"Estamos feitos para gostar de pessoas. Não podemos fugir disto! Pelo menos, não podemos fugir disto sem que qualquer coisa essencial em nós seja posta em causa. Estamos feitos para gostar de pessoas. Pronto, é assim. É como abrir um brinquedo para ver como funciona… a gente abre, a gente vê, a gente fica a saber que é assim mesmo que a coisa funciona! Não é uma opção… não é uma escolha que tenhamos que fazer ao longo da vida, mas é o próprio mecanismo íntimo de ser pessoa.
E nós esquecemo-nos de vez em quando disso… sobretudo quando vivemos com um ritmo em que todas as possibilidades de comunicação estão acessíveis, onde podemos estar conectados com o mundo a partir do silêncio dos ecrãs dos nossos computadores, das nossas televisões ou dos nossos telemóveis. É possível estar ligado ao mundo inteiro sem estar conectado com a vida.
Mas o coração acaba por sentir… o que existe de mais íntimo em nós acaba por pressentir e dar sinal de que alguma coisa não está bem, de que precisamos de pessoas, de carne e pele; não nos chega a conexão: precisamos de contacto. Não nos chegam as palavras trocadas: precisamos da voz, do tom, do cheiro. Precisamos de pessoas, de gostar de pessoas, e pronto, é assim que somos.
Não conseguimos sentir-nos felizes de maneira duradoura se não tivermos a quem o dizer. Não podemos viver contentes sem termos com quem partilhar a alegria. A verdade é que, isolados, somos tão pouco interessantes… Reduzidos a nós mesmos ficamos dramaticamente incompletos, como se nos faltassem peças essenciais.
Não é bom que o Ser Humano esteja só… Aquele que nos conhece melhor que nós mesmos, lá sabe o que diz e porque o diz. E faz a Sua parte, também, que é dar-nos uns aos outros de presente; Deus apresenta-nos a muita gente; Deus presenteia-nos com muita gente. E, admiravelmente, aquele que nos conhece melhor que nós mesmos e que vive para nos fazer felizes, inventa uma variedade extraordinária de pessoas para que o nosso coração se alargue.
Deus introduz continuamente na marcha humana o fio da novidade pessoal, da originalidade. As pessoas são como delicadas e fantásticas obras de artesanato: não há duas iguais! Não há pessoas Made in China, nem sequer os chineses! Todos somos obra ainda não terminada das amorosas mãos de Deus. E todos somos beijados de maneira única pelo Seu Sopro de Vida.
É por isso que uma das maiores desgraças humanas é ter aprendido a não perdoar. Encanta-me a Religião de Jesus, homem como nós e bom como Deus, que por acreditar tão bem em Deus, foi capaz de uma espantosa Fé no Ser Humano. As pessoas eram para Jesus um lugar de Fé e a História Humana era o terreno concreto da sua Esperança.
Na Religião de Jesus, se houvesse um dom para oferecer a Deus mas não se tivesse ainda tomado iniciativa de reconciliação com alguém com que estávamos desavindos, era preciso ir primeiro oferecer a Reconciliação… “Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”… Vai primeiro… Hoje andei a mastigar a beleza deste “Vai Primeiro”…
Shalom" Rui Santiago

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