terça-feira, 11 de maio de 2010

Ainda não é desta que escrevo. Não tenho tido tempo, nem disposição e nem mesmo inspiração. Mas já me agradeceram e elogiaram os textos que transcrevo aqui! Percebo que, para além de serem dignos de se voltarem a ler por quem já os conhece, são também novos para muitos e, por isso, sempre instrumento de mediação para todos. Pelo menos para mim é.
E já agora, que estamos no chamado mês de Maria, deixo este que já o li há dois anos no blog Mesmo Muito Nice e, mais palavras para quê?

Muito obrigada Maria Inês!




«1 milagre=1 velinha; 2 milagres=2 velinhas 3 milagres=2 velinhas mais 1 ligeiramente maior; 4 milagres=1 voltinha à capelinha! Done.
Sinceramente, nunca percebi muito bem o fenómeno “Maria”.
Nunca percebi os mil e um nomes, os cultos exagerados, as estátuas, as trezentas imagens diferentes, a maratona de terços em Maio, nunca percebi bem a razão de ser do terço, até. Nunca percebi porque é que o simples facto de repetirmos quinhentas vezes uma oração cujo sentido nem sequer percebemos bem é importante.
Nunca percebi Fátima, os sacrifícios, as velinhas, as construções grandiosas, o mercado que ali se gerou, onde se estampa nossas senhoras em tudo e mais alguma coisa.
Não consigo, pronto! Nada daquilo me encaixa, e às tantas quem paga é a realidade que ela é…
Ontem relembraram-me na catequese algo que já sabia mas que para mim foi, ainda assim, muito novo. Aquilo do que é realmente o pecado original, que não é a simples e suposta virgindade de Maria, que isso de a relação sexual ser um pecado que a mãe do salvador não poderia cometer é uma simples invenção própria da Idade Média…
Sim, isso. Voltou a ganhar algum sentido.
Mas pronto, olhem, ainda me faz tanta confusão… para mim, Maria só é um exemplo na medida em que mostra que é possível dizer Sim, que é possível gerarmos coisas muito bonitas em nós e para o Mundo.
O que já é uma grande coisa, o “só” ali se calhar não fica muito bem. Mas… porquê esta idolatria toda? Sim, ela é mãe, sim, as mães são importantes. Mas às vezes dá-me a sensação que as pessoas agarram-se demasiado a ela porque lhes transmite o “lado maternal” que Deus já perdeu!
E isso enerva-me. Porque continuam a pôr barbas brancas e compridas no velhinho da poltrona chamado “Deus” e a separar Dele o lado maternal que Lhe é tão característico!
Maria continua a ser a “mãe do céu”, querida e fofinha, que nos alivia as tormentas, e Deus o Todo-Poderoso que é capaz de nos castigar dos males que cometemos, como o pai que chega a casa e saca do cinto para resolver as coisas lá de casa!
Não, não me encaixa. Talvez seja injusta, talvez retire demasiada importância a Maria, porque ela se calhar até merece muita importância. Dizer sim não é fácil… mas idolatrá-la? Porquê, para quê?
Porque é que não lhe seguimos simplesmente o exemplo e começamos a gerar corações cheios do Amor do seu filho?
Porque é que não fazemos da nossa vida um constante sim, em vez de lhe pedir milagres e acender velinhas?
Eu não sei. Se calhar isto não faz muito sentido, mas é o que sinto… que ela é um bom pretexto para ficarmos quietinhos no sofá a ver os seus milagres acontecer. E depois pomos lágrimas de cera a escorrer-lhe pela face…
Não, esses milagres não me interessam para nada. Interessa-me o milagre do Sim, que esse sim, implica-nos. E parece que nos põe molas do rabo e nos obriga a levantar do sofá.
Esse milagre move… e move de tal forma que percebemos que esfolar os joelhos não é de todo a melhor forma de agradecer. A melhor forma é fazer acontecer mais milagres, e na nossa vida!
Oh, que caraças, já me esquecia. Mas esses não dão muito jeito, porque os joelhos esfolados saram mais depressa…»

5 comentários:

Anónimo disse...

bom dia!
por norma leio tudo o aqui se vai escrevendo, embora nunca comentando, tenho gostado muito...mas este...sinceramente...é verdade que muitas coisas geradas em nome de Maria, deixam muito a desejar...mas coloca-la tão sem importancia, parece-me exagero...Maria é mãe de Jesus...não nos esqueçamos disso.

