terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desabitua-te!

Já devem ter reparado, que eu de vez em quando gosto de colocar aqui textos de autores de outros blogues. E um dia, alguém me disse que esses textos também passam a ser um pouco meus, pelo facto de me terem tocado muito. Então, da mesma forma que me foram dados a mim, também os quero dar a quem ainda não teve a oportunidade de os ler. Por isso, daqui em diante, mais ou menos uma vez por semana ou de quinze em quinze dias, vou ousar da liberdade de colocar um ou outro que me tenha profundamente tocado no sentido de podermos crescer não só em estatura, mas também em sabedoria e Graça.

Desta vez, o texto foi tirado do blog Derrotar Montanhas. E na próxima? Não sei, mas já tenho alguns em mente, só não sei é se os vou encontrar, devido já os ter lido há muito tempo ehehehehe!


"Desta janela em que escrevo, vejo os comboios a passar lá em baixo, não muito longe de mim. Mas daqui quase não os escuto. No entanto, há casas que estão mesmo coladas à linha férrea. Antes, admirava-me como conseguiriam essas pessoas dormir. Agora já não. Porque falei com algumas e revelaram-me o segredo: “Nos primeiros dias ninguém pára, mas depois a gente habitua-se, já nem se dá conta”, disseram-me elas.

Eis a maravilhosa capacidade de nos habituarmos.

Mas depois, pus-me cá a pensar na nossa vida, e prefiro chamar-lhe assim: eis a perigosa capacidade de nos habituarmos. Porque o barulho dos comboios é como tudo: quando nos conseguimos habituar, deixamos de dar conta.

E vejo que nos costumamos habituar a coisas demais...

O hábito faz-nos perder a atenção dos acontecimentos, rouba-nos o gozo das novidades, e o sabor irrepetível dos dias; impede-nos de crescer.
As pessoas habituam-se a viver juntas, e deixam de prestar atenção umas às outras.
Um casal habitua-se ao casamento, e perdem o gozo do namoro. Esquecem a necessidade de se seduzir todos os dias. Habituam-se! E esquecem-se que têm que se pedir um ao outro de novo em casamento, em cada manhã.

Deixamos cair até a nossa Fé na rotina do hábito, e tudo se vai tornando estéril. Vamos cumprindo rituais, aos quais chamamos obrigações e deveres. Vamos-nos habituando a cumpri-los, mas sem percebermos verdadeiramente para que servem.

Habituamo-nos a ser o que somos, e deixamos de sonhar em ser mais.

Habituamo-nos a um ritmo quotidiano a que chamamos vida, e deixamo-nos engolir por ele. Habituamo-nos às correrias,
habituamo-nos às inutilidades sempre tão urgentes,
habituamo-nos a andar tristes.

Habituamo-nos a encher a boca de queixas e lamentos. E assim, deitamos fora a vontade de mudar e viver de novo cada dia que nos calha em sorte.

E depois… depois ainda somos capazes de dizer, com o rosto triste e um encolher de ombros desolado: “É a vida! Temos que nos habituar!”

Não, não, amigo!
Para ser verdadeiramente Vida, tens é que te desabituar!

Shalom"

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito obrigada Mila, por partilhares esta reflexão connosco!
Fatima