segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Farolitos


A Filipa é uma menina encantadora de 11 anos, que entrou para o grupo Farol aos três anos e meio (assim como aconteceu com a minha Marianinha e outros). E este fim-de-semana nos surpreendeu por Power Point com esta linda história e tão cheia de sentido! Uma história que marca bem o progresso de um testemunho vivo neste projecto com os seus companheiros Farolitos. E pronto, mais não digo sabem porquê? Porque vou deixar o resto das apresentações com as minhas filhas e com uma amiga. Sim, amanhã vão ser elas mesmas que vos vão aqui apresentar os objectivos deste grupo e com isso dar-vos também o exemplo da experiência que viveram este fim de semana em Ílhavo.
Por isso agora e por enquanto vão saboreando esta tão terna história pela qual eu tenho um enorme previlégio de a poder colocar neste espaço!

Obrigada Filipa!!!

De aprendiz a peça de um puzzle

"Era uma vez um menino que queria ser FAROL. Então dirigiu-se ao mestre faroleiro, que estava na “Escola Iluminar”, uma escola que ensinava aos meninos a serem faróis e cujo director era o mestre.
- Bom dia, mestre. Venho aqui porque eu quero ser FAROL, tornar-me FAROL e ser FAROL para os outros.
O mestre ficou espantado porque nunca ninguém lhe tinha dirigido assim a palavra. Todos os meninos e meninas que vinham para o colégio eram postos lá porque os pais os inscreviam, e não por vontade deles.
- Muito bem! – disse-lhe o mestre – E porque o queres ser?
- Para ajudar os outros e indicar-lhes o caminho. Não quero deixar que um barco se perca à deriva no mar. Quero ser luz!
Esta frase marcou o coração do mestre. Nunca tinha visto uma criança tão convicta no seu objectivo. Este sim, seria um verdadeiro FAROL.
O mestre não lhe entregou nenhuma ficha de inscrição para preencher nem coisa assim. Apenas lhe disse:
- Rapaz, vejo o que queres. Não te entrego uma ficha de inscrição porque para se ser farol, e quem o quer ser, não precisa de uma ficha de inscrição para intervir no seu caminho.
O menino sorriu para o mestre e deu-se um silêncio em que só o olhar falava.
- Sabe, - disse o menino – o silêncio dá-nos as respostas para a vida e indica-nos o destino que só Deus sabe…
E aí terminou a conversa entre o mestre e o menino.
- Dirige-te à sala principal e lá nos encontraremos daqui a um quarto de hora. – disse o mestre – Aproveita e come qualquer coisa.
Esta conversa deu a perceber ao mestre muita coisa, incluindo a vontade e a força que aquela criança tinha e o medo ultrapassado quando ela divulgou o seu sonho ao mais sábio dos faroleiros.
O menino dirigiu-se ao bar da escola para comer e de seguida foi ter à sala principal.
Quando lá chegou viu um grupo de alunos e supôs que ia ser a sua turma de trabalho. Aproximou-se para os saudar mas, para seu espanto, a turma não se mostrou minimamente interessada por o conhecer. Mal o grupo o viu começou logo a ofendê-lo com comentários do género:
- Olha aquele meia leca! Ouvi dizer que está no nosso grupo. O pobre coitado não se vai aguentar!
- Que sentimentalista! E que tal fazeres um livro? Ah, ah, ah…!
Todos gozavam com ele, mas o menino não desistiu, porque o seu maior sonho era ser farol e a sua força de vontade não o deixaria desistir do seu objectivo.
Chegou o mestre e o seu assistente! O menino está ansioso por começar as aulas.
- Bom dia, meninos. Este ano temos um colega novo no nosso grupo. Dêem-lhe muito apoio e façam-no sentir integrado no grupo. – disse o mestre – O primeiro passo a dar é serem todos amigos. Sem isso, nada feito mas penso que vão todos dar-se lindamente, por isso vamos passar ao próximo passo. Imaginem que encontram um amigo vosso a chorar. O que é que fazem?
A. Fazem de conta que não o conhecem e passam por ele sem dizer nada.
B. Passam por ele, chamam-lhe chorão e dizem-lhe para não chorar.
C. Vão ter com ele calmamente, perguntam-lhe o que se passa e ajudam-no a resolver a situação ou a esquecê-la.
- Ó mestre, essa é fácil! – diz um rapaz com ar armante e despreocupado – Chamo-lhe chorão, assim ele aprende a não chorar por coisas desnecessárias. É obvio que é a hipótese B!
- Eu cá discordo! – diz outro rapaz que acha que é o maior – Cá para mim é a hipótese A. Faço de conta que não o conheço, assim não me meto em problemas.
Eis que o menino responde:
- É a hipótese C! Eu nunca deixaria um colega meu a sofrer só porque eu não tinha coragem para enfrentar os problemas. Eu nunca ofenderia um amigo, mesmo vendo que ele estava a passar por um mau bocado. Todos nós temos uma segunda oportunidade e todos nós nos sentimos mal de vez em quando. Não é preciso ter vergonha de chorar. Chorar faz bem ao coração e limpa a alma.
- Muito bem! – disse o mestre – A resposta está certa! É a C.
Os colegas do menino ficaram pasmados com as palavras dele e acharam que ele tinha razão, mas não quiseram mostrar o seu outro lado sensível e não se deixaram intimidar.
Passaram-se dias e, de todas as tarefas que era para fazer e de todas as questões que o mestre fazia, o menino ganhava sempre. Os colegas dele ficavam com mais inveja dele e não lhe falavam nem o ajudavam. Eles pensavam que ele estava contente por ganhar sempre, mas o menino estava muito triste por os colegas não gostarem dele e lhe terem inveja. Tinha de continuar e ultrapassar o que sentia. Como o provérbio diz: “Deus escreve direito por linhas tortas”. Tudo se ia acabar por resolver e ele sabia disso.
Na prova final, todos os meninos tinham de responder a várias perguntas afixadas no papel e, se respondessem correctamente iam dar ao sítio certo, se respondessem errado iam dar ao mesmo sítio de onde tinham partido.
O menino respondeu correctamente às perguntas, mas quando estava quase a chegar à meta ouviu gritos, como se alguém estivesse a pedir socorro. Ele, assustado, não pensou duas vezes e seguiu o som. Era um colega seu que tinha tropeçado numa pedra e caído num precipício. Estava apenas agarrado a um ramo prestes a partir e o menino não sabia o que fazer. Até que teve uma ideia! Tirou imediatamente o seu cinto comprido das calças e lançou ao seu colega. As calças caíram-lhe, mas ele não se importou. Só o queria salvar! Atou a outra ponta do cinto a um tronco firme de uma árvore e começou a puxar. Conseguiu salvar o colega e este agradeceu-lhe muito.
- Salvaste-me a vida! Nem sei como te agradecer – disse o colega – Desculpa-me de todo o mal que te fiz, da inveja que senti por ti e de te troçar. Por favor, desculpa!
- Não precisas de me agradecer. Eu fiz aquilo que deveria ter feito. Se eu não vencesse o medo que tive quando te vi, quase a morrer, jamais me perdoaria. Eu tinha de te salvar! Ah, e já agora, podes-me dar o meu cinto? É que, se não te lembras, as calças caíram-me.
- É claro! – disse o colega rindo-se.
Quando chegaram à meta, todos aplaudiram… até aplaudiram mais do que ao vencedor.
- Anda ao meu gabinete, por favor! – disse o mestre ao menino – Quero dizer-te uma coisa.
O menino acompanhou o mestre até ao gabinete da escola.
- O que tu fizeste foi muito bonito, sabias?! Esqueceste-te de ti a pensar nos outros e não te lembraste da inveja que ele sentia por ti nem de todo o mal que ele te fez – disse o mestre.
- Eu não me importei de não ganhar, mas se eu perdesse este colega por má vontade minha, jamais me perdoaria. Nunca ouviu dizer “ Pensa primeiro nos outros antes de pensares em ti”?
- Sim, já ouvi falar e essa foi a frase com que comecei o meu percurso. Ao longo deste caminho eu tive pessoas que me ajudaram, que me apoiaram, que me invejaram e uma força invisível que sempre nos guia. Foi essa força que não te deixou desistir, que venceu todo o medo e que te ajudou a salvares o teu colega. Passaste na prova e, a partir de hoje, és um FAROL.
O menino ficou tão contente que nem disse nada.
Ele foi para um coro que se chama FAROL e que canta músicas sobre Deus. Esse coro tem pessoas de todas as idades e nele reina a união e a inter-ajuda entre todos, tal como num puzzle. Isto porque cada membro da família FAROL é uma peça do puzzle e basta faltar apenas uma para o puzzle ficar incompleto e para a união e a inter-ajuda falhar. Todas elas têm uma vontade de crescer, de ser diferente, de ver o mundo a sorrir e a cantar, de ver a vida de maneira diferente e, principalmente, de aprenderem uns com os outros. Este coro quer chegar aos corações de quem os ouve e passar a mensagem e o sonho que quer viver de mão em mão. Este coro ainda hoje existe e tu conhece-lo muito bem! "

