
Nestes próximos dias vou limitar-me a partilhar um conjunto de textos escritos por quem realmente sabe tocar no essencial do essencial e no concreto dos nossos dias... pelo menos dos meus dias...
a) O Baptismo no Espírito Como Plenitude
"Os evangelhos sublinham muito claramente a diferença essencial entre o baptismo de João, rito de purificação, e o baptismo que Jesus vinha inaugurar e a que dão o nome de Baptismo no Espírito:
“Depois de mim virá alguém que é maior que eu. Eu nem sou digno de levar as suas sandálias. Ele vos baptizará no Espírito Santo e no Fogo” (Mt 3, 11).
“Depois de mim virá alguém que é maior que eu. Eu nem sou digno de levar as suas sandálias. Ele vos baptizará no Espírito Santo e no Fogo” (Mt 3, 11).
O Espírito Santo é princípio animador de relações e elo de comunhão orgânica.
É o comunicador da Sabedoria que vem de Deus e do conhecimento (Act 15, 28; 1 Cor 2, 10-12). O Espírito Santo ensina-nos (Jo 14, 26).
Consagra as pessoas humanas para diferentes missões e tarefas (Act 13, 2; 20, 28).
O Espírito Santo actua no nosso coração que é templo do Espírito:
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Cor 3, 16).
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Cor 3, 16).
O Espírito Santo é, no nosso coração, um apelo a sermos livres:
“Onde está o Espírito de Cristo ressuscitado aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).
“Onde está o Espírito de Cristo ressuscitado aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).
Jesus ressuscitado, antes de subir aos céus, ordena aos apóstolos para permanecerem em Jerusalém, a fim de receberem o Espírito Santo que os qualificará para serem testemunhas da Boa Nova até aos confins da terra (Act 1, 8).
A primeira Carta aos Coríntios diz que uma pessoa animada pelo Espírito Santo é incapaz de amaldiçoar Jesus. Do mesmo modo, acrescenta ainda, só uma pessoa animada pelo Espírito Santo é capaz de proclamar Jesus como o Senhor, isto é, o Messias ungido pelo Espírito e entronizado pela sua ressurreição (1 Cor 12, 3).
O Espírito que ressuscitou Jesus é o mesmo que faz germinar em nós a Fé e nos capacita para proclamar a Boa Nova da ressurreição.
São Paulo diz que a sua pregação não se apoia na sabedoria humana ou em palavras persuasivas.
Mas na manifestação do Espírito Santo, a fim de a fé das suas comunidades não se apoiar na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus (1 Cor 2, 4-5).
Mas na manifestação do Espírito Santo, a fim de a fé das suas comunidades não se apoiar na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus (1 Cor 2, 4-5).
Segundo a profecia de Joel, os tempos messiânicos são os tempos da abundância do Espírito:
“Depois disto derramarei o meu Espírito sobre toda a Humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão. Os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões. Naquele dia também derramarei o meu Espírito sobre vossos servos e servas” (Jl 3, 1-2).
“Depois disto derramarei o meu Espírito sobre toda a Humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão. Os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões. Naquele dia também derramarei o meu Espírito sobre vossos servos e servas” (Jl 3, 1-2).
Os Apóstolos vão interpretar a comunicação do Espírito, após a Páscoa, como a realização desta profecia de Joel (cf. Act 2, 16-21).
Os apóstolos liam a celebração baptismal da água como rito de purificação em função do perdão dos pecados.
Mas associavam a esta celebração com a comunicação do Espírito Santo (Act 2, 38).
São Paulo insiste que aqueles que não têm o Espírito Santo não pertencem a Cristo (Rm 8, 9).
Ter o Espírito Santo não significa ter uma coisa estática dentro de nós.
São Paulo insiste que aqueles que não têm o Espírito Santo não pertencem a Cristo (Rm 8, 9).
Ter o Espírito Santo não significa ter uma coisa estática dentro de nós.
O Espírito é uma pessoa cuja característica fundamental é ser princípio animador de relações e vínculo de comunhão orgânica, tanto com as pessoas humanas como com as divinas.
Ter o Espírito Santo significa ser dinamizado com o próprio dinamismo vital de Deus.
Ter o Espírito Santo significa ser dinamizado com o próprio dinamismo vital de Deus.
O Espírito Santo, diz a Carta aos Gálatas, confere um jeito especial às nossas relações, as quais passam a exprimir amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, gentileza e auto controle. Não existe Lei contra este jeito de se relacionar (Ga 5, 22-23).
Segundo o evangelho de Lucas Jesus, Ao subir ao Céu, diz aos Apóstolos que vai para enviar o prometido pelo Pai.
Os discípulos devem permanecer em Jerusalém, a fim de serem revestidos com o poder do alto (Lc 24, 49).
Os discípulos devem permanecer em Jerusalém, a fim de serem revestidos com o poder do alto (Lc 24, 49).
