domingo, 4 de julho de 2010

A Primavera do Mundo Novo

Há dias, em que acordamos e parece termos a sensação de que certas coisas perderam o sentido. A tristeza provocada por coisas menos boas vai ganhando espaço dentro de nós dia-após-dia e deixamo-nos levar ...
Ergue-se, então, uma montanha que nos parece intransponível. Esquecemo-nos que é apenas mais um desafio que se nos atravessa o caminho e que o vamos vencer com a mesma perícia que vencemos os outros...

Hoje, depois de uma experiência dessas, preparei-me para ir com a minha família para a praia e, como já é habitual, levei um livro. Desta vez, o livro era novo, ainda não tinha tido a oportunidade de o começar a ler. É um livro do Pe. Calmeiro Matias que tem por título, HISTÓRIAS DE DEUS E DO HOMEM.

Enquanto o meu marido foi à água com as nossas filhas, comecei a ler e fiquei por ali a pensar:" É incrível, como nos damos conta de sinais que vêm ao nosso encontro na hora certa e no momento exacto..."

Entretanto, o meu marido aproximou-se e mostrei-lhe o que tinha lido. Leu e disse: "Estas são das coisas que toda a gente devia ler..."

Pronto, resolvi partilhar convosco, principalmente para quem ainda não conhece. Leiam e desfrutem...


A Primavera do Mundo Novo

Nesse dia resolvi deixar a vida acontecer…
Habitualmente estou muito ocupado. Não tenho tempo para deixar as coisas serem o que são.
De facto, as coisas, para serem plenamente, precisam de mim.
E eu também. Para ser plenamente preciso das coisas. Estas estão sempre disponíveis.
Sou eu que, habitualmente, não deixo as coisas serem em mim. Não tenho tempo.
Nesse dia tive tempo.
As coisas ecoam em mim palavras de beleza, de variedade, de harmonia. E eu encontrei-me comigo.
Viver humanamente não é vivido pela vida. É viver, saboreando a vida, a beleza, a verdade das coisas.
Nesse dia tive tempo para escutar o jardim da Primavera.
O seu discurso possibilitou-me um encontro comigo e com os outros homens. Por esta razão não esqueci nunca esse encontro.
a variedade das plantas, das flores, dos coloridos e matizes disse-me, naquele dia, que a humanidade não é monótona. É um jardim a florir permanentemente. Não está sujeita aos períodos do estio para florir.
As qualidades de bondade, alegria, coragem, generosidade, reconciliação, diálogo, simplicidade, doação, partilha, atenção, cuidado, encontro e amor são as flores do jardim do mundo novo.
As flores do jardim disseram-me ainda: somos diferentes, mas não nos invejamos. As diferenças de umas são condição de enriquecimento para as outras.
No mundo novo acontece a reciprocidade da comunhão.
Só pode haver reciprocidade quando existe diferença.
Sem originalidades e diferenças existe fusão, mas não comunhão.
As originalidades, no mundo novo, são sorrisos e causa de felicidade.
São condição de plenitude. Cada flor é resultado da liberdade. Na originalidade de cada flor circula reciprocidade de comunhão.
No mundo novo todas as flores são tudo. Não por fusão, mas por comunhão.
Se alguma flor se fechar à comunhão, fica reduzia a si mesma. Por esta razão está fora do tudo.
Excluindo-se do tudo, a flor perde a plenitude. Reduzida a si, é nada. Não é saboreada nem saboreia a novidade das outras flores.
É a morte. Uma flor, sozinha, não é um jardim…
E Deus é assim também. É um só, mas três pessoas em comunhão. As flores são as pessoas.
Cada pessoa é única, original e irrepetível.
As pessoas não são quadrados ou triângulos equiláteros. Não são bonecos feitos em série. Por isso são capazes de comunhão. Para ser pessoa, o homem tem de optar, decidir, comprometer-se e orientar-se na vida. Por isso é livre, consciente e responsável.
Se não escolhe e decide não é livre.
Se não decide no sentido do amor não é responsável.
Se não age com sentidos não é consciente. Procedendo assim, jamais chegará a ser humano. Não será capaz de plenitude. Não terá originalidade para partilhar.
Este homem não será uma flor do jardim do mundo novo.

1 comentário:

Isabel (Bé) disse...

É bom não é amiga, saborear e entender estas Palavras?

Obrigada por ti, obrigada por partilhares ISTO connosco e não guardares só para ti...muito obrigada por este cantinho...muito obrigada por queres ser uma flor no meio de um jardim...

SHALOM