terça-feira, 8 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga… (Parte 4)


Há algo que me encanta no Fundador dos Redentoristas e que espero que sempre inspire os seus “filhos”.
Afonso acreditou sempre que só se conseguem “grandes” coisas (daquela grandeza que têm as coisas simples, sabem?) com outros, mas também acreditou sempre que não se pode ficar à espera que os outros sonhem connosco e se ponham a caminho connosco.
Quando se sonha e se acredita num sonho, não se pode ficar à espera que outros sonhem na mesma direcção. Há que ir e esperar que outros se apaixonem pela forma apaixonada como sonhamos. Ou, então, que não se apaixonem pelo sonho que sonhamos, mas ganhem paixão por sonhar os seus próprios sonhos.
Afonso foi assim. Quando fundou a Congregação, estava longe de pensar o que aconteceria nos meses seguintes. O que se passou? Deixem-me pedir palavras emprestadas:
“Mas o começo não poderia ser mais agitado. Os padres discutem entre si pequenos pormenores quanto à vida do Instituto. Todos têm espírito de fundadores. A 28 de Novembro, Afonso faz o voto, no seu diário, de que, aconteça o que acontecer, nunca abandonará o novo Instituto. Proíbe-se a si próprio de colocar dúvidas. Só se Deus lhe pedir para desistir… Mas bem sabemos que Deus nunca brinca connosco, nem é capaz de “voltar atrás”… Na Páscoa de 1733, Afonso será o único que permanece, apenas acompanhado de um irmão, de nome Vito Curzio, que entretanto entrara. Também Jesus fizera essa experiência de abandono, no Getsêmani. Mas isso não o impediria de ir até ao fim, sabendo que sairia vitorioso…

Como é que se desenvolve a vida deste incipiente Instituto, com apenas um padre e um irmão?
Em Scala, estabelece-se o que Afonso chama a “missão permanente”: quando não está fora, Afonso evangeliza os habitantes, cria ritmos de oração, meditação, celebração… Conduz as pessoas a criarem o seu próprio ritmo, e a aldeia depressa se centra na igreja do novo missionário. No jeito próprio de ser da Congregação, os missionários devem estabelecer-se fora das cidades, desenvolvendo um trabalho contínuo de evangelização nos locais. Uma dinâmica extra-ordinária… todos os dias!” (
http://redentorista.blogspot.pt/search/label/Afonso%20de%20Lig%C3%B3rio)
Afonso acredita verdadeiramente na importância de criar Comunidades que caminhem pelo seu pé, como acredita que, para se ir fundar comunidades, se deve ter por trás um suporte comunitário (dizem as Constituições Redentoristas que “A Congregação reúne membros que, vivemos em COMUM, constituem UM SÓ CORPO missionário. A finalidade de toda a obra missionária é SUSCITAR e FORMAR COMUNIDADES tais que levem vida digna da vocação a que foram chamadas.”), mas também acredita que não se pode desistir dos sonhos que sentimos que têm de ser concretizados.
Eu não posso deixar de dar graças por este exemplo do Pai Afonso, que é um chamamento fortíssimo àqueles que se dizem parte da Congregação que fundou.
Até para a semana.


Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Enquanto a Micaela não volta com a parte 4 da sua partilha, proponho-vos a abrir este link e lerem: http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/07/a-unidade-tres-ou-de-preferencia-mais.html

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…


Parte 3

Tinha ficado de partilhar o que me encanta no jeito de ser cristão que os Redentoristas escolheram para si.
No entanto, isso vai ficar para a próxima semana.
Desta vez, tenho de explicar o motivo do meu atraso no post desta semana e, a partir dessa experiência, falar um pouco disso que é ser Redentorista.
No Domingo passado, no Centro de Catequese Santo Afonso (o Centro de Catequese Redentorista do Porto, que tem o nome do fundador da Congregação), organizamos um arraial solidário.
Logo de manhãzinha, já estávamos a servir o pequeno-almoço.
Depois, celebrámos juntos a eucaristia.
Após a eucaristia, houve tempo para teatrices, entrega à Vida Norte de bens comprados com as moedinhas pequeninas (de 1 a 5 cêntimos) que juntámos ao longo do ano, venda de rifas, sorteio de cabazes, carne na brasa, pipocas, algodão doce, UNO, Lotto, …
As vendas foram feitas  recebendo em troca dinheiro e bens. Os bens seguiram para a Chikigentil. O dinheiro para a Vida Norte e para a Casa Jovem da Vitória.
À vinda para casa, pus-me a pensar se aquilo se “encaixava” no tema do nosso ano: celebrar aqui.
Pensando, acho que sim.
Uma das grandes novidades de Santo Afonso, no século XVIII, foi aproximar-se do dia-a-dia das pessoas, quando a maioria dos padres estava lá nos seus púlpitos, bem distante. Santo Afonso usou música (ainda hoje, a música de Natal mais popular é da sua autoria) e foi próximo das tradições populares.
Outra das novidades de Afonso foi um permanente cuidado com aqueles que menos “contavam”.
Nos últimos anos, no Centro de Catequese, temos andado, aos poucos, a mastigar um bocadinho isso: como nos podemos tornar presentes para os que não “contam”.
Uma das vias tem sido ajudar associações que se dedicam a tratar dos mais vulneráveis.
Este ano, para além do apoio regular à Chikigentil, ajudámos a Vida Norte, que apoia mulheres para quem o maior presente na vida (um filho) chegou na “altura errada”, e a Casa Jovem da Vitória, em que se esforçam por capacitar jovens que nasceram num meio complicado.
Acredito que aqui há um dedo de Afonso…

Talvez, no fundo, neste post, haja um pouco do que me encanta na Congregação…

Para a semana há mais…Até já!

