sábado, 10 de janeiro de 2015

"Um pensamento..."


"Por vezes os momentos mais bonitos da nossa vida são aqueles que vivemos sem nos apercebermos disso, sem estarmos atentos a eles, mas que vão entrando em nós de uma forma discreta mas profunda. 
Penso até que por vezes nem nós nos apercebemos que os melhores momentos da nossa vida são exatamente os que passamos no momento presente.
Por exemplo, por vezes uma tragédia pode ser o melhor momento, uma dificuldade na nossa vida também o pode ser, porque remete-nos a um encontro verdadeiro com quem somos, o que somos e mostra-nos aquilo que mais importa. Quando somos por vezes afastados de algo que tanto desejamos, quando acordamos do nosso ego, da nossa ganância egoísta, do nosso eu, pensamos que esse é um mau momento mas acredito que é ao contrario e porquê? Pela dor que experimentamos, dor essa que cura, que nos faz sentir no verdadeiro sentido da palavra e nos acorda. Sabem quando têm os pés e braços dormentes e podem até espetar uma agulha bem profunda que não sentem a dor? Muitas vezes andamos assim, desligados, dormentes. Por isso a dor é tão importante nas nossas vidas, e o sofrimento, porque religa-nos à realidade, devolve-nos o corpo e reforça-nos o espírito. Acredito que esses momentos podem ser de pura felicidade, momentos simples, mas que nos tocam, que marcam e remarcam quem somos e o que somos chamados a ser como irmãos e comunidade.
Aproveitemos pois todos os momentos enfrentando todos os medos, receios ou dificuldades com a certeza que mesmo aí existe a oportunidade de sermos mais felizes.
Bem hajam"
Helder Oliveira

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Pegadas...

Aquela menina de cabeça baixa que ouvia e calava, que muitos julgaram, gozaram, desvalorizaram, aquela que pisaste e fingiu não sentir, aquela que imaginavas que não seria nada… Hoje cresceu e é mulher!
Essa história de ouvir e calar é passado, hoje essa criança de ontem chegou onde tu não pensavas…
Máscaras não constituem o meu guarda joias, maquilhagem não esconde o meu ser, camuflagem não faz parte do meu guarda-fatos, roupa não me define.
Sou quem sou, sou simplesmente eu!
errei ontem, hoje e tenho certeza que amanha também, não sou perfeita e estou longe de o ser, mas quer saber? Também não quero a perfeição! Adoro aquele churrasco comido a mão, aquele café da aldeia, aqueles risos altos e sem jeito, aquelas “palermices” entre colegas, adoro o que é verdadeiro e simples!
Perfeição é não pisar o risco, é vestir um “modo etiqueta”, é estar vivo e não viver!
Muitos são os que criticam, outros elogiam, uns acreditam no meu caminho, outros duvidam de todos os meus passos. Sou simples, ao mesmo tempo complicada, há aqueles que aguentam e aqueles que odeiam. Não mudo para agradar, mudo para melhorar o meu ser, por isso, lamento se não faço o teu género!
Tenho orgulho em mim, não que seja grande, mas do pouco que sou orgulho-me! Orgulho-me das minhas conquistas, sei o quanto custou cada passo, luto pelos meus objetivos, tenho em mim conquistas e derrotas, já fui forte ao ponto de sorrir enquanto os meus olhos se inundavam, já me esqueci de mim para ficar ao lado de um amigo, já caí e levantei… Mas aquilo que mais orgulho me dá é saber que em cada degrau que subi não pisei ninguém, pelo contrário, na minha caminhada existem grandes momentos e aprendizagens quer com o rico, bem vestido e cheiroso, quer com o pobre, quer com aquele senhor da rua… pois, aparências não me iludem!


Celina Parente 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Poema de Miguel Torga

"Recomeçar

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças..."

(Sugestão da Cidália Castro por estarmos no inicio do advento e no novo ano litúrgico)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A vida como a vejo

