quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

(3ªparte do texto da Susana)

Bom dia, mais um dia, mais um bocadinho da minha história!
            
Trabalhei, como Educadora de Infância, a profissão que escolhi que abracei e que adorava, não só pelo contacto com as crianças e com as famílias, mas também porque acreditava que a minha forma de ser e de estar na vida, a minha forma de trabalhar com o grupo podia deixar uma semente boa, que mais tarde poderia nascer e florescer. Que poderia deixar algo de bom naquelas pessoas com quem lidava. Quando trabalhava, dedicava-me e fazia-o de forma consciente. Gostava de trabalhar no terreno, com e para as crianças e as famílias. Gostava de proporcionar experiências positivas e felizes aos “meus meninos”. Gostava de os ver sorrir. Gostava que tivessem tempo para brincar, para serem crianças… Sim, porque eu tive o privilégio de ser criança até muito tarde.
Hoje, as crianças nem têm tempo para ser crianças. As obrigações profissionais dos pais, assim como as exigências sociais levam as crianças a ter de frequentar uma série de actividades como o ballet, a música, a piscina, o inglês e mais um conjunto de atividades,que retiram-lhes não apenas tempo, mas também espaço interior para, na verdade, experimentarem o seu “tempo de ser criança”. Torna-se-lhes impossível APRENDER a desfrutar, a conviver uns com os outros e, particularmente, com a família (os pais, os irmãos, avós, etc.)). Ah! pois, é verdade, a sociedade tem de produzir…
Estas questões talvez sejam reflexões para outros textos. Mas no fundo tudo se encontra interligado; a sociedade somos todos nós, uma teia de relações, de pessoas que interagem entre si.Aprendemos e desenvolvemo-nos na interação de uns com os outros) É importante pensarmos que tipo de sociedade queremos para NÓS E PARA O NOSSO FUTURO…
Voltando a focar-me no assunto principal, gostava de partilhar convosco a discriminação/exclusão que senti no último ano que trabalhei na profissão dos meus sonhos. Como sabem de abordagens anteriores, sou ambliope (baixa visão). A progressão da doença foi-me trazendo dificuldades a muitos níveis. Uma delas foi na questão laboral.
CONTINUA (…)

Amanhã estou de volta!!!

                                                        Susana Monteiro

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

(Continuação do texto anterior)

Olá bom dia!

Mais um dia, mais um pouco da minha história…
(…)  A diferença, seja ela qual for é sempre apontada. Por vezes é um problema para os ditos normais, aqueles que não têm limitações físicas. Mas afinal quem são os normais?! Afinal quem são os limitados?! Não existem só limitações físicas. Existem aqueles com limitações na ALMA, no CORAÇÃO. Aqueles que não vêm para além do que os olhos lhe mostram. Aqueles que se baseiam apenas nas capacidades físicas do ser humano, na sua produtividade e no lucro que podem obter.
É importante, pensar e reflectir sobre a sociedade que todos nós ajudámos a criar, a estruturar-se.
Que sociedade estaremos nós a construir?
Uma sociedade consumista, uma sociedade baseada no TER e não no SER. Uma sociedade baseada no Eu e não no NÓS. Uma sociedade egocêntrica onde os valores da família, da solidariedade, da fraternidade, da caridade (enquanto atitude de generosidade), da justiça, da igualdade da inclusão ficam muitas vezes pelo caminho, em benefício dos interesses financeiros e o bem-estar individual. Estamos a educar e a formatar crianças para o“salve-se quem puder”... Estaremos a criar uma sociedade que não olha a meios para atingir os fins?! E na Educação/Escolas fala-se tanto da tal integração; na tal “escola inclusiva”. Trabalha-se muito bem, no papel, os valores e a cidadania, mas depois a prática é que se torna o mais difícil, ou quase ineficaz. Claro que esta responsabilidade não é só da entidade Escola. Deve ser uma responsabilidade partilhada entre a sociedade, não apenas enquanto entidade funcional do Estado, mas também cada um de nós, a nível individual e, naturalmente, a família.
(…) CONTINUA
Até amanhã!
                                                Susana Monteiro


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Integração ou Inclusão- Eis a questão