O Espírito Santo é dinamismo, isto é, uma força que nos impele para um jeito novo de viver.
Por isso, diz a carta aos Filipenses, tudo podemos na força do Espírito que nos anima (Flp 4, 13).
Por isso, diz a carta aos Filipenses, tudo podemos na força do Espírito que nos anima (Flp 4, 13).
São Paulo diz que o Espírito Santo, no nosso interior, vai facilitando a emergência do homem novo, configurado com Jesus Cristo.
Mas subsiste ainda em nós o homem velho. Por isso nos sentimos divididos.
Se vivemos segundo o homem velho, diz Paulo, estamos a caminhar para a morte.
Se vivemos segundo o homem velho, diz Paulo, estamos a caminhar para a morte.
Mas se vivemos estamos a caminhar para a vida eterna que culmina na nossa incorporação na família de Deus (Rm 8, 12-14). Por isso é que São João diz que temos de nascer de novo, pois o que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito (Jo 3, 3-6).
O baptismo vai gerando em nós um horizonte teologal de vida, isto é, explicita a Palavra no nosso coração, fazendo-a encarnar, realizando o que ela significa. Deste modo vamos crescendo na sabedoria que vem do alto e nos faz ver as coisas com os olhos de Deus.
O baptismo no Espírito capacita-nos para vivermos ao jeito de Jesus como diz a carta aos Efésios:
“No que toca à vossa conduta, deveis despir-vos do homem velho, corrompido por desejos enganadores.
“No que toca à vossa conduta, deveis despir-vos do homem velho, corrompido por desejos enganadores.
Deveis renovar-vos de acordo com a acção do Espírito que anima as vossas mentes, revestindo-vos do homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 22-24).
Graças ao baptismo no Espírito Santo os mistérios de Deus são-nos revelados:
“Foi ainda em Cristo que vós ouvistes a Palavra da verdade, o Evangelho que vos salva.
Foi neste Evangelho que acreditastes e, por isso, fostes marcados com o selo do Espírito Santo prometido, o qual é a garantia da herança que receberemos no dia da redenção, para louvor da sua glória” (Ef 1, 13-14).
São Paulo encontrou um grupo de pessoas que tinham sido baptizadas por João Baptista mas que não conheciam a Boa Nova de Jesus Cristo.
Isto significa que ainda não estavam a viver o baptismo no Espírito. Paulo baptiza-os em nome de Jesus e impõe-lhes as mãos para que possam entrar na dinâmica do baptismo no Espírito (Act 19, 1-6).
O baptismo no Espírito tem início no momento em o Espírito Santo começa a explicitar a Palavra de Deus no coração da pessoa humana.
Isto pode acontecer ainda antes de a pessoa ter sido baptizada segundo o rito de purificação da água.
Foi isto mesmo que aconteceu na casa de Cornélio, um pagão ao qual Pedro foi anunciar a Palavra de Deus: “Ainda Pedro estava a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra.
Os fiéis circuncisos que tinham vindo com Pedro ficaram estupefactos, ao verem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos, pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus.
Pedro, então, declarou: “poderá alguém recusar a água do baptismo aos que receberam o Espírito Santo como nós?”. E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo” (Act 10, 44-48).
Também em Paulo o baptismo no Espírito teve início antes do baptismo de água em nome de Jesus Cristo (Act 9, 18).
O baptismo no Espírito começa a partir do momento em que a Palavra de Deus faz germinar a vida teologal de Fé, Esperança e Caridade que é o amor ao jeito de Deus.
A salvação também é para os não cristãos, mas estes não vivem o baptismo no Espírito:
“O Espírito da Verdade (revelação) que o mundo não pode receber, pois não o vê nem o conhece.
Vós conhecei-lo porque Ele está convosco e em vós” (Jo 14, 17).
Pelo baptismo no Espírito, os crentes têm um guia e um mestre que os conduz para a Verdade plena:
“Fui-vos revelando estas coisas enquanto permaneci convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-à todas as coisas e recordar-vos-à tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 25-26).
São Paulo, apesar de teólogo judeu, viveu também a experiência do baptismo no Espírito, o qual fez que lhe caísse dos olhos uma espécie de escamas que o impediam dever o mistério de Cristo:
“Então Ananias partiu, entrou na casa indicada, impôs as mãos sobre ele e disse:
“Saulo, meu irmão, foi o senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no caminho, a fim de recobrares a vista e ficares cheio do Espírito Santo”.
Nesse mesmo instante caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recobrou a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo” (Act 9, 17-18)."
“Então Ananias partiu, entrou na casa indicada, impôs as mãos sobre ele e disse:
“Saulo, meu irmão, foi o senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no caminho, a fim de recobrares a vista e ficares cheio do Espírito Santo”.
Nesse mesmo instante caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recobrou a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo” (Act 9, 17-18)."
Pe. Calmeiro Matias
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