sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A CASA VAI (Foi!...) A CASA (II)



(e a festa aconteceu – tb no T.E.)
Foi na 3ª feira passada – 22 de Novembro, entre as 15 e as 17h. Naquele espaço aberto que mais parece um “salão nobre” – da Estação de S. Bento. O espectáculo em si não terá durado mais de 45 minutos. Mas o antes e o depois também entraram na festa. Muito merecidamente. Porque o público começou a juntar-se para ver o que vai sair. E, depois, o público (sobretudo estrangeiros) ainda ficou - a fazer fotos com os “artistas” e a querer saber o que era aquilo... – Teve algo de mágico, comentava alguém. E foi mesmo. Um grande momento mágico que vai ser ponto de partida para a descoberta de novas formas de experimentar e de expressar a vida da nossa Cidade Invicta.
Como referi em A CASA VAI A CASA (I), o eixo estratégico da política cultural autárquica do Município do Porto é a sua ligação à vertente educativa, ligada à Fundação Casa da Música, destinada especialmente a públicos escolares e seniores. E foi assim que o Telefone da Esperança, vocacionado para aliviar a dor dos que estão a braços com uma situação de crise emocional, se viu presenteado com uma oportunidade que queremos saber colher e aproveitar bem.
Os dois experts designados pela Casa da Música para pegar no projecto referente às três Instituições Particulares de Solidariedade Social aí designadas, foram, de casa em casa, ver as capacidades próprias de cada uma: a) o Centro Social da Sé – que tem um coral de idosos; b) a Obra Diocesana, que tem um grupo juvenil de bombos e c) o Telefone da Esperança, que (ainda!...) não tem nada, mas tem já muita gente nobre que com ele trabalha para Cuidar a Esperança...
Recolhida a informação, ouvidas as partes e pegando na matéria prima existente, os dois experts da Casa da Música, juntando o que das três Instituições foi possível juntar, levantaram um espectáculo verdadeiramente intergeracional que vai ficar gravado na memória de quantos souberam parar, para escutar e ver / ouvir... Vozes e instrumentos de todo o género e feitio, expressão corporal a mais variada e aliciante, com músicas do povo e/ou de sabor sanjoanino. O espectáculo foi nascendo. Desde os movimentos subtis da Biodanza da Ana Maria Silva, os cavaquinhos da Amélia e do Marquês, o acordeão, a guitarra eléctrica, as guitarras clássicas, os violinos e o órgão eléctrico até aos bombos e chocalhos variados. Tudo harmonizado por quem sabe de música e bem coreografado, foi servindo para fazer nascer a festa que ali aconteceu. Com verdadeira magia – essa coisa inefável que faz do homem um ser de transcendência, tantas vezes ignorada.
E o público não se fez esperar nem se fez rogado. Aplaudia, ia entrando na roda, fazia coro connosco - no canto, na criação de sons de expressão corporal bem ritmada. Conforme as propostas dos animadores e imaginação própria de cada um, a pouco e pouco, aquele “salão nobre” mais parecia um arraial em que a alegria jorrava dos quatro cantos da casa, escorria de mão em mão e afagava coração a coração.
Fico-me a olhar. Ouço comentários de elogio encomiástico – Isto é mágico! . Detenho-me na graciosidade daqueles corpos em movimento. Alguns já idosos mas ainda bem flexibilizados – o que lhes aumenta a graciosidade. Registo a expressão angélica que irradia no rosto de cada um. E concluo: ora aqui temos uma verdadeira tarde eutrapélica. Isto é, uma tarde social em que a cura pelo bom humor, pela descontracção, pelo soltar natural da alegria de viver, pela festa da vida, fez com que a educação para o exercício da vida fosse acontecendo ali muito naturalmente...


Abel Magalhães


terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Deus não faz milagres, dá-nos é a possibilidade de os fazer"



Antes de começar com a minha partilha, devo dizer que a frase que citei a intitular o post, foi partilhada a semana passada por uma companheira em contexto comunitário. Tocou-me profundamente pelo sentido que ela lhe deu e pelo eco que faz em mim no concreto da minha vida.

