quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Faz-te ao Largo




  Faz-te ao largo com os irmãos

 A travessia da nossa própria solidão leva-nos ao encontro do Outro, daquele a quem chamamos o próximo. O próximo, o irmão com tantos rostos e nomes que connosco fazem caminho e dos quais vamos ao Encontro. O irmão que está tanto na comunidade com quem celebramos a nossa Fé, como na comunidade com quem celebramos a Esperança, como na comunidade que nos ensina ir para lá dos nossos limites e a sermos todos iguais na diferença que enriquece…

Comunidade Redentorista, Telefone da Esperança e ACAPO(Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) são as três Fontes de Vida que eu mais referi neste espaço em jeito de partilha.

Todas estas experiências vivenciadas e partilhadas convergem num sentido comum. Foram portas e janelas abertas que fui encontrando ao longo de um caminho em busca do Encontro, da realização pessoal e da felicidade.

Conseguir concretizar este sonho de fazer este blog nascer e superar as expectativas também se tornou um belo Presente na minha vida, uma Boa Notíciaa acontecer. É bom saber por entrelinhas da importância que foi e ainda continua a ser para muita gente. É maravilhoso ouvir ecos de satisfação, de um “Continua!Vale a pena!”…

Pois então, vamos a isso! Daqui em diante, para além de mim, vai haver duas pessoas de cada comunidade, responsáveis na contribuição de pelo menos uma partilha por semana: Cristina Mesquita, Bé, Natacha Soares Ribeiro, Raquel Neves, Anunciação Velho e Maria João Lira. 3 Camisolas, 3 comunidades, rostos diferentes, desejos comuns, porque fazem mais sentido dar voz e espaço...

A ideia é continuar a dar referência das mesmas Camisolas que visto mas em tecido novo.

Muito obrigada a todos pela força que de alguma forma foram passando e fazendo eco em mim. O Partilho Contigo assim como o próprio nome indica, só pode fazer sentido se houver um EU e um TU.

Abraço, 
Mila



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Uns com os outros...

 Uma vez, alguém a quem eu já "roubei" textos para partilhar aqui, disse-me  isto: "A partir do momento em que lês um texto e te toque, passa a ser um bocadinho teu também.". Pois, ao ler este que se segue foi o que senti, e por isso não o podia deixar de colocar neste cantinho onde existe tanta partilha de nós mesmos.

 

Uns com os outros...

Hoje apenas quero agradecer a existência da partilha!

Não a partilha do alimento, que também ela é importante, mas a partilha que acontece quando nos abrimos uns aos outros... a partilha de nós mesmos!



Obrigada bom Deus, por nos podermos dar uns aos outros e nos mostrarmos assim... sem defesas!
É tão bom descobrir pessoas simples, que com vergonha se vão "destapando" por acharem que nada têm para mostrar ou dar...

Obrigada pela partilha que coloca o nosso sofrimento do tamanho de uma ervilha...  ou aquela partilha que nos mostra que não sofremos sozinhos... A minha dor é tantas vezes a do outro, e eu nem sei!

Tanta coisa que se encontra à distância de uma palavra!

Obrigada pela partilha que me torna "normal" e me faz sentir pertença de algo!
A partilha tem uma capacidade enorme! Resolve e trava tantas guerras! Evita tantos desmoronamentos!

E obrigada porque temos muito a aprender daqueles que sofrem.
Obrigada pela realidade da PROXIMIDADE, ESCUTA e ESPERANÇA!
Obrigada pelas pessoas disponíveis para serem aquilo que melhor sabem ser... pessoas!


Postado por Ana Ascensão no http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/09/uns-com-os-outros.html

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Caminho e a Liberdade de sermos livres



  


O ano passado, eu e o meu marido decidimos percorrer o caminho de Valença a Santiago de Compostela e, recentemente, seguimos de Santiago a Finisterra.

Fazer o caminho de Santiago é uma experiencia única e maravilhosa. Da primeira experiência tudo era novo para mim mas, desta vez, descobri que tudo continua a ser novo. É sempre diferente, são outros dias, outros acontecimentos, aventuras, novos encontros, novas histórias partilhadas, novos desafios, novas conquistas, novas surpresas… Sobretudo a liberdade de sermos livres que o próprio caminho nos faz vivenciar.

Desta vez ainda menos coisas levamos na mochila, menos nos preocupamos com o que havíamos comer no dia seguinte, onde havíamos dormir... “Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá suas próprias dificuldades. A cada dia basta o seu peso.” (Mateus 6.34) Nunca isto me fez tanto sentido como naqueles 5 dias. Concretamente experienciei situações que me levaram a fazer esta reflexão que foi uma grande aprendizagem para nós.

Este caminho permite-nos repensar a nossa vida no bom e menos bom pela beleza que tem e pelas dificuldades do mesmo. Há nele uma magia inexplicável, mesmo quando os pés não queriam obedecer, quando os ombros arqueavam, as ancas e os joelhos doíam, nada disto me fazia desanimar. Nunca senti vontade de desistir. Mais à frente havia sempre algo que nos motivava a continuar: uma linda paisagem, um peregrino que passa por nós e nos dá uma palavra de conforto, um senhor que mais além está na beira do caminho a oferecer limonada, outro mais adiante conta-nos uma história incrivelmente inspiradora… e logo parece que as forças voltam para vencer aquela subida “Rompe Pernas”que mais à frente nos depara. A seguir mais uma descida de caminho bastante irregular cheio de pedras e pedregulhos soltos que nos massacram ainda mais os músculos, enfim... Mas de mãos dadas lá fomos os dois caminhando passo a passo e rezando a vida até ao albergue para tomarmos um merecido banho e descansar!