6 comentários:

Paulinha disse...

"Titi, esta história é surpresa! Não a podemos contar a ninguém até ao fim-de-semana do coro." Muito bem minha querida, podes confiar na Titi, até là ninguém saberá... Agora já a posso imprimir e fixá-la na porta do meu frigorifico, como é habitual fazer com as tuas histórias fantasticas, que exprimem imaginação, sensibilidade e uma delliciosa sabedoria!OBRIGADA POR TI FILIPA E PELA TUA MANA TAMBÉM...

Anónimo disse...

Obrigada Mila por nos dares a conhecer uma menina e uma história tão bonitas.
PARABÉNS FILIPA! Gostei muito.
Paula

Filipa disse...

Obrigada Mila por transcreveres a minha história, aqui, no teu blog. Espero que todos os que a lerem gostem dela e escrevam o seu comentário.

Sol da manhã disse...

Olá Filipa,

EU li a história e gostei muito! Que encanteis sempre todos os corações que vos ouvirem!

Um beijinho para ti Filipa, outro para ti Inesita, e outro para ti Marianinha.

ps: fico à espera dos objectivos deste grupo, tá? :D

Andreia disse...

Ai a Filipinha=)

Foi com esta história magnifica que começamos o nosso fim-de-semana. Mas sabem que mais? Melhor que esta história foi estar a receber abraços da autora o fim-de-semana inteiro.
Obrigada Filipinha por nos teus abraços me transmitires que ser farol vale a pena.
Tu sabes que eu gosto muito de ti=D

Um beijinho grande em ti e em todos os que ajudaram a dar sentido a este fim-de-semana

Rute disse...

Olá, Filipa. Tu és muito mais que um Farol, é luz. Nunca deixes que te tirem ou te estraguem.
Parabéns!
OBRIGADO pela tua partilhava.
Tu não me conheçes mas eu gostavem na de te conhecer, pode ser que um dia deste aconteça isso.
FORÇA, não estás sozinha nunca estarás.
Beijinhos Rute.
OBRIGADO Mila por mais esta PARATILHA, até porque faz todo o sentido porque tu também és LUZ.
Beijinhos Rute.