terça-feira, 26 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 11)


Hoje, o post é muito simples, mas não pouco desafiante.
Deixo-vos com a Constituição n.º 36 dos Redentoristas:
36.    A comunidade deve promover o desenvolvimento das pessoas, incentivar as relações interpessoais e constituir a verdadeira fraternidade. Isso exige máxima estima pelas pessoas, por seus valores e qualidades, e que se favoreça o crescimento da maturidade e da responsabilidade de todos os confrades, dando-lhes oportunidade de tomar decisões pessoais.
Pronto, hoje é “só” isto.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Iste de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 10)

Ser Redentorista é estar onde faz falta e pôr os últimos em primeir0.
Por isso, hoje, quero partilhar um apelo Arcebispo de Erbil, na região do Kurdistão do Iraque, que é Missionário Redentorista, que vi partilhada por um outro Missionário Redentorista, o Pe. Rui Santiago.
“Queridos Irmãos em Cristo
Como vocês certamente sabem por meio dos relatos da mídia, na cidade de Mosul, no norte do Iraque, foi tomada pelas milícias dos fanáticos e perseguiram os cristãos de modo que a comunidade cristã de Mosul e das aldeias periféricas foram dispersadas. A maioria deles se refugiou na nossa Diocese e, assim, mais de mil famílias na região de Mosul estão agora Ankawa, pedindo abrigo e proteção. Acolhemos esses irmãos e irmãs tão bem quanto possível. Muitas de nossas famílias partilham as casas com os parentes que escaparam da violência, enquanto outras pessoas estão espalhadas na região. Nos últimos dias, a direção curda de Imigração está utilizando as instalações da Arquidiocese para o registro de pedidos de residência nas províncias cursas.

As comunidades que permanecem nas proximidades de Mosul estão aguardando para as próximas semanas , novas ameaças à sua segurança. A escassez de água, de comida e de eletricidade agrava a situação. Nosso compromisso forte é satisfazer as necessidades imediatas desses “novos membros” da nossa comunidade de refugiados e vai durar um longo tempo.

Estou me dirigindo a vocês, meus irmãos e irmãs da congregação, com um pedido de doações generosas que nos ajudarão a aliviar o sofrimento; seus dons nos ajudarão fornecer alimentos, produtos para casa, produtos de higiene necessários para garantir o essencial.

Muitos de nós já vivemos há alguns anos na Arquidiocese de Erbil e percebemos que as famílias dos refugiados estão resistindo, por enquanto. Como comunidade cristã estamos sofrendo juntos, e tentamos nos preparar para acompanhar essas pessoas por um longo periodo. Tanto para as nossas famílias que emigram como para aquelas que permanecem no Iraque, a nossa preocupação atual é o seu bem-estar, alem de esperar e rezar pela estabilidade e a paz de Cristo.

Aqueles que optam por ficar no Iraque fazem isso porque amam sua terra e acreditam que há um futuro para nós. A estabilidade é vital para a nossa sobrevivência, bem como a educação e o trabalho. Todos nós estamos empenhados em fazer a nossa parte para alcançar uma paz duradoura em uma sociedade justa e pluralista. Seu gesto de caridade irá desempenhar um papel-chave que nos permite começar de novo.

Obrigado por ouvir esse meu apelo pessoal.

Em Cristo, o Redentor,
Bashar M. WARDA CSsR
Arcebispo caldeu de Erbil
Residente de Ainkawa.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………
Não podemos juntar as nossas mãos em oração sem estarmos disponíveis a abri-las à partilha com os nossos irmãos e irmãs no que for possível. Aqueles que puderem ajudar a comunidade católica de refugiados na Arquidiocese de Erbil podem enviar o dinheiro para as seguintes contas bancárias:

Nome do banco: BANCO IBL SAL
Endereço do Banco: Erbil RAMO, AL DAR BUILDING HANDASSA, Ankawa ROAD, Bakhtiyari, ERBIL- IRAQUE
S.W.I.F.T. – BIC: INLELBBE
Código IBAN: LB20 0052 0067 0025 7608 0039 2012
Rubrica: CALDEU Arquidiocese de Erbil
Conta no .: 0850023010857373015
Endereço do titular da conta: IRAQUE-Erbil – Ankawa SECTOR, PO BOX 981/60

ou depositar
em nome da Congregação Redentorista, inserindo no motivo da transferência bancária o seguinte: “Para o Iraque”

A conta é a seguinte:

Banca PopolarediSondrio
Títular:
CASA GERAL DA CONGREGAÇÃO SS.REDENTORE
IBAN:
IT12 D056 9603 2000 0000 3832 X59
Branch:
054 ROMA – AG. 11
BIC / SWIFT:
POSOIT2106Y
BIC / SWIFT LOCALIZAÇÃO:
POSOIT22
Endereço do Banco: Banca PopolarediSondrio, Via Carlo Alberto, 6 / A”