Com os encontros e reencontros que fazíamos nos albergues, dava-nos a conhecer partilhando histórias, culturas, credos…entre portugueses, ingleses, espanhóis, alemães, holandeses, franceses, italianos, neozelandeses, marroquinos, japoneses, argentinos, etc. Todos diferentes mas com o mesmo espírito de fraternidade e união. Cada um atento ao outro. Estou-me a lembrar por exemplo de um rapaz de Barcelona que queria disponibilizar-me a cama e dormir ele no chão, por já não haver camas livres e ver-me menos bem fisicamente. Assim outros exemplos de gestos semelhantes foram acontecendo.  

Normalmente na cozinha dos albergues cada um se organiza a fazer o jantar para si ou para mais um ou dois que entretanto se conheceram, mas desta vez foi diferente: num dos dias um marroquino tomou a iniciativa de preparar uma deliciosa “pasta” com atum e fizemos festa todos juntos. Noutro albergue onde nos alojamos no dia seguinte, já é habitual o jantar e pequeno-almoço ser em comum. Os dois hospitaleiros responsáveis por esse albergue, por opção voluntária, fazem as suas férias acolhendo os peregrinos não fazendo preço, dando cada um o que pode e o que entende. Este albergue funciona com a generosidade e o carinho de cada um. Sentimo-nos em casa. Fomos muito bem acolhidos pelos hospitaleiros e também pelos peregrinos que entretanto já tinham chegado, parecia mesmo uma família que nos esperava. Logo nos libertaram da mochila, nos deram água fresca e nos encheram de mimos. Enquanto tomamos banho e lavamos a roupa já todos preparavam o jantar. Ali todos ajudam e ainda há tempo para descansar, ler, ouvir musica, dançar, confraternizar na mesa do jardim… cada um sentia-se plenamente à vontade como se estivessem em casa. Comemos todos á mesma mesa e brindamos à saúde em todas as línguas lá referidas. Pernoitamos no jardim a cantar acompanhado do som da guitarra tocada por um italiano. Naquela noite foi assim mas, por exemplo, na véspera o céu estava estrelado e os peregrinos que lá passaram olhavam as estrelas fazendo uma meditação.

Muita coisa aconteceu que não se pode transmitir por palavras. O que levamos e trazemos no coração só sabe quem experimenta.

Caminhar e fazer encontro com gente simples e bonita enriquece-nos os sentidos e tudo em cada momento da nossa vida ganha outro sabor.

Queremos continuar a fazer Caminho e Encontro!

Emília Pinto

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

AMA E FAZ O QUE QUISERES

"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se falares, falarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."
         Santo Agostinho

sábado, 20 de julho de 2013

CELEBRAR A VIDA


Quando em nós há Vida, encontramos todos os dias motivos para celebrar, basta sentir que estamos vivos… contemplar a natureza, sentir a beleza da Criação…
Há datas em que fazemos memória de acontecimentos importantes e, por isso, são mais um pretexto para celebrar. A data do nosso aniversário destaca-se pela diferença de como é lembrado e festejado de um jeito especial.
 

Adoro celebrar o meu aniversário!
 

Adoro sentir-me rodeada de gente bonita, cheia de Vida! É deste jeito que gosto de o celebrar junto dos que amo e dos que me amam.
Gosto das surpresas que os amigos ou familiares me dão, dos gestos/mimos, mensagens de carinho, dos abraços, até do Silêncio daquele olhar cúmplice que não fala e diz TANTO! Quem é que não gosta de ser mimado?!
 

Desta vez preparei uma festa em minha casa para mais de 30 pessoas! Claro que muitos mais Nomes palpitavam no meu coração com a vontade de os ter todos presentes mas… na reciprocidade da comunhão fraterna, tornamo-nos UM e isso faz-nos presentes e próximos em sintonia.
Foi um Dia Grande, marcado por experiências novas e únicas!
Entre amigos já habituados a frequentar a minha casa, outros pela primeira vez, uns já se conhecerem, outros só de nome e outros que se ficaram a conhecer… Uns quantos cegos, outros de baixa visão, outros… enfim, foi surpreendente a facilidade de integração entre si.
 

Na questão logística preparei tudo com muito carinho e estava tudo organizado, mas há sempre coisas que implicam ser feitas na hora dos convidados chegar e, a minha preocupação, para além de que tudo saísse bom, era não ser capaz de lhes dar a devida atenção. Como já referi, muitos encontravam-se pela primeira vez, o que implicava apresentações, etc. e tal. E havia ainda pessoas cegas que não conheciam os cantos da minha casa, por isso tive, sim, uma preocupação acrescida porque queria mesmo que eles se sentissem confortáveis.
 

A minha preocupação logo se tornou em tranquilidade porque visualizei a disponibilidade de cada um no sentido de se darem a conhecer, de se entregarem ao serviço como quem acolhe um irmão na sua própria casa. Foi muito bonito ver o cuidado espontâneo e natural de quem vê para quem não vê…
 

“Adorei a festa pela alegria do acolhimento, pela boa disposição.” “Parece que já nos conhecemos há tanto tempo…” “És uma sortuda! Tens uns amigos fantásticos, que nos trataram de igual para igual sem preconceitos… sentimo-nos em casa.” “Vê-se que és feliz…” Estes foram alguns entre outros ecos colhidos durante e depois da festa – pequenos-grandes sinais que se tornaram reveladores para cada um em muitos sentidos.
 

O importante é estarmos em harmonia, independentemente de sermos cegos, coxos, mudos… como um campo de flores que só é bonito porque tem todas as cores do arco-íris.

Emília Pinto

quinta-feira, 11 de julho de 2013


terça-feira, 9 de julho de 2013

"A Esperança é um Programa de Vida cheio de sentido e finalidade..."