Olá amigos, esta semana vou estar cá todos os dias a partilhar convosco mais um pouco da luta que tem sido a minha vida. Luta esta que me proporciona vivências que me têm ajudado a fortalecer e a crescer e desenvolver interiormente, como pessoa. Fazem-me olhar para a vida com outra postura, a agradecer aquilo que tenho e que afinal sou capaz. A viver com serenidade. A aceitar todas as experiências como parte integrante da vida. Afinal viver é uma aventura que todos os dias nos traz novos caminhos.
Tendo em conta que o texto que partilho convosco mais uma das muitas experiências da minha vida se tornou muito longo, este vai ser publicado por fases. Ou seja, em cada dia desta semana será publicada uma parte da minha história relativas às vivências de discriminação no local de trabalho e as dificuldades que muitas vezes senti em realizar a minha profissão apenas porque sou portadora de algumas limitações.
 Antes de vos contar a minha experiência penso que seria importante fazer uma pequena reflexão sobre os conceitos de integração e inclusão e a postura da sociedade sobre os mesmos.





Descrição da imagem:
A imagem que ilustra o texto é composta por quatro círculos. Cada circuo define por imagem o que é a exclusão, a Segregação, a Integração e a Inclusão.
No círculo da Exclusão pode-se ver os indivíduos ditos normais dentro do mesmo e no seu exterior os  indivíduos com deficiência.
Na Segregação aparece dois círculos. Um maior que inclui os indivíduos normais e ao lado, um círculo mais pequeno que inclui as pessoas com deficiência.
Na integração pode-se ver dois círculos, o mais pequeno das pessoas com deficiência integrada dentro do círculo maior, o das pessoas ditas normais.
Na Inclusão todos os indivíduos estão incluídos no mesmo círculo.



Depois de ter visto esta imagem no Facebook de uma amiga senti que podia partilhar convosco a minha experiência a este nível. Já alguma vez se sentiram descriminados/excluídos no vosso local de trabalho? Eu já… E dói muito.
Estamos em 2014, no século XXI. Embora se fale muito de inclusão raramente ela acontece verdadeiramente. Ainda PRESENCIAMOS/VIVEMOS A DISCRIMINAÇÃO. Esta pode ser mascarada de várias formas. Podemos vivê-la na forma de exclusão, ou na forma de segregação, ou até na forma que nos parece mais simpática, a integração.
 E perguntam vocês! Qual é a diferença entre a integração e a inclusão? De fato, estamos num tempo de transição entre ambas e ambas se confundem permanentemente. Na verdade, a integração centra-se basicamente na capacidade do individuo com deficiência se adaptar/reabilitar, na sua capacidade, e na capacidade da sua família em ultrapassar e lutar contra as barreiras físicas e organizacionais que a sociedade lhe impõe; a sociedade apenas aceita o individuo e não cria condições adequadas para a sua inclusão.(1)
A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade, através de pequenas e grandes transformações, nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive a pessoa com deficiência.(…) CONTINUA

Até amanhã…

NOTA: (1)
Fundamentação teórica retirada de: Compreendendo os Conceitos de Integração e Inclusão ...www.todosnos.unicamp.br › ... › Acessibilidade e Inclusão ›


                                                                                                                   Susana Monteiro

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E, por falar em mudanças…

(Esta imagem representa vários móveis em cima uns dos outros: sofás, uma televisão, um telefone, secretárias, cadeiras e um candeeiro.)
 
 Há gente especialista em mudar: de opinião… de fatiota… de casa… de carro… de amigos… de amantes… Saltita daqui para ali sem criar laços, nem fazer ninho…por interesse… por conveniência… porque sim… por desfastio…

Há também quem mude por lucidez…E esses não mudam. Esses vão-SE mudando - de fora para dentro, até ao seu mais íntimo.

De tal modo e com tal simplicidade o fazem que a gente quase nem dá por isso. E até parece coisa fácil…
Quando a sua Humanidade nos aparece tão naturalmente Humana, nem sequer (nos) perguntamos quanto Silêncio, quanto treino, quanta derrapagem sem angústia (porque a derrapar assim também se aprende), estão por detrás desse modo encantadoramente discreto e Humano de viver…

Por outro lado, também há quem não mude nem SE mude: por teimosia e caturrice, por convencimento verdadeiro de que, olhando para eles qualquer um está perante a perfeição em forma de gente. E, depois, “Sempre fui assim! Não é agora que vou mudar!”… “Agora não, que ainda é cedo”… “Já estou velho p’ra isso”… “Não sou capaz!”… “Porquê eu? Eles que mudem!”… etc… etc…