A vida…
Em cada fase um olhar e um sentir, em cada passo um caminho a descobrir, uma certeza do ontem e a incerteza do amanhã.
Uma saudade que dói, uma lágrima caída outra presa no olhar, um sorriso, um momento...
Vivemos às vezes apressados no desejo de alcançar grandes coisas, passamos surdos e cegos aos pequenos gestos e às pequenas coisas.
Olhamos para nós, reclamamos do tanto que temos sendo aos nossos olhos insuficiente, choramos tardes inteiras com as nossas dores que às vezes são tão pequenas ao lado das dores de quem nos rodeia.
O tempo passa, algumas vezes sem nos dar-mos conta… até ao momento em que sentimos necessidade de parar e olhar o sol, ver as estrelas, ouvir o mar…
Já olhei a vida vestindo-a de negro, senti o chão fugir-me dos pès, ansiei o impossível, neguei amor verdadeiro e chorei por amor que apenas era parte de mim, já recusei o que amava para aceitar o que os outros amavam, deixei-me para depois, disse não aos meus maiores desejos acreditando na ironia dos outros, já corri em busca de coisas fúteis sem me dar conta de que o tempo passava , cada dia eu era um corpo vagabundo perdendo a cada hora uma letra do meu nome, perdendo-me de mim…
E de tão perdida e estendida no chão, desejei encontrar-me, olhei para mim, para o tempo que passava, abandonei os sapatos velhos e rotos pelo tempo e já gastos pelas pegadas em falso, abandonei os lugares que me fizeram chorar, escrevi outros poemas, recusei fazer do habito um estilo de vida, recusei palavras vazias, sorrisos sem cor, gente passageira, abraços sem força, recusei tudo o que me fazia passar pela vida em vão, tudo o que me afastava de mim.
Levantei-me em gesto sereno, olhei para todos os lados, vi gente, com horas contadas, sorrindo agarradas à vida, crianças que tendo quase nada traziam no rosto sorrisos rasgados, ouvi o mar, vi as estrelas, senti o perfume das flores, ouvi os pássaros cantar, olhei-me de novo e percebi a riqueza que trazia nas mãos e a beleza do meu chão.
Percebi que a vida existe naquilo que nos enche o coração, nos mais singelos gestos, nas mais simples flores, no mais natural perfume, num simples abrir de olhos onde podemos ver o céu e a terra, nas mais pequenas coisas que temos todos os dias mas de tão naturais que são ignoramos-as, nas mais curtas palavras de quem com carinho nos espera para dizer bom dia ou boa noite…
Percebi que a vida nos pode fazer feliz se a souber-mos ver, se soubermos por vezes abrandar o passo, deixar de imaginar o futuro e aproveitar o momento, se entre o passado e o futuro soubermos parar no presente.
Os caminhos da vida são da cor que os pintamos.
Hoje continuo a chorar, a saudade doi, o tempo às vezes magoa, as pessoas desiludem... mas Hoje, mais perto de mim e certa da riqueza possuída, ao meu jeito, eu sou feliz!

 Há sempre alguém
Caminhas sem rumo
Nas encruzilhadas da vida,
De sapatos gastos
Pelas pegadas em falso,
De corpo cansado e 
Rosto molhado,
De pele escaldada pelo sol
E de coração desfeito…
Lembra-te,
Lembra-te que
Há sempre um poema
Para o destino que te trama,
Alguém que te ama
Depois de um erro,
Há sempre alguém 
de braços abertos
Para ouvir o teu sofrer,
há sempre um abrigo
para repousar a alma,
há sempre um raio de sol
em cada lágrima…
não desistas de respirar
não desejes a partida
apenas,
apenas porque não te souberam acolher .
Caminha, 
Sê tu mesmo,
Muda de direção,
Abandona os sapatos
Velhos e rotos marcados pelo tempo
Vem repousar-te,
Chora, grita ou então não digas nada
mas não deixes de respirar !
lembra-te,
há sempre alguém
e se não te lembrares
acredita em ti!
Celina Parente


domingo, 16 de novembro de 2014

Luta

 Não deixes a magoa se instalar… 
Tu és especial, 
Não te esqueças, tu és especial!
Não para todo o mundo,
Mas sim para aqueles de quem és pedaço do seu mundo!

Não permitas que a dor te invada,
Não deixes os teus sonhos adormecer,
Apenas acredita!

Esperança é o caminho para não desistir,
Fé é o caminho para acreditar,
Força é o percurso que nos leva á vitória!

Vai em frente,
Vai em frente mesmo que
O sol queime,
A chuva molhe,
O vento arrefeça,
Mesmo que na plateia te digam não és capaz,
Mesmo que as pedras da calçada se levantem
E te façam tropeçar…
Vai em frente!
Vai sempre em frente!
Mostra o quanto vale uma luta
E mesmo que ninguém saiba o real valor sem preço
Todos irão saber observar a vitória…

O caminho pode não ser o mais plano,
Em cada estrada há uma curva
E em cada curva uma direcção
E em cada direcção um obstáculo…
Dói, cansa, anseia…
Mas vai em frente!
Veste a coragem
Tu chegarás à meta final…
E o final valerá bem mais que o caminho!
Não desistir já é uma conquista
E lutar uma vitória!


Celina Parente


Caminhar descalça (que pode representar a nossa transparência) num caminho de pedras desiguais , pedras da vida, umas que queimam, magoam... outras que acaricia... Mas independentemente do chão, em frente é o caminho.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

AMIZADE


Na amizade podem acontecer maravilhas. Na medida que cada um se dá e partilha o mais intimo de si mesmo, é como a semente que cai em boa terra a qual se pode transformar numa vigorosa planta.
De não esquecermos as intempéries, as ervas daninhas, estas ultimas até têm muitas vezes função acessória e muito importante. Protegem a frágil e tenra plantinha de ventos e tempestades, ajudam-na em momentos que terá de atravessar dificuldades mas não está só, e dão-lhe luta, ajudam-na a fortalecer-se. As ervas daninhas são como um suporte, estaca mas, quantas vezes não lhe competem com o mesmo espaço, alimento, também lhe diminuem a quantidade de sol….e daqui muito podemos aprender…Quantas vezes alguns que são nossos inimigos em momentos até acabam por ser um meio de suporte contra outros inimigos maiores…
É nestas pequenas e grandes lutas, fragilidades que aprendemos a saber em que(m) confiar, aprendermos a discernir, a escolher, a estabelecer limites, a crescer.
A semente pode cair em terra boa mas precisa sempre do TEU cuidado, que cuides dela, do respeito pelo seu ritmo e, não removas a casca a sementinha pois seria como libertares o casulo da lagarta da borboleta.
Cuidar, acompanhar, fazer-se simplesmente presente são muitas das vezes tudo que se precise e nada mais.

Isabel Brandão