Quem puder ajudar e do longe fazer perto, quem puder pôr os últimos em primeiro, tem aqui uma hipótese.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 9)


Hoje, quero partilhar um textinho sobre Clemente Hofbauer, que foi o grande responsável por a congregação ultrapassar as fronteiras de Itália.
Logo no início de “Clemente Hofbauer – um apóstolo incansável”, escrito pelo Padre João Manso, lê-se sobre esse Redentorista:
“Tenta radicar-se em Viena, mas os condicionalismos políticos são desfavoráveis para o trabalho apostólico e vê-se obrigado a partir para a Polónia.
Percebe bem as necessidades do seu tempo, correspondendo-lhe com novas formas de apostolado.
Mas vê-se continuamente desalojado por guerras e perseguições sucessivas.
Homem de fé persistente, não desanima.
Sempre inconformado, quando não pode trabalhar num lado, vai para outro, e consegue desenvolver um trabalho adaptado, imaginativo, mesmo pioneiro, como é caso da sua acção com os jovens, nomeadamente os estudantes e os professores.”
É assim que, como redentoristas estamos chamados a ser: atentos aos sinais dos tempos e capazes de discernir a melhor forma de anunciar o Evangelho, isto é, de ser boa notícia e de dar boas notícias.
Nas constituições redentoristas, há diversos pontos em que é notório esse chamamento, essa obrigação.
Podia pôr aqui diversos exemplos, mas, hoje, quero salientar estas duas:
8.      Procurarão assiduamente discernir, conforme as circunstâncias, o que fazer ou o que dizer: se proclamar Cristo explicitamente ou, pelo menos, com o testemunho tácito de presença fraterna.
9.      Se as circunstâncias forem tais que alguma vez não haja possibilidade de propor, direta e imediatamente o Evangelho ou de anunciá-lo de modo pleno, devem os missionários, com paciência, prudência e grande confiança, dar testemunho da caridade de Cristo e, na medida do possível, fazer-se próximos de cada homem. Essa manifestação de caridade se fará pela oração, pelo sincero serviço prestado aos outros e pelo testemunho de vida, qualquer que seja sua modalidade.

Fica o desafio?

Micaela Lemos Madureira

domingo, 3 de agosto de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... Parte 8


Na última sexta-feira, foi dia de Santo Afonso, o Fundador dos Redentoristas.
Ao pensar na sua vida, penso sempre o quanto ela foi fecunda, na forma como deu frutos.
Um dia, Jesus disse que era a videira e nós os ramos. Sem dúvida, há ramos que se carregam de frutos. Santo Afonso foi desses.
Ser Redentorista também é isso: levar muito a sério o chamamento permanente a que sejamos fecundos.
Por isso, hoje, faço silêncio, para dar a outro a possibilidade de falar sobre o nosso Afonso.
Abaixo, um texto publicado pelo Missionário Redentorista Rui Santiago publicado no dia de Santo Afonso:

“Ele há gente cuja vida é muita gente! Fazem parte da nossa História pessoas que procuraram com tanto afinco aquilo que não se esgota que até os dias que viveram deixam de caber nas costuras dos nossos calendários. Há quem deixe de herança dinheiro e terras e casas... E são demais as histórias que tenho visto de heranças destas que provocam rupturas e divisões e zangas. Há outra gente que deixa de herança uma paixão! Esses - já vi eu! - deixam por herdo um lugar comum, um ponto de encontro entre muitos que ficariam para sempre desconhecidos se não se descobrissem herdeiros comuns de tal tesouro. Há heranças que separam irmãos de berço e há outras, mais bonitas, queirmanam para sempre desconhecidos.

Ele há gente cuja vida é uma praça aberta, imensa, lugar de chegada e de partida de tanta outra gente, território de comunhão e encontro, descanso no Espírito e inquietação Evangélica... Outros fazem apenas da vida uma espécie de lugarejos isolados, becos sem saída, onde ninguém se encontra com ninguém. Esses, quando acabam de morrer, morrem de vez. Mas há os que fazem da vida praças largas, vidas desfronteiradas. Esses são os que fazem divertidos manguitos à morte e acenam, cheios de Graça, do lado sempre eterno da Vida, da Alegria e da Esperança, como quem conVida. 
 1 de Agosto
Memória de Afonso de Ligório,
Homem de Deus,

Fundador dos Missionários Redentoristas”

Micaela Lemos Madureira

terça-feira, 29 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga...(Parte7)