É a preguiça, a fraqueza, a teimosia ou simplesmente o medo a meterem-se onde não são chamados…

Desinstalarmo-nos faz morrer muita coisa em nós… Dói que se farta sentir a areia a fugir debaixo dos nossos pés…E, depois, verdade, verdadinha, só SE muda quem se apaixona … 

É a paixão que nos faz ultrapassar todos os limites, vencer todos os medos, saltar todas as barreiras, abrir os braços aos ventos e respirá-los sem medo…mesmo sem saber para onde nos vão levar e, quem sabe, ser raiz de mudança, nas estruturas de comodismo e “não te rales”, das estruturas de pecado, de escravidão e desastre que minam a sociedade e os mundos que habitamos insistindo em querer esvaziar-nos no mais íntimo...

Só gente apaixonada é capaz de encher de aventura, deslumbramento e brilho os dias mais embaciados. De pequenas/GRANDES MUDANÇAS os dias mais iguais.

Pena que nem sempre nos consintamos esse privilégio, preferindo navegar em águas mornas e sem ondas. Na família, na religião, na sociedade… Até compartimentamos tudo que é para ser mais fácil viver uma vida arrumadinha… encaixotada… sensata…normal…

Apaixonar-se não é para fracos nem para medrosos… ISSO é para gente que, por entre pequenas e simples experiências de Liberdade se vai fazendo LIVRE ao jeito do Homem Novo - sem resguardos nem reservas… sem medo das dores que acompanham todas as mudanças que, como metamorfoses, nos rompem pele, tecidos, veias, irrompendo em VIDA NOVA.

Então, um Sol sempre Novo nos surpreenderá em cada Amanhecer… E o Horizonte será sempre a perder de vista!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

que bem que faz!

 
 (A imagem é um baby-grow, ou um pijaminha de bebé, em branco, que tem o escrito a negro "I love Tia". A palavra love não está escrita. Está representada por um coração vermelho.)

 Hoje tive uma notícia que me surpreendeu o coração e me deixou com uma sensação de novidade como nos deixam as boas notícias que nós esperamos mas não sabemos quando vão acontecer. Dei conta de um sorriso no meu coração. Um sorriso completo de uma vida que existe para além de mim mesma. O meu irmão vai ser pai. Eu vou ser Tia.  Nesse momento, deixei que o meu pensamento marcasse um ritmo livre e ele escolheu contar, desde o primeiro, até ao último, que foram 12 as vezes que me chegou o mesmo eco de boa noticia que se viria a concretizar em 14 vidas de sobrinhos e sobrinhas. 
                                             Vou ser Tia pela décima quinta vez :) :)
E é como se fosse a primeira.  A minha relação com os meus sobrinhos faz-me ser melhor pessoa. Ser com eles, qualquer um deles único de forma especial… Vê-los crescer, tomar partido por eles... Essas lindas criaturas pertencem-me por um laço que é o do sangue… corre-lhes nas veias o mesmo sangue que me deu vida a mim. No ADN transportam carga genética igual à minha… Os meus sobrinhos prolongam a minha existência. Os filhos dos meus irmãos são meus filhos também. Estremeço-os, sinto-os em mim num bem querer que se explica em abraços, histórias, cumplicidades, mimos – muitos! Os meus sobrinhos e as minhas sobrinhas são os mais lindos, os mais perfeitos… Dizem-me respeito. E correspondem a este amor. Sou a Kikinha para alguns, a Tia Kika para outros… Correm para o meu colo, todos, por igual, cada um no seu tempo, ao seu jeito… mas todos vêm aqui parar um pouco junto a mim. E eu cheiro-os… Cada um tem um cheirinho a família tão bom… Eu sinto o seu cabelito, as mãozinhas, que crescem com uma rapidez que me consola… Penso com os meus botões:  Olha… também podias ter feito a mesma coisa, ter tido assim mais um ou dois... Eu fiquei-me por um que, claro é o mais lindo do mundo e o filho perfeito! É uma companhia formidável, tem uma paciência no seu ser filho que me comove diariamente… Rico filho! E também é perfeito porque tem os primos e as primas mais encantadores mais fofinhos e fofinhas, do universo, enquanto quiserem ser, claro… Depois podem adolescer e ser palermas como os adolescentes são que aqui a tia Kika sabe que aquilo passa e quando os pais não estão a ver, diz-lhes sempre que eles é que têm razão, que o mundo é mesmo uma m*** e que eles é que sabem tudo e tudo! E não é verdade? E curamos as valentias dos males deste mundo num Mac Donalds qualquer, ou num prato de bolonhesa ou carbonara, na minha casa. Ou então a rir e a dizer asneiras como se não houvesse amanhã. Eu com as minhas sobrinhas vou ver os filmes de todos os Morangos com Açúcar do mundo e arredores e sinto que estou a crescer mais do que se estivesse numa palestra no CCB… Com as minhas sobrinhas adolescentes eu espero numa fila de bilheteira de cinema num Shopping que chegue a minha vez de ser atendida para comprar os bilhetes do filme que para elas é muito mais que isso. Vão poder contar na escola que foram ao cinema ver Os Morangos quase na estreia e vão poder contar o que viram… ou não! Elas é que sabem, porque elas sabem tudo! E nem sequer precisam de dizer que foram com a tia-mais-linda-do mundo. Isso não interessa nada! Ser tia é uma das poucas  melhores coisas do mundo. Não sei se é assim para todas as tias do mundo. Mas para mim só assim é que se é tia. Sendo toda. Na saúde e na doença, na riqueza e na tristeza, todos os dias da nossa vida e até que a morte nos separe. Ter sobrinhos não tem fim. Não tem prazo. Ser tia é ser mais feliz. É ser mais pessoa. É ser mais! De cada vez que sou Tia é a primeira vez que me acontece poder de novo ser a melhor do mundo para alguém. 