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Do que dói a distância e o ter que lidar com ela.


Olá a todos os que passam por aqui!
Sim, a Micaela vai continuar a partilhar a sua experiência como redentorista. Só ainda não pode enviar a  parte 3 mas breve chegará. :) 
Enquanto não chega ficamos com a partilha da Cristina Mesquita. De coração aberto e apertadinho, expressa isto: 

"Faz cinco anos que tomamos em Família uma decisão. 25 anos depois, pela primeira vez íamos estar na condição de família separada. O Marido foi para 8.000 kms distante, trabalhar. Há que reagir, contrariar a Crise que é real, sentida e toma conta de todos um pouco... Resistimos o quanto pudemos MAS, chegando o momento em que um de nós não tem emprego, há que tomar decisões. Esta foi a nossa. 

5 anos e 4 meses depois, fica uma oração, um desabafo, o que se possa chamar. A distância aumenta o sentimento Presente nos corações de quem fica e de quem vai. Seja ele qual for.  

São cinco anos e 4 meses de domingos. Estou triste, triste, tão triste Senhor do Alento e Deus de Bondade! Cheira a assado no forno, há tarde de cinema na televisão e não se sai para trabalhar. Este triste é de domingo. Os domingos são lixados!  Hoje é o primeiro dia de cada semana. Hoje é o primeiro dia de cada pedacinho da vida que começa em unidades, de semana. Os domingos custam tanto a passar... Tenho nos domingos o meu dia de poder dar-me à tristeza, à saudade... São cinco anos de domingos... Venha daí a semana, até ser domingo outra vez... Não gosto dos meus domingos e eles também não gostam de mim... Fico feia e triste e não me apetece reagir... Os domingos ganham ... Levam a melhor! Vem mais um sempre e a maior certeza é que vem aí mais outro para me envelhecer, me vincar as rugas, o cansaço... "Amor, toma conta de ti... Descansa hoje que é domingo... Mais logo falamos, sim?" Quando o domingo estiver a acabar e o pano subir para dar início a mais uma semana..."

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…

Parte 2

No terraço, por estes dias, tenho um manjerico que diz::
“Mas que rico manjerico
Eu vou ter no S. João.
Fui comprá-lo ao Seminário,
Sou Redentorista de coração.”
Havia outros textos, mas não resisti a trazer este, porque é assim que me sinto: Redentorista de coração.
O mais engraçado é que, embora a minha caminhada de Fé, ao longo de mais de 20 anos, tenha sido sempre feita entre redentoristas, só há cerca de 3 anos comecei a tomar verdadeira consciência da minha identidade como Redentorista.
Há 3 anos, através nas redes sociais, encontrei uma irmã que estava a viver um momento intenso na Fé. Não tinha crescido entre Redentoristas, mas o seu coração sentia-se Redentorista.
Começou a falar-me do início da “minha” Congregação. Sem dúvida, sabia mais do que eu,
Senti-me “posta em causa”. Não era aquele pôr em causa que nos faz defendermo-nos, mas sim aquele que pôr em causa que nos faz querermos descobrir mais, porque o que temos não é suficiente.
Então, fui fazendo pesquisas, lendo, meditando, descobrindo que muitas das “coisas” que são fundamentais na minha caminhada de Fé tinham marca redentorista.
Um dos sítios por onde comecei e onde encontrei bastante encanto foi em http://redentorista.blogspot.pt/2008/08/bem-vindo.html.
O que mais me encanta?

Bem, isso fica para a próxima. ;)

