sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Mistério da Liberdade de Leilah (5)



“Leilah vem comigo. Aquele homem é diferente de todos os outros que já conhecemos.” - dizia-lhe com uma voz desconhecida, nuns olhos que irradiavam paz, num coração cheio de esperança, nuns pés que traziam a mensagem da consolação.

A mamã olhou para Joana sem saber o que pensar. Parecia que tinha renascido. O coração da mamã tinha endurecido com a miséria em que nos encontravamos. Metia-lhe nojo a maneira como ganhava o pão, mas não tinha encontrado outra alternativa. Vender-se como escrava ou vender-nos estava fora de questão. Era maltratada, repudiada, usada, porém mantinha-nos juntos.

“Tocou-te? Queria algo contigo, de certeza! Um profeta que é profeta nunca toca em mulheres quanto mais em nós que somos impuras. Ficaria igualmente impuro. Se te tocou não é ninguém vindo de Deus...” - escarneceu.

“Leilah, olha para mim! Olha!” – pediu – “Eu acredito que o Yeshuah ben Yosef veio da parte de Yavé. Senti dentro de mim algo indescritível quando me deu a mão e me ajudou a levantar do chão. Queriam apedrejar-me. Ele defendeu-me. Nesse dia, convidou-me a ficar com o grupo deles para tomarmos a refeição. O Yeshuah tomou o pão, abençoou e disse ‘Abbá, santificado seja o teu nome, seja feita a tua vontade. Abbá, dá-nos o pão para cada dia, ajuda-nos a vivermos sempre como irmãos.’ Depois repartiu-o por cada um de nós.”

“Abbá, esse homem chamou a Yavé ABBÁ?”, perguntou muito admirada a minha mamã, e murmurava baixinho “Não é possível que haja um homem assim”...

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