com o apoio incondicional da Direção do Teléfono de la Esperanza Espanhol [à data presidida pelo Psicólogo e Psicoterapeuta Jesus Madrid Soriano] e de dois padrinhos: Teófilo Martins e Manuel Leopoldo (Manolo), presidente e ex-presidente, respetivamente, do Telefone da Esperança de Badajoz.

Uma das valências fundamentais deste projeto solidário [e, aliás, aquela que dá o nome à própria organização] é o serviço deorientação em crise por telefone. Por outras palavras, um apoio especializado, gratuito e confidencial às pessoas em situação de crise emocional [depressão, pensamentos suicidas, conflitos familiares, incomunicabilidade, etc.]. Outras tarefas de igual importância são a formação e coordenação de cursos de desenvolvimento pessoal e promoção da saúde emocionalPara todas estas tarefas, de grande responsabilidade, havia que formar e capacitar voluntários – agentes de ajuda. Começámos por isso a organizar os primeiros cursos do Telefone da Esperança em Portugal e dando a conhecer este projeto a muitas mais pessoas. E havia todo um outro conjunto de aspetos legais e de ordem prática a ter em conta e a operacionalizar para se viabilizar a abertura do centro.
Houve avanços e retrocessos, momentos de maior e de menor motivação, pessoas que entretanto abraçaram a causa [em grande parte fruto dos cursos que começaram a realizar-se em Portugal] e pessoas que preferiram seguir outros caminhos. Este processo foi desafiante mas, com resiliência e capacidade de concretização, vencemos.

No dia 28 de Julho de 2008 foi oficialmente criada a Associação Internacional do Telefone da Esperança – ASITES Portugal, e, no dia 7 de Dezembro do mesmo ano abriu as suas portas à comunidade o primeiro Centro do Telefone da Esperança Portugal, na Rua Duque de Loulé, nº 98, no Porto. [continua]
 Natacha Soares Ribeiro

1 comentário:

mila disse...

Eu entrei nessas portas já o Telefone tinha quase 2 anos de vida. Foi lindo ver o entusiasmo e a alegria de muita gente a querer cuidar da Vida porque a amam.
Obrigada Telefone da Esperança!