quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A PARÁBOLA DA ÁGUIA

(James Aggrey)

Era uma vez um homem que, enquanto caminhava pela floresta, encontrou uma águia bebé. Levou-a para sua casa e pô-la no seu curral, onde rapidamente aprendeu a comer a comida das galinhas e a caminhar como elas. Um dia, um naturalista que passava por ali perguntou ao proprietário porque razão uma águia, a rainha de todas as aves e pássaros, tinha que ficar fechada no curral com as galinhas.

- Como lhe dei a comida das galinhas e a ensinei a ser como uma galinha, nunca aprendeu a voar – respondeu o proprietário – Caminha como as galinhas e, portanto, já não é uma águia.

- No entanto, - insistiu o naturalista – tem coração de águia, e seguramente, poderemos ensina-la a voar.

Depois de discutirem um pouco mais, os dois homens concordaram em investigar se era possível que a águia voasse. O naturalista agarrou-a suavemente em braços e disse-lhe: “Tu pertences ao céu, não à terra. Abre as asas e voa!”.

A águia, no entanto, estava confusa, não sabia o que era e ao ver as galinhas comer saltou e juntou-se a elas de novo.

Sem se desanimar, no dia seguinte, o naturalista levou a águia ao telhado de casa e animou-a dizendo-lhe: “Tu és uma águia. Abre as asas e voa!”. Mas a águia tinha medo do Seu Eu, do mundo desconhecido e saltou uma vez mais na procura da comida das galinhas.

O naturalista levantou-se cedo ao terceiro dia, tirou a águia do curral e levou-a a uma montanha. Uma vez ali, elevou a rainha das aves e animou-a dizendo: “Tu és uma águia. Tu és uma águia e pertences tanto ao céu como à terra. Agora abre as asas e voa!”.

A águia olhou em volta, para o curral e para cima, para o céu. Mas continuou sem voar. Então o naturalista elevou-a directamente para o sol, a águia começou a tremer, a abrir lentamente as asas e finalmente com um grito triunfante, voou afastando-se do céu.

É possível que a águia ainda lembre as galinhas com nostalgia, é até mesmo possível que, de vez em quando, volte a visitar o curral. Que ninguém saiba, a águia nunca voltou a viver uma vida de galinha.

Sempre foi águia, apesar de ter sido criada e domesticada como uma galinha.

Tal como a águia, a pessoa que aprendeu a pensar sobre si mesma como algo que não é, pode voltar e optar a favor das suas verdadeiras possibilidades.

Pode converter-se num vencedor.

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