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…

Parte 1

Antes de mais, bom dia a todos.
Já há uns anos que sou frequentadora assídua aqui do cantinho da Mila, mas tenho sido como aquelas pessoas que entram numa festa caladas e saem mais mudas ainda ;)
Há algum tempo, passei por cá uma semana, a falar sobre “Ver bem”, que é algo que se pode conseguir depois dos olhos terem pregado partidas e que se pode não conseguir com uns olhos sem problemas.
Agora, estou de volta, para, nas próximas semanas, dar resposta afirmativa a um convite da Mila para falar da Congregação do Santíssimo Redentor (CSsR), mais conhecida por Missionários Redentoristas.
Sendo franca, franca, a Mila não chegou a fazer-me o convite. Ela disse-me que estava com vontade de o fazer e eu não resisti a aceitá-lo ainda antes de ela o fazer.
Não pude deixar de aceitar, porque, nesse dia, no sítio em que cresci na Fé desde pequenina, tínhamos estado exactamente a falar do que é isto de sermos redentoristas.
Onde é que eu cresci na Fé? Na Comunidade Redentorista do Porto.
Foi lá que, há mais de 20 anos, os meus pais me puseram na catequese. Porque escolheram aquele Centro? Apenas porque a catequese era ao Domingo de manhã e ficava perto de uns amigos que o sugeriram por causa do horário.
Não sabiam que aquela escolha ia ter consequências profundas na minha vida.
Porquê?
Bem, isso vou tentar explicar nos próximos semanas.
Para já, deixem-me dizer-me apenas isto: no dia em que a Mila me sussurrou o desafio, uma amiga minha tinha-me contado que, ao dizer que ia à eucaristia nos Redentoristas, lhe tinham perguntado se era alguma seita.
Fiquei a pensar seriamente nisso. Tudo aquilo de que não partilhamos faz com que fiquemos mais pobres, dizia alguém que foi muito importante no meu crescimento.
Tudo aquilo que é desconhecido, mal conhecido e mal explicado tende a tornar-se nubloso e sujeito a más interpretações.
Os Redentoristas não são uma seita, não são um grupo fechado, mas, pelo contrário, estão chamados a anunciar a boa nova a todos, absolutamente todos, principalmente aqueles que mais precisem dela.
Agora, muitas vezes, não sobra muito tempo para falarmos de nós, para nos apresentarmos.

Nas próximas semanas, eu vou arranjar um bocadinho para falar de nós, da forma como entendemos a nossa missão.

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Alegria o dia todo!

TODOS POR UMA CAUSA! Todos pela deficiência!

                                                                  (Uma multidão de pessoas alegres e bem animadas a dançar)

  Assim foi sexta-feira, dia 6, um dia em CHEIO!
  Às 8:30h, à porta da ACAPO, uma camioneta  esperava-nos em direção a Guimarães. Não sabíamos bem o que íamos fazer. A única informação que nos foi dada, é que se tratava de uma boa surpresa. E como gostamos de aventuras, metemo-nos a caminho. O grupo estava entusiasmado e expectante.
  A surpresa que nos esperava realizou-se no Pavilhão Multiusos de Guimarães. Nesse espaço encontravam-se reunidas várias Associações de apoio à deficiência. Cada Associação foi acolhida por um grupo de três voluntários da Associação Alecrim, que nos acompanharam e orientaram ao longo de todo o dia.
  As atividades começaram com o Acolhimento, onde foram dadas as boas vindas pelo apresentador Neno, ex-jogador (guarda redes) do Benfica, Vitória de Guimarães e da Seleção Nacional. Este revelou-se uma pessoa maravilhosa, sem preconceitos, disponível, sociável, carinhosa, animada, assim como todos os intervenientes nesta iniciativa. O apresentador fez-se acompanhar por um coreógrafo que dinamizou um bom momento de dança hip hop.
  Não podia começar melhor. Pois com o apoio dos voluntários e das técnicas que acompanhavam cada grupo foi possível a participação e inclusão de todos com alegria e animação em todas as actividades. Foi mesmo muito, muito bom!
  De seguida formamos grupos e fomos distribuídos por três tipos de atividades: dança, jogos com bolas e relaxamento. Cada uma destas actividades, a melhor! Podíamos aqui descrever em que consistiam cada uma delas, mas só quem experimenta estas coisas num contexto destes é que pode Ver e Sentir.
  No final das actividades realizadas por equipas, foram ainda dinamizados dois momentos: o primeiro consistiu numa atividade de relaxamento/alongamento; o segundo consistiu na terapia do riso. Ambos contribuíram para acalmar e serenar das vivências anteriores. Aqui também foi tida em atenção a participação e inclusão de todos os presentes. O ambiente era de boa disposição e descontração. Todos participaram, independentemente da sua limitação física ou mental. A presença dos voluntários foi indescritível na forma como se davam à CAUSA. Não temos palavras para descrever o carinho e a atenção de cada um deles para cada um de nós. Parecia que já nos conhecíamos desde sempre.
  Podemos realmente dizer que FOI UM DIA CHEIO DE ALEGRIA, com muito convívio, muita interação social, muitas actividades inclusivas, muita alegria e boa disposição. Achamos que os tempos, os espaços, os voluntários dos grupos estavam muito bem organizados, isto porque não sentimos tempos mortos ou de desorganização.
  O dia terminou com a construção de uma grande flor, em que cada pétala foi decorada por cada grupo/associação, pela partilha de bolo e sumo e ainda uma largada de balões como símbolo da alegria e de esperança de cada um num futuro melhor e feliz…
  Foi uma excelente iniciativa, tendo em conta que a inclusão das diferentes deficiências foi um objetivo bem conseguido.
  Obrigada à ACAPO, à Associação ALECRIM, a outras Associações que participaram na festa, assim como a todas Instituições que colaboraram para que esta iniciativa se torna-se possível (entre elas a Câmara Municipal de Guimarães, o McDonalds…).
  Foi realmente uma surpresa maravilhosa, uma iniciativa de louvar!
  Tudo isto incluindo lanches, almoço e viagem por 1€! Acreditam?


     Emília Pinto e Susana Monteiro