Como já referi no post anterior, vou partilhando a experiência que vou vivenciando no meu processo de reabilitação. Para além do que já referi acerca da Terapia Ocupacional e Orientação Mobilidade, já iniciei também uma aprendizagem interessante no âmbito de Actividades da Vida Diária (AVD) e Estimulação Sensorial. Entre tantas e tantas coisas que posso aprender durante todo este processo, na minha primeira sessão, comecei por reconhecer as moedas. É muito simples, mas não deixa de ser interessante, para quem não sabia, descobrir que pelas características de cada uma, se podem tão bem identificar... é só uma questão de memorizar e treinar. Diverti-me muito com esta aula. A Formadora, depois de me ensinar, fez-me fechar os olhos e foi-me passando uma a uma para ver se eu as identificava correctamente. Baralhava-me de propósito para me testar, mas correu muito bem e foi muito giro! Para além disso, descobri que com esta e outras experiências, tenho o tacto bem apurado e a memória também não está nada mal :)!

Quanto à aprendizagem em Orientação e Mobilidade, tudo tem corrido muito bem. Só agora e já na recta final, estou a sentir mais dificuldade... talvez por, só agora, estar a dar-me conta de que na realidade tudo está é a começar... Para vos dizer a verdade já tive vontade de parar, mas não o faço. Não o faço por mim e principalmente pelos que me amam. São eles que me dão força para continuar porque acreditam que sou capaz. Os entendidos nesta área, dizem que é normal que me sinta assim.... (Acontece o mesmo a todos os que passam por este processo). Procuro aceitar isto com serenidade, ser tolerante comigo mesma, sem exigências no tempo. Sobretudo respeitar e aceitar esta evolução ao meu ritmo, seja ele lento ou não.

"Este é o passo mais difícil deste processo, porque é um assumir total da realidade. Mas quando o conseguir dar, vai ser tudo mais fácil!" Só me falta dar este passo para que efectivamente, assuma em mim o que vivo no mais concreto dos meus dias. "Não vai deixar de ver o que vê, vai é conseguir fazer o que não conseguia!" Não quero pensar agora se vou ou não conseguir, quero só pensar que será muito útil para mim no momento em que me sentir preparada e o necessite.

"Levanta-te e anda" é isto que Jesus me vai sussurrando, quando me dá na tentação de dar ouvidos à preguiça. É a voz Dele que fala mais alto e me faz lembrar de olhar para trás e ver do que já fui capaz...

"Fazer balanço e balançar." Esta foi a proposta dada em missão aos cristãos que Celebraram o último dia do ano litúrgico. Que o Bom Deus me ajude a balançar da mesma forma que me tem dado gozo fazer balanço. Quero continuar a ser capaz de saborear a Vida como quem espera, cuida, cultiva, alimenta...

Sou muito feliz!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os “colibris” do T.E.

Ontem, no T.E., terminamos mais uma edição do Curso de Crescimento Pessoal – o n º 2 do Plano de Formação Integral de Agentes de Ajuda. Em termos de quantidade, foi um grupo bastante pequeno – 13 pessoas. A contrastar com a qualidade que cada um dos participantes foi revelando ao grupo, à medida que se iam desenrolando as palestras e as dinâmicas próprias deste Curso. Atingimos um nível de partilhas vivenciadas de um jeito tal que a todos comoveu. Realmente, a libertação dos “engulhos” que cada um traz dentro de si a impedir o seu desabrochar para a vida acaba sempre por se revelar a grande forma de dar mais vida às nossas pobres vivas - enclausuradas nas nossas histórias de sofrimento e dor.
Hoje, já em jeito de acção de graças por mais este passo dado pelo T.E., dei comigo a lembrar cada um dos que, com seu pequeno contributo, esteve na origem desta nova edição do Curso. Saltou-me, então, a lenda do colibri, (a mais pequenas das aves do Planeta em crise), que dá também pelo nome de beija-flor. Das diferentes versões que desta lenda já conheço, a que mais me encanta é esta:
A floresta deflagrou num incêndio incontrolável. Homens e animais, aflitos e desorientados, entraram em pânico a correr e a gritar em todas as direcções, não sabendo já que mais fazer. Só o colibri, atarefado mas sereno, parecia saber o que havia que fazer, naquelas circunstâncias: Ia a um charco de água onde o fogo ainda não era, mergulhava e vinha a correr onde o fogo parecia mais ameaçador. Aí, batia as asas, tentando atirar para o fogo o máximo de água que conseguia trazer.
Deus, comovido, ao ver todo aquele afã, ter-lhe-á perguntando: - Diz-me, colibri, será que tu acreditas que, com esse teu trabalho todo, vais conseguir apagar o fogo?!... Aida sem parar, o colibri respondeu: - Não, Senhor. Não. Mas nem penso nisso. O que eu devo a esta floresta, onde nasci e cresci, o que lhe devo é de tal ordem que não posso deixar de fazer o que está ao meu alcance fazer. Tenho vivido aqui momentos de verdadeiro encantamento e de acção de graças pelo dom que ela tem sido para todos nós. Com a Tua ajuda, Senhor, alguma coisa hei-de conseguir.
Olho o T.E. Revejo as nossas múltiplas actividades. Sei que uma Direcção, por muito competente que seja, jamais conseguirá acudir a este fogo de Amor por esses que, nunca tendo tido uma oportunidade para entrar num Curso de Crescimento Pessoal, sofrem porque, em cada crise, logo vêem morrer a Esperança em dias melhores.
O trabalho dos nossos colibris é indispensável. À vista de todos e/ou escondidos nos bastidores, eles estão lá. A fazer o seu papel. E é graças a eles que o Projecto T.E. está a avançar. Calmamente, mas a avançar.
Ao longo do Curso fui identificando alguns nomes, escondidos na cozinha, sob a capa do S. Martinho da São, ou na garrafinha de pomada do Vitor, o arroz da Mila, a sopa da Ana Teresa, a jeropiga do Abel, ... E outros, na sala e arredores: Elisa, Isabel, Teresa Oliveira, Rosa, Fernanda, Manela, Irene, Teo, ...
É-nos legítimo concluir que o T.E. não é mesmo dos que nele “mandam”... É sobretudo dos que muito o amam.







