quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Também temos dias assim...

São aqueles dias em que nos encontramos mais tristes e angustiados. Somos humanos e temos os nossos limites na capacidade de tolerar certas coisas, que vamos intuindo daqui ou dali e que, por vezes, não correspondem nem de perto à realidade. Vamos relativizando essas questões na medida do possível e até desligamos delas se for preciso. Por outro lado, também temos aqueles casos em que sofremos porque estamos em comunhão com aqueles de quem gostamos e que não estão a passar a melhor fase da vida deles. No entanto, sentimo-nos, às vezes, inúteis por não conseguirmos contribuir um pouco para a sua felicidades, porque eles próprios não se deixam ajudar, não nos permitem o alcance de darmo-nos ... Por estas e por outras, quando damos conta, já nos deixámos possuir por um estado de situações acumuladas, que nos deixam mais fragilizados e pronto, ficamos deprimidos. Ai que dias esses... são difíceis como um raio, porque sem querermos afectamos os que vivem connosco, porque não estamos inteiros na presença deles e então lá começam as perguntas: "O que tens? O que se passa? Estás estranho/a ! A verdade mesmo, é que nestes casos não há uma resposta perceptível, estamos assim porque sim e pronto. E quando não é o silêncio a apoderar-se de nós, temos então aqueles momentos em que só nos apetece falar, falar e falar e a necessidade de quem nos escute sem nos julgar...

E felizes aqueles que encontram corações acolhedores, olhares cheios de paz e mãos carinhosas em momentos dificies. Felizes aqueles que encontram corações cheios de maturidade que ajudam a crescer, que indicam caminhos, que não têm medo de limpar lágrimas. Felizes aqueles que encontram paz no coração e nos corações, mesmo quando algo dói e magoa, mesmo quando tudo parece nublado. É em momentos destes que descobrimos quem está mesmo connosco, quem gosta mesmo de nós. E, muitas vezes, nem precisamos de nada mais a não ser que estejam presentes connosco. Nada mais.

Andei por aí a passear pela Blogosfera e encontrei nas entrelinhas deste texto, o essencial do que nós, às vezes, mais precisamos para nos erguer de novo para a Vida.


"Acolher e Escutar

É um sinal de grande maturidade não querer substituir os outros… É-o também resistir à tentação de colocar imediatamente um “penso rápido” ao outro quando nos conta algum sofrimento ou angústia… Nós temos muito essa tendência: quando alguém nos diz que alguma coisa não está bem, temos logo o impulso de lhe colocar um “penso rápido" do tipo “Deixa lá, isso há-de passar” ou “Olha que podia ser bem pior”… Há muitos “pensos rápidos” diferentes… Já fiz a experiência de muitas pessoas para quem foi importante unicamente eu estar calado! Procuraram-me porque sabiam que eu estaria calado enquanto elas falassem. Muitas vezes, é no nosso silêncio que damos ao outro espaço para se dizer, para verbalizar os seus medos e as suas angústias, para colocar fora de si os “monstros” que o habitam… Desse modo, estamos a possibilitar que todas as coisas se tornem mais claras! E mais pequenas, também... Sim, os "gigantes do coração" ficam sempre muito mais pequenos quando os conseguimos ver fora de nós próprios, quando os conseguimos colocar nas palmas das mãos com as nossas palavras e olhá-los de frente pela primeira vez... Então, costumamos aperceber-nos que os "gigantes" são bem mais pequenos que nós! Acredito absolutamente que a maior parte das respostas estão dentro de cada um! Não estão fora de si nem são uma dádiva de nenhum guru. Por isso é que o silêncio do outro é importante, porque cria um espaço relacional em que a pessoa se pode dizer, revelar, sem medos nem defesas porque sabe que não está a ser julgada, diga o que disser… E os milagres acontecem! Sinto que é mais importante ajudarmos as pessoas a escutarem-se a elas próprias do que dizer-lhes mil coisas. As nossas palavras devem iluminar as situações que as pessoas partilham, como uma porta de entrada para uma possível leitura dos acontecimentos, mas não podem ter a pretensão de resolver o problema seja de quem for! Porque as soluções, normalmente, vivem paredes-meias com as causas… E isso não está nas palmas das nossas mãos, mas sim no mais íntimo da história e das esperanças daqueles que acolhemos…

SHALOM"

1 comentário:

Anónimo disse...

Mila, cada vez mais gosto de passar por este cantinho tão teu e tão NOSSO!
E olha, amanhã é outro dia...
Um grande abraço daqueles à Jesus!
F.