Que estranho desajuste é este que se meteu em nós desequilibrando-nos os dias de tal modo que, mesmo andando sempre a correr e a “contra relógio”, sempre a “cem à hora”, sempre esbaforidos, chegamos sempre atrasados!?
Comemos a correr. Cumprimentamo-nos a correr. Não nos oferecemos tempo para ouvir. Para calar. Para olhar nos olhos de alguém e neles nos revermos, no melhor ou no pior de nós… Amamos a correr…
Na estrada, e na carreira profissional é nossa a faixa de ultrapassagem.
A impaciência faz-nos colar o dedo às campainhas das portas:- “eles hão-de abrir!”…
Pressa e impaciência, são a tónica da des-harmonia do nosso tempo… São a dominante des-compassada dos nossos dias…
Por isso, des-concertados por dentro, perdidos do com-passo, vivemos cada vez mais sós, cada vez mais apressados, cada vez mais atrasados… vivemos cada vez menos…
Com medo de envelhecer, envelhecemos precocemente e sem Grandeza. A impaciência envelhece, eleva a pressão arterial, desgasta-nos sem proveito…
Quando nos convenceremos de que, na verdade, não podemos nem devemos ter tudo, chegar a tudo, estar em todo o lado ao mesmo tempo?
Olhemos a Natureza. TUDO na Criação chega a seu tempo. Nada amadurece antes dele:
- A fruta, colhida antes que amadureça ou não sabe a nada ou é amarga. E não faz bem à saúde…
- O trigo colhido antes do tempo apodrece nos celeiros…
- E a Vida, essa, como um rio que flui imparável, irá, por certo, mais dia menos dia, dar ao Mar…
Que nesse dia a nossa Vida seja como um RIO FELIZ a espraiar-se Sereno, Feliz por ter chegado finalmente ao seu FIM - ao Amor Pleno que, sem Se impacientar ou impor pressas, nunca Se cansou de nos convocar para poder espelhar-Se em nós e nós nEle. Desde o primeiro dia…
Escrito por Glória Marques e publicado no http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/03/desde-o-primeiro-dia.html?spref=tw
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