Abel Magalhães

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Descoberta de um Mundo Novo

ACAPO-Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, foi uma porta aberta para mim e em boa hora! Conheci a ACAPO através de uma vontade que tinha há muito tempo, que era fazer voluntariado. Sim, procurei esta instituição com essa finalidade.
Se faço voluntariado lá? Não, Deus trocou-me as voltas de tal maneira que nem eu sei bem como contar este acontecimento.
Sou portadora de uma doença que se chama distrofia cone. É uma deficiência visual do foro genético, incurável e que tem vindo a evoluir progressivamente.
Actualmente atinjo menos de um décimo de visão. Durante todo o percurso da minha vida e com as barreiras que fui enfrentando, achava que já não havia mais nada a fazer. Por isso, simplesmente me fui acomodando à situação. Só que Deus não é passivo e faz tudo para que nós não caiamos nessa tentação por muito tempo. Ele não me via totalmente feliz, porque não me realizava como pessoa.
A vida foi-me fechando uma porta e outra e mais outra, a ponto de eu acreditar que tinha de aceitar esta realidade, já que nem o direito de sonhar sentia.

Há seis anos, tudo começou a mudar e a maior parte do que vivi a partir daí já foi aqui partilhado (para quem só conheceu este espaço agora, é só ir atrás e explorar).
Tudo começou a ser diferente, a minha vida aos poucos foi virando do avesso, com TANTO e tão GRANDE. Eu estava finalmente a viver! Foi um AMOR à primeira vista que me ENCANTOU e continua cada vez mais fecundo e com um imenso sentimento de GRATIDÃO!!!
Muito obrigada a ti, a ti e mais a ti e também a ti e mais a ti... Foi esta frente Fraterna que me invadiu o coração e derrubou todos os muros que me impediam o caminho! Foram estes Irmãos que arrancaram as ervas daninhas que impediam as flores de brotarem de dentro de mim. A minha Fé na Esperança foi nascendo e crescendo neste núcleo familiar. A minha realização pessoal foi-se construindo nesta Relação de Comunhão.
Obviamente que todo este processo na minha reconstrução humana não aconteceu do dia para a noite, foi acontecendo com muitos altos e baixos, com muitas lágrimas, lamechices e sei lá mais o quê.
Mas hoje, digo que valeu a pena!
Era preciso morrer para nascer de novo!
É assim que eu me sinto agora: RENOVADA! Ainda choro muito, mas são lágrimas de felicidade por não me caber no peito tanta Gratidão. Ainda sofro muitas vezes as "dores de parto" por cada crise que tenha de passar... Por cada luta que tenha de vencer... Por cada vitória que tenha de conquistar... Só que desta vez é com SUCESSO!
E quanto mais desafios enfrento, mais quero continuar a provar a mim mesma que os posso vencer.