Magui

Anónimo disse...

Era uma vez uma jovem que fez da sua vida um SIM!

Maria, mulher forte, grande, honrada, mãe de Jesus, é muito importante como modelo, de amor a Cristo, como o escrevias num post aqui em baixo. Foi no amor de Maria de José que Jesus cresceu com uma criança bem amada, feliz o que seguramente o configurou na sabedoria de se saber filho querido e amado, do Deus do seu povo. Do mesmo Deus, que tinha libertado o seu povo da tirania do Egipto, o mesmo Deus que ouvimos pela voz de Isaías a dizer "Consolai, consolai o meu povo", ou por Zacarias a dizer que o seu povo era a menina dos seus olhos.

O mesmo rosto que viu nascer os dentinhos ao seu filho, que O ajudou a dar os primeiros passos, que O amamentou, o mesmo rosto, o mesmo olhar O viu morrer de uma forma injusta, cruel. Que dor não a deverá ter trespassado o coração de Maria. Teve com certeza o seu papel nas primeiras comunidades. Por isso, não acredito nesta Maria a quem pagamos promessas em troca de favores. Não acredito que seja assim "um faz-me isto que eu prometo-te aquilo", "um dá-me isto que eu dou-te aquilo". O Amor não é assim! Não acredito que uma mãe goste de ver o filho de joelhos no chão pelo santuário fora em expressões de dor, seja em agradecimento, em pagamento de promessa, ou outra coisa qualquer. Não ponho em causa a verdade que existe no coração de cada um a faze-lo, porque não me compete a mim julgar ninguém, mas custa-me ver. Uma mãe seguramente não ama assim!

E como mãe babadinha pelo seu filho, só para Ele nos poderá apontar. Cristo está no meio de nós, e celebramo-lo de forma especial na Eucaristia: a sua presença real entre nós. Toda a Criação caminha para Cristo, que não se envergonha de chamar irmãos (a todos!), unidos pelo Espirito Santo derramado nos nossos corações.

E desculpa Mila, que me entusiesmei e já vai enorme a partilha :)!


Um beijinho grande e um dia muito feliz!

Anónimo disse...

Desde muito pequena que me atormentava o facto de ver tais promessas de sacrificio. Muito me questionei e revoltei sobre isso, o que fazia com que muita gente à minha volta me apelidasse de revolucionária da Igreja. Hoje, sou mulher e mãe, continuo a ter a mesma prespectiva sobre o assunto. Porém, já não de forma tão fundamentalista. Todos passamos por momentos menos bons e nesses momentos, quando vemos o perigo nos filhos, maridos ou esposas, nos pais, o que queremos mais que tudo? O que Maria quis para O Seu filho. E pelos entes queridos tudo nos dispomos a fazer. Qualquer sacrificio. Penso que nenhum de nós poderá dizer:desta água não beberei! Eu hoje continuo a dizer que não acredito que Jesus ou mesmo Maria queira tais sacrificios. Mas o que sei sobre o dia que há-de vir? E quanto a Maria, concordo com o Anónimo do 1º comentário. Não deveremos esquecer que é a Mãe de Jesus, a Mãe do Sim, a Mâe do nosso Irmão, nossa Mãe também. Quando estamos aflitos por quem chamamos? Pela mãe que nos viu nascer e não me incomoda nada dizer, pela Mãe que nos deu Jesus. Incomoda-me mais saber que há cada vez mais pessoas que A relevam para um plano tão inferior.

Anónimo disse...

Este é daqueles textos complicados, pois se o entendermos, faz-nos realmente concordar com a Magui do 1º comentário, pois como ela diz, colocam Maria tão sem importância, atrevo-me mesmo a dizer que tornam todo o Cristianismo na maior parte das vezes da mesma maneira, "uma coisa sem importância", tal é o sentido comercial, sentido de espectáculo, idolatria e passividade que lhe atribuem, que realmente nos fazem pensar assim.
É triste, mas a verdade é que a maior parte dos crentes, tem a boca cheia de palavras bonitas, mas o coração na maior parte das vezes vazio e isso é um dos grandes motivos para encher as Basílicas.
Um abraço para todos :)
Bem hajam, Mila e Maria Inês pela verdade que ousam partilhar connosco.

Shalom

victor disse...

Desculpem, falta de hábito, esqueci-me de me identificar ;)no último comentário ;)
Abraço

Victor