Cristina Mesquita De Oliveira
https://www.facebook.com/cristina.m.deoliveira

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

É terapêutico!


Precisamos de estar com crianças e com velhos...
Para não nos esquecermos do nosso Princípio e Fim!

As crianças vão para as creches, os velhos para os lares...
E perdemos uma quantidade de aprendizagens naturais.

Depois... deprimimos!
Não sabemos como vamos viver...

Porque não percebemos como as crianças sabem viver, sem "nada saber"... Não nos lembramos de que também já fomos frágeis assim... e vivemos bem com isso!

Porque não percebemos como os velhos conseguem e conseguiram chegar àquela "esperança" de vida"! Não nos lembramos de que para muitos a esperança tem anos e muita sabedoria!

Os velhos são aqueles que nos dizem como vamos conseguir e as crianças aquelas que nos lembram como já conseguimos! E é ao nos afastarmos e ao nos escondermos deles que estamos a enganarmo-nos daquilo que somos capazes... E daquilo que somos feitos!

Porque de criança e velho cada um de nós tem um pouco!
( e tanto um como outro têm tantas histórias para nos contar... à sua maneira)

Publicado por Ana Ascensão em http://naudosdescobrimentos.blogspot.pt/2014/01/e-terapeutico.html

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Escuta-me.




                                    (A imagem representa dois homens sentados e voltados um para o outro numa escuta ativa)


Acredito que...


Se todas as pessoas do planeta tivessem quem as escutasse... mas escutasse verdadeiramente, i.e., com toda a atenção, aceitação e respeito, sem interpretações, conselhos ou avaliações...

Se todas as pessoas do planeta pudessem partilhar com alguém as suas alegrias e tristezas, os seus momentos de frustração, de desespero e de angústia...

Se todas as pessoas do planeta pudessem saber que, em todos os momentos da sua vida, há sempre alguém para quem são muito importantes e que lhes dedica o seu tempo com amor...

Se todas as pessoas do planeta tivessem consciência de que estão dentro dela o poder e os recursos para serem felizes...

... Então a solidão e o isolamento transformar-se iam a auto-estima e capacidade de construir relações saudáveis.

... E a depressão transformar-se ia em explosão de vida e de criatividade.

... E as guerras dariam lugar a novas formas de entendimento e cooperação entre pessoas e entre países.

Utopia? Devaneio? Talvez...

A verdade é que, no Telefone da Esperança descobri que isso é mesmo assim. A escuta activa tem um poder transformador que nos leva (quem escuta e quem é escutado) a níveis superiores de auto-consciência, auto-conhecimento e auto-motivação. E essas são ferramentas-chave para a transformação e realização pessoais. 

Eu gosto de pensar que, através da minha capacidade de escutar os outros - mas escutar verdadeiramente - posso contribuir para a sua felicidade [sei que contribuo para a minha!] e, porque não, para um mundo mais parecido com aquele em que eu quero viver.

Natacha Soares, voluntária.