Já aqui escrevi:
“Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão.”
“Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior.”
 Hoje, quero desenvolver mais um pouco este tema.
 Santo Afonso entendia que o que nos torna ao jeito de Deus é a gratidão.
Deixem-me fazer-vos uma pergunta: quando se sentem amados, do que sentem necessidade? A forma natural de reagir é responder com gratidão, correcto? Tentar corresponder a um amor que sentimos gratuito, que sentimos receber “do nada”.
 Era assim que Santo Afonso entendia a nossa relação com Deus: perante um amor sem limites, só havia uma solução responder “à altura”, apesar de todas as limitações.
 Responder “à altura” é responder de todo o coração, embora não seja possível responder “ao nível de Deus”, que ama infinita e perfeitamente.
 Às vezes, quando se fala de um Deus que ama infinitamente, que não nos compra com favores, nem nos exige sacrifícios ou dá castigos a cumprir, surge o discurso de “Sim, mas…”
 Algo como: “Claro que Deus nos ama, mas como somos cabeça dura, tem de nos impor limites, de pedir sacrifícios, que nos castigar quando é preciso. Ui, se não fosse assim, estávamos perdidos… “
 Santo Afonso diz-nos aquilo que nós sabemos bem das nossas relações humanas, mas que gostamos de complicar quando estamos a falar da nossa relação com Deus: não mudamos por medo, mudamos por amor.
Nada nos muda mais do que o Amor, do que a certeza da confiança que têm em nós, ou muda?
 Bem, deixo-vos a pensar nisso.
 Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga... (Parte 6)


Outro dia, encaminhei uma amiga para estas partilhas que tenho feito aqui no estaminé da Mila.
Essa amiga disse-me que tinha um dom para escrever.
Fiquei a pensar que, podendo ou não existir o dom, há uma coisa que é certa: tenho necessidade de escrever, como forma de partilhar a minha Fé.
Na história da Família Redentorista, a escrita tem sido sempre fundamental. Santo Afonso, o fundador, escreveu mais de 100 livros. Muitos deles foram escritos numa linguagem simples, familiar, próxima, para os humildes.
Os livros eram uma forma de prolongar a missão, de ficar um apoio depois dos missionários terem partido.
No tempo de Santo Afonso, a Itália ainda não era um país, mas uma série de pequenos estados. A língua, portanto, não era comum. A missão de Afonso contribuiu para a unificar, sendo considerado um dos “criadores” da língua italiana.
Na altura de Afonso, era “moderno” distribuir livros.
Hoje, será “moderno” recorrer a blogs e redes sociais para partilharmos a nossa Fé.
Só que o importante, o que verdadeiramente conta, é que a pregação seja fecunda, que marque, que desinstale e, ao mesmo tempo, conforme. O importante na pregação é que seja capaz de anunciar o Amor sem medida de Deus de um jeito familiar.
Numa música que é muito querida aos Redentoristas, diz-se o seguinte daqueles que abraçam esse carisma (ou são abraçados por ele):

“Valentes na Entrega
e dados à Oração,
Humildes na Vida
E Simples na Pregação.”

Hoje, peço a Deus que nos faça assim. Em particular, que nos faça simples na pregação, oral, escrita e com a Vida, porque é a isso que estamos chamados.
Até para a semana.

Micaela Lemos Madureira

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Isto de ser Redentorista tem muito que lhe diga…(Parte 5)

Esta é a quinta semana que escrevo sobre “Ser Redentorista” e parece que ainda não disse nada de especial, de distintivo dos Redentoristas.
Há um motivo para isso: os Redentoristas são originais e não originais ao mesmo tempo.
Como assim?

Os Redentoristas não “inventaram” nada, pelo que não são originais.

Pelo contrário, tentam ir à origem do Cristianismo, aos Evangelhos, ao que Jesus fez na Palestina… Logo, vão às origens, sendo, por isso, originais.
Como é que isso toma corpo, se torna concreto?
Uma das formas é ser, de certa forma, “fora da Lei”. Tal como para Jesus, as pessoas têm de ser mais importantes do que qualquer Lei.
Quando Santo Afonso fundou os Redentoristas, a moral era estrita e Deus tinha de ser conquistado com penitências e promessas de conversão. Os confessores “mediam” o arrependimento e avaliavam se cada um merecia ou não ser perdoado. Ora pelo mérito, se formos a ver bem, ninguém lá vai. Por isso, era comum as pessoas saírem sem absolvição.
Santo Afonso, pelo contrário, acreditava que o que verdadeiramente  nos salva é o Amor. Acreditava que o que nos salva é respondermos amorosamente a um Amor maior. Por isso, sempre se recusou a negar a absolvição.
Jesus não era propriamente conhecido pelas boas companhias – deixava-se beijar por prostitutas, jantava em casa de publicanos (cobradores de impostos, que eram muito mal vistos, quer por colaborarem com os romanos, quer por cobrarem mais do que deviam), … - e Santo Afonso também não o foi.
A sua acção missionária (e a dos seus) 0correu junto a condenados à morte e às suas famílias, a prostitutas, a incuráveis, …
Portanto, ser Redentorista torna-se perigoso. Não é coisa que nos possa manter nos lugares do asseio físico e moral.

Até para a semana.
Micaela Lemos Madureira