Tenta, experimenta!
"Para ganhares
um belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da tua paz, um Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido ou talvez sem sentido)…
Para ganhares um ano não apenas pintado de novo, remendado às tiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até ao coração das coisas menos percebidas (a começar pelo teu interior, novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele comes, passeias, amas, compreendes, trabalhas), não precisas beber champanhe ou qualquer outra bebida, não precisas expedir nem receber mensagens (as plantas recebem mensagens? mandam telegramas?) ...
Não precisas fazer
lista de boas intenções para arquivar na gaveta…
Não precisas chorar arrependido pelas asneiras consumadas nem parvamente acreditar que, por decreto da esperança, a partir de Janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver…
Para ganhares um ano-novo que mereça este nome, tu, meu caro, tens que merecê-lo, tens de fazê-lo de novo.
Eu sei que não é fácil, mas tenta, experimenta,
consciente.
É dentro de ti que o Ano Novo dormita e espera desde sempre."
(adaptação (muito livre) de um poema de Carlos Drummond de Andrade)
Texto publicado por Glória Marques no blogue "derrotar montanhas":
http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/01/receita-de-ano-novo.html

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