quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AS DIFERENÇAS ENTRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE


"Linha sacerdotal e linha profética


A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que devem fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade convida-te a pensar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade diz-te: "aprende com o erro".

A religião reprime tudo, faz-te falso.
A espiritualidade transcende tudo, faz-te verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião procura-te para que acredites.
A espiritualidade tu tens que a procurar.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade procura o sagrado em todos os livros.

A religião alimenta-se do medo.
A espiritualidade alimenta-se na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião ocupa-se com fazer.
A espiritualidade ocupa-se com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade faz-nos Transcendê-lo.

A religião faz-nos renunciar ao mundo.
A espiritualidade faz-nos viver Deus, no mundo.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade faz-nos viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura a nossa memória.
A espiritualidade liberta a nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade faz-nos consciente da eternidade da vida.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus no Nosso Interior aqui e agora."


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Reportagem com: Anunciação Velho



Neste dia, 03 de Dezembro, comemorou-se o dia da Pessoa com deficiência. Estou incluída nesse grupo, tenho deficiência visual.
Não é isso que me faz parar, pelo contrário, tenho realizado mais sonhos nestes últimos três anos do que no restante da minha vida, 43 anos.
Ao falar pela primeira vez em público, algumas coisas ficaram por dizer, coisas importantes e que me sinto na obrigação de partilhar com vocês.
Se as pessoas tivessem todas a possibilidade de acesso aos equipamentos necessários, á sua deficiência, então poderia ser tudo muito mais fácil.
Mas para a aprendizagem da grafia Braille, uma régua, uma máquina e papel, são o suficiente para se avançar para a aprendizagem.
É muito importante aprender Braille, é sinónimo de independência, de autonomia e acessibilidade mais fácil á informação.
Nós podemos ter sucesso em variados sectores, não querendo esquecer ninguém, conheço formadores, professores, músicos, administrativos, telefonistas, secretárias, profissionais da rádio, escritores, músicos, advogados, dirigentes associativos, desportistas, psicólogos, tiflotécnicos, vendedores, cantores líricos, massagista e recentemente formou-se o primeiro engenheiro.
Acredito sinceramente que as mentalidades estão a mudar, ainda que lentamente, mas vão no bom sentido.
Somos pessoas válidas, com as ferramentas necessárias, conseguimos chegar longe!
Visitem e apoiem a ACAPO, uma associação que se destina a integrar, formar e apoiar os deficientes visuais.

Anunciação Velho



Minha querida colega e grande amiga,
Ao ler as tuas palavras, onde dizes que já realizaste mais sonhos nestes últimos três anos do que nos restantes da tua vida, pensei: "Já somos duas"!!! :) Está-se a tornar indescritível a descoberta que tenho vindo a fazer nestes últimos anos da minha vida.
Olha, a propósito, conheces aquela passagem do evangelho de Jesus, que cura um cego? Acho que também nos curou a nós, não sentes isso? Eu sinto.

sábado, 21 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Oração de são Francisco

Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz:
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais,
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar que ser amado,
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um "presente" para F,C,B...

Todos sabemos que “experiências não se transmitem”. Todos sabemos também que “a partilha de experiências pode alargar os nossos horizontes de ser”. Assim, esta minha partilha não pretende ser a “transmissão” daquela minha / nossa experiência vivenciada no final do Curso de C.S.M. Pretende sim pôr aqui nesta “mesa comum” aquilo que captei, senti, pensei, guardei naquele dia, naquela hora, naquele contexto.
Era o último encontro dos Pequeno Grupos, também chamados Grupos de Diálogo. Algum tempo antes do encontro houve uma explicação do que se pretendia: Durante X minutos, em silêncio e fora das salas, cada um prepara um presente para dar a cada um; uma coisa visível, palpável, escolhida a gosto mas não comprada, para a seu tempo ser entregue a cada um. Com uma explicação individual do significado daquilo que se lhe dá. Sempre na mira de salientar algo positivo da pessoa a quem é dedicado aquele presente.
Iniciado o encontro e feito o enquadramento, cada um fez a partilha do seu sentimento dominante naquele contexto - final de um curso intensivo sobre o Conhecimento de Si Mesmo. Um a um, todos puderam ir à frente para receber de todos o que cada um tinha preparado para ele. E também, cada um na sua vez, ir à frente para dar a cada um o presente que para ele preparou.
O que naquele Pequeno Grupo vi e ouvi pertence já ao mundo do inefável, do indescritível. Mas tudo me ficou registado nas doces memórias do coração. A dar mais vida à minha vida. E, quando chegou a minha vez de dar voz ao eco interior de uma tal experiência, não me contive e deixei correr uma lagrimazita de comoção... E a voz que lhe dei foi esta: - Houve alguém que disse o “quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães”... Neste momento, aqui e agora, apetece-me é dizer: Com todo o respeito pelos cães, quanto mais conheço os homens mais me encanta este mistério que habita cada um de nós. Um mistério de graça, de beleza, de poesia, de ternura, de encanto, sempre à espera de uma oportunidade como esta para se revelar. Obrigado.
Tudo me faz lembrar aquele relato em que os discípulos queriam saber coisas sobre o mestre – o que fazes, onde moras, como vives, ...


– Vinde e vede! foi a resposta.


Abel Magalhães, presidente do Telefone da Esperança

domingo, 8 de janeiro de 2012

O CORAÇÃO HUMILDE DO HOMEM NOVO

É bom saborear a arte e as atitudes que modelam o coração do Homem Novo cujo alicerce é Jesus Cristo. Eis algumas dessas atitudes fundamentais:

O coração do Homem Novo torna-se acolhedor e fraterno.
É tolerante e por isso não está sempre a culpar os outros das suas insatisfações e fracassos.
Sabe aceitar as próprias limitações e procura realizar-se com os talentos que tem.

Por ser humilde, o Homem Novo, é verdadeiro em relação a si e aos outros.
Parte do princípio que uma pessoa, para se realizar, precisa dos outros.
Compreende o mistério da pessoa cuja plenitude não está em si,
mas na reciprocidade da comunhão.

A pessoa que não aprende a escutar o irmão e a aceitá-lo como ele é
nunca será capaz de moldar um coração de Homem Novo.

As pessoas demasiado enredadas no seu egoísmo
apenas conseguem escutar-se a si próprias
e, portanto, nunca conseguirão sintonizar e comungar com os outros.

A pessoa humilde reconhece os seus erros e sabe
que só o amor é capaz de curar as feridas do pecado.

O Homem Novo não está sempre a julgar os outros.
Na verdade, as pessoas que estão sempre a olhar os defeitos dos outros,
normalmente estão a projectar os seus defeitos nos irmãos.

Jesus disse que do coração humano tanto podem emergir projectos de amor
como decisões e projectos de morte:

“O que sai da boca provém do coração e isso pode tornar o homem impuro.
Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições,
os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias.
Tudo isto torna o homem impuro” (Mt 15, 19-20).

Visto sob este prisma, o coração corresponde ao nosso conceito de livre arbítrio,
isto é, a capacidade psíquica de optar pelo bem ou pelo mal.

O Homem Novo relaciona-se com os irmãos de modo amável e sereno
vivendo já a bem-aventurança prometida por Jesus aos mansos:
“Felizes os mansos porque possuirão a Terra” (Mt 5,5).

Ao declarar os mansos como possuidores da Terra,
Jesus queria dizer que os mansos são possuidores de paz e serenidade em todo o lado.
Na verdade, a amabilidade desmonta a violência e a agressividade
com que os outros pretendem, por vezes, agredir-nos.

O Homem Novo tem a gentileza de dar a primazia a uma atitude
que ajuda a moldar um coração atento e fraterno.
Saber reconhecer os momentos oportunos para falar
e as melhores ocasiões para escutar é sinal de sabedoria.

É um excelente sinal de amor e humildade
saber evitar argumentos inúteis que só servem para exaltar os ânimos.
A capacidade de reconhecer quando o outro tem razão é um excelente sinal de humildade.

O Homem Novo sabe que ao romper com o amor está a romper com Deus,
pois Deus é Amor.
O Homem Novo faz do amor a Deus o rochedo sólido para edificar a sua casa,
sabendo, no entanto, que o amor a Deus passa sempre pelo amor aos irmãos.

O Homem Novo cultiva a arte de facilitar a realização dos outros,
sabendo que o importante é aceitá-los por eles serem o que são
e não por fazerem o que ele gostaria que fizessem.

Nos seus diálogos, o Homem Novo tenta comunicar
sempre numa linha de verdade e autenticidade.

No trato com os irmãos, o Homem Novo não está sempre a olhar
só para os seus interesses pessoais,
mas é capaz de ajudar os outros com o seu ter e o seu saber.

