(Esta imagem representa vários móveis em cima uns dos outros: sofás, uma televisão, um telefone, secretárias, cadeiras e um candeeiro.)
Há gente especialista em
mudar: de opinião… de fatiota… de casa… de carro… de amigos… de amantes… Saltita
daqui para ali sem criar laços, nem fazer ninho…por interesse… por conveniência…
porque sim… por desfastio…
Há também quem mude por
lucidez…E esses não mudam. Esses vão-SE mudando - de fora para dentro, até ao
seu mais íntimo.
De tal modo e com tal
simplicidade o fazem que a gente quase nem dá por isso. E até parece coisa
fácil…
Quando a sua Humanidade nos
aparece tão naturalmente Humana, nem sequer (nos) perguntamos quanto Silêncio,
quanto treino, quanta derrapagem sem angústia (porque a derrapar assim também
se aprende), estão por detrás desse modo encantadoramente discreto e Humano de
viver…
Por outro lado, também há
quem não mude nem SE mude: por teimosia e caturrice, por convencimento verdadeiro
de que, olhando para eles qualquer um está perante a perfeição em forma de
gente. E, depois, “Sempre fui assim! Não
é agora que vou mudar!”… “Agora não, que
ainda é cedo”… “Já estou velho p’ra
isso”… “Não sou capaz!”… “Porquê eu?
Eles que mudem!”… etc… etc…
É a preguiça, a fraqueza, a teimosia
ou simplesmente o medo a meterem-se onde não são chamados…
Desinstalarmo-nos faz morrer
muita coisa em nós… Dói que se farta sentir a areia a fugir debaixo dos nossos pés…E, depois, verdade,
verdadinha, só SE muda quem se apaixona …
É a paixão que nos faz ultrapassar
todos os limites, vencer todos os medos, saltar todas as barreiras, abrir os
braços aos ventos e respirá-los sem medo…mesmo sem saber para onde nos vão
levar e, quem sabe, ser raiz de mudança, nas estruturas de comodismo e “não te
rales”, das estruturas de pecado, de escravidão e desastre que minam a
sociedade e os mundos que habitamos insistindo em querer esvaziar-nos no mais
íntimo...
Só gente apaixonada é capaz
de encher de aventura, deslumbramento e brilho os dias mais embaciados. De pequenas/GRANDES
MUDANÇAS os dias mais iguais.
Pena que nem sempre nos
consintamos esse privilégio, preferindo navegar em águas mornas e sem ondas. Na
família, na religião, na sociedade… Até compartimentamos tudo que é para ser mais
fácil viver uma vida arrumadinha… encaixotada… sensata…normal…
Apaixonar-se não é para fracos nem para medrosos… ISSO é
para gente que, por entre pequenas e simples experiências de Liberdade se vai
fazendo LIVRE ao jeito do Homem Novo - sem resguardos nem reservas… sem medo das dores que acompanham todas as
mudanças que, como metamorfoses, nos rompem pele, tecidos,
veias, irrompendo em VIDA NOVA.
Então, um Sol sempre Novo nos
surpreenderá em cada Amanhecer… E o Horizonte será sempre a
perder de vista!
Escrito por Glória Marques e publicado em http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/02/e-por-falar-em-mudancas.html
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