E por falar em desafios, eis a questão.
Procurei a ACAPO pelo motivo que já referi acima, mas entretanto, a ideia que eu fazia desta associação era muito pobre! Por falta de informação, nunca imaginei que fosse uma porta aberta a uma possibilidade de reabilitação aos cegos e amblíopes. Para o meu espanto, na minha primeira entrevista com a Assistente Social e a Psicóloga, apontaram-me logo uma série de oportunidades das quais não perdi tempo e logo me disponibilizei.
Uma delas foi voltar a estudar; outra foi integrar-me em grupo na Terapia Ocupacional com trabalhos manuais (já faço coisas que nunca imaginei conseguir). Esta actividade para além do gozo que se vive pela partilha dos dons manuais e das vivências de cada um, tem como finalidade apurar o tacto para nos facilitar uma melhor aprendizagem do sistema braille e muitas outras coisas, assim como identificar os tecidos pela sua textura, reconhecer o dinheiro, entre outros.

Orientação e Mobilidade
É também um processo de aprendizagem que já iniciei e que o acho uma mais-valia incrível, pela autonomia que me é concedida.
Este processo engloba técnicas de protecção, exploração do espaço, técnicas de guia, uso da bengala e outros casos específicos.
Como está a ser a minha experiência nesta aprendizagem?
É isso que daqui em diante, vou começar a partilhar convosco. Não posso guardar só para mim o deslumbramento que tenho vindo a sentir por toda esta descoberta.
É uma BOA NOTÍCIA o que estou a viver e como tal, deve ser partilhado.
Não é de todo um processo fácil, pois também passo por momentos de negação ao tomar a verdadeira consciência de um assumir total desta realidade concreta dos meus dias. Mas tudo faz parte neste ou noutro processo de reabilitação. É um Caminho de Esperança a percorrer e a Conquistar. E posso-vos dizer com toda a verdade do meu coração, que cada dia é um dia NOVO, Graças ao AMOR do nosso DEUS!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Curso de Crescimento Pessoal

Este curso abre as portas ao crescimento do Ser Pessoa e ao desenvolvimento das potencialidades que todos os seres humanos têm adormecidas ou esquecidas. São trabalhados em profundidade os temas da comunicação e da interacção pessoal.

Metodologia:
Exposições teóricas, grupos operativos, exercícios de sensibilização, análise de casos, leituras recomendadas.

Local :
Na nossa Sede, sita à Rua Duque de Loulé, nº 90, 2º Esq, no Porto.

Data:
Decorrerá nos dias 10, 11, 12 e 13 de Novembro, com o horário abaixo indicado (por forma a não colidir com os normais compromissos profissionais).

O Curso inclui, após este fim-de-semana, 12 sessões semanais de 2 horas cada, em grupos de cinco a dez pessoas, para aprofundamento da aprendizagem.

Horário:
- Dia 10 - Quinta-feira das 18h às 22h
- Dia 11 - Sexta-feira das 18h às 22h
- Dia 12 - Sábado das 9h às 19h com intervalo de 1h 30m para almoço
- Dia 13 - Domingo das 9h às 14h
Nota: Na Quinta e na Sexta-feira, partilha, ao jantar, do que cada um trouxer.
Contribuição: 50 euros.

Inscrições e pedidos de informação:
email: cursos@telefonedaesperanca.pt
telefone: 222 030 707 (das 20 às 23 horas) ou 960 340 851



"Crescer "por fora" - a bio-quimica encarrega disso... Crescer "por dentro", em LIBEDADE de EXPRESSÃO PESSOAL de Ser-Si-Próprio, isso já é DECISÃO de cada um. Só que... é mais fácil decidir não decidir - para podermos depois culpar os que decidem por nós... E aí, vivemos a ilusão de estarmos desculpados - que normalmente se entende como dispensados de crescer... Por iosso é que são (ou somos?) tantos os pequenos."

Abel Magalhães








segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mãos à obra?





Olá companheiros!

É com todo o gosto que vos informo de um Pro+Jecto Sonhado e preparado pela equipa do T.E.
É um Sonho de PARTILHA de Saberes, de Dons, de Criatividade
PARTILHA da Vida, de experiências concretas
de Pessoas que, num espírito de Amizade e Compromisso,
querem ajudar o nosso T.E.
O fruto (material) dessa generosa partilha reverterá a favor do T.E, que faz 3 anos no dia 7 de Dezembro.
O fruto, que pode ser desde flores em trapilho, papel, feltros a desenhos, saquinhos de cheiro e sabonetes pintados, a quadros ou versos, será feito posteriormente em Feiras. As próximas serão na Estação de S. Bento e na sede do T.E. no Porto.
Daí que o tempo urge...

O 1.º encontro será no próximo sábado e é muito importante para:
-nos darmos a conhecer;
-definir algumas actividades concretas a realizar;
-perceber, no concreto, como cada um pode COLABORAR com o T.E. em EQUIPA.

Partilhando os nossos dons podemos Ser+!