O Homem Novo reconhece que os outros são um dom de Deus,
pois são mediações para se realizar e ser feliz. Na verdade, ninguém é feliz sozinho!

O Homem Novo sabe que sabe que só poderá fazer da Família de Deus com os outros.
Na verdade ninguém se salva sozinho.

O Homem Novo tem uma grande capacidade de sintonizar com os outros,
pois sabe que não é bom em tudo e por isso presta grande atenção ao que eles dizem e fazem.

O Homem Novo mostra-se agradecido quando se apercebe
que os outros estão a ser atentos e respeitadores da sua diferença e originalidade.

As pessoas que tentam controlar e manipular os outros
nunca conseguirão ter um coração de Homem Novo,
pois estão a impedir que o outro possa emergir como pessoa livre, consciente e responsável.

Amar os outros, apesar dos seus defeitos, é amá-los ao jeito de Deus.
O Homem Novo é leal e verdadeiro, por isso se alegra
com os sucessos dos outros como se fossem seus.

Por ser humilde, o Homem Novo não alimenta ressentimentos ou planos de vingança.
O homem Novo não é um dominador nem um possessivo,
pois sabe edificar sobre a gratuidade.

As pessoas que dão coisas para amarrar os outros nem são felizes
nem são capazes de ajudar os outros a emergir como pessoas livres, criativas e felizes.

O Homem Novo entende muito bem as palavras de Jesus
que pede aos discípulos para o imitarem, tornando-se mansos e humildes de coração.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Conhecimento de Si Mesmo




Aqui está de novo o Abel deslumbrado a partilhar mais uma Boa Noticia a acontecer entre nós.

O que ele descreve começou ontem, mas continua hoje e dura até domingo.


Gostei de ver gente nova, com uma expressão no olhar como de quem ESPERA...


Ao reviver a minha primeira e mesma experiência há 16 meses, senti nitidamente naqueles olhares, o mesmo que eu. É uma sensação única que só quem descobre sabe. É um deslumbramento interior que nasce e que só o Silêncio é capaz de mostrar. Quase que posso adivinhar a evolução expressada nesses olhares, durante estes dias até ao final do curso. É tão gratificante estar em sintonia com esses corações, é mesmo bom perceber sem ser preciso perguntar nada, porque já o experimentei e continuo a experimentar. Sim, porque a descoberta de Si Mesmo não acaba com o final do curso, nem com o aprofundamento do mesmo, mas sim o ponto de partida...


"O Conhecimento de Si Mesmo

Ontem começou uma nova edição do Curso de Conhecimento de Si Mesmo – o primeiro do Programa Integral da Formação de Agentes de Ajuda. O grupo não é tão grande como gostávamos que fosse mas, somado a quantos já o precederam, conta-se já pelas centenas o número de pessoas que passaram pelo T.E. para se conhecerem melhor. Na mira de, algum dia, poderem ajudar outros a descobrir os seus tesouros escondidos.
Esta é a riqueza e a pobreza do T.E. Riqueza, porque ajuda a abrir portas que levam ao “tesouro” que enriquece a todos; pobreza, porque as portas do coração só se abrem a partir de dentro. E aí não há T.E. que chegue... Aí, cada um é que tem de fazer esse trabalho que ninguém mais pode fazer por ele.
Entretanto, se nos é permitido falar em saldo, podemos dizer que este trabalho voluntário de entrega a esta Causa do Outro é altamente compensatório. O entusiasmo que se respira, os testemunhos que se ouvem e os pequenos nadas que sempre acontecem num grupo destes falam bem alto. Falam de que as crises (...) se vencem bem com toda esta alegria partilhada.
Já antes de deitar, registei isto – para que não se perca: a) Houve gente que veio mesmo só para estar connosco, a acolher e dar força aos novos que vinham pela primeira vez. E vi-os de V. N. de Gaia, de Canelas e de Espinho. Bem hajam. É graças a estes contributos de cada um que o T.E. avança. b) Porque o jantar é feito do que cada um traz (o horário não permite mais), dá gosto ver até onde vai a generosidade e a arte de cada um se dividir para multiplicar... A mesa comum fala de que ainda há muitos que já sabem que ser eu é também ser outro...
Só este pormenor: Porque a noite era fria, um casal que já passou por esta experiência quis aparecer com os filhos e uma grande panela de sopa quentinha para todos.
Que forma linda de educar para o exercício da vida. Obrigado."